20 janeiro 2014

Milagre


Não sei se há um poema
sobre as estrelas por aí.
Desconfio que o brilho delas
seja o verso em si.

Em nome delas
- as estrelas -
já amei,
chorei,
perdi,
quase desisti.

Agora,
porque soube insistir,
conheci um sorriso
inexplicável,
um amor
imponderado,
um sentimento
que me põe ao vento,
coração desmesurado.

Como todo amor em minha vida,
sempre tão benjaminiano,
este será só meu,
eu acho,
sem ponte até
o sorriso da paixão,
o fogo insinuante
do delírio na contramão.

Adoro a ideia de amá-la,
mulher de doce lábio,
e faço isso em refúgio,
em minha alma latina,
à espera de um milagre,
de uma loucura repentina
- e eterna, por que não?