14 janeiro 2014

Discrição


A atriz Camila Pitanga, exuberância no talento, discrição nas formas de ser e aparecer - sinônimo de brasilidade e inteligência da mulher. 

Os mais lembrados serão sempre os mais discretos. A discrição é um fenômeno múltiplo, caracterizado por muitas nuances de equilíbrio, humildade e grata sabedoria.

O alardear feitos e aspirações é cansativo, denota insegurança, expõe ao constrangimento aqueles que vivem para aparecer, ser o centro das atenções. Um velho ditado popular é pérola do bom saber: “Quem muito aparece pouco é.”

Os mais efetivos e confiáveis não se afeiçoam a gritarias. Em vez do susto que estrangula a temperança, a discrição é paciência, o ingrediente insubstituível da insistência singela e batalhadora.

Há também um quê formidável de charme na discrição. Na ação discreta falam o gesto e o olhar, comedidos e, sintomaticamente, recheados de sedução. A discrição é antes de tudo uma atitude franca, transparente, em si.

O sujeito discreto é muito bom na hora de exercitar o discernimento, optar entre diferentes e antagônicos caminhos, separar o joio da joia, acolher lutas, disputar significados. Como prefere observar a palpitar, o ser discreto acumula saberes e é excelente conselheiro - suas grandes dicas, contudo, nascem invariavelmente de um olhar silencioso.

A reserva é a espada da discrição. Em vez da exposição, o recato. No lugar comumente designado à ostentação, a simplicidade. Sem concessões ao histrionismo, a discrição é irmã gêmea da frugalidade.

Reserva, simplicidade, frugalidade. Esses predicados dão beleza à discrição e destacam na vida os seres humanos que a adotam para si. Bons amigos, belas paisagens, sentido em tudo que pensa, tem e fez: é assim o coração de um sujeito discreto, pleno, gigante, repleto.

O desafio maior da vida é experimentar a discrição, fugindo, pois, ao consumismo, ao narcisismo, à mitomania que acredita eleger os melhores por meio da farsa e da visibilidade forçada. Ser discreto, para muito além de tudo, é apenas ser. Ponto.