17 abril 2014

Liberdade


Não há nada
mais intenso
que a liberdade.

Ela arrebata,
encanta,
torna tudo
diferente.

A sensação
de ser (estar) livre
(algo indescritível)
é real,
quando conquista,
surreal,
como justiça,
humana,
se bendita.

É doce
o sabor da
liberdade.

É suave
o aroma da
liberdade.

É pleno
o ser
que (re)conhece
a liberdade.

O melhor
tempo é
o tempo
da liberdade.

03 abril 2014

Desejo


O desejo não é somente a condição expressa de quem conjuga ou experimenta o verbo desejar. É algo muito maior, talvez imensurável, provavelmente pouco afeito a narrativas.

Acredito que sejam pouquíssimas as tentativas bem-sucedidas de explicar o desejo. É uma opinião radical e arriscada, eu sei. A ênfase em que são raras, contudo, se dá pelo fato de que não conheço mesmo nenhuma descrição ou análise convincente acerca do desejo.

Há algo incontrolável no desejo. Ele é invariavelmente irrefreável. A razão, condenada a cercá-lo e contê-lo (impedi-lo, no limite), é uma eterna derrotada. Ainda que tenha de se manifestar diferentemente de seu impulso original – castrado pelas imposições e ameaças do mundo -, o desejo é o animal em nós que não se pode aprisionar por muito tempo. Há uma sede insuprível de liberdade em todo tipo de desejo.

É complexo demais o desejo. Racional, não é. Puramente animal, também não. O desejo despista, planeja seus atos, eleva a frieza das ações ao seu último estágio. Em nome do desejo, imaginamos até subverter a ordem, derrubar muros, enfrentar limites e forças hostis.

O desejo, no entanto, como tudo que se move pelo calor e pelo signo do incontentado, é breve. Saciado (situação provisória que se desfaz a todo instante), o desejo vira dor, arrependimento, medo. Uma vez li: “Desejo o seu desejo”. Julguei que fosse uma declaração imortal de amor. Soube depois que o meu desejo e o desejo de quem expressara tão sedutoras palavras morreram de modo fulminante. Não houve tempo sequer para a saudade. Não houve espaço nem para mais um pouco de um novo desejo.

Desejar é colocar-se em xeque sempre. Aquele que muito deseja se vê tragado pela realidade, paralisado pela ansiedade, atemorizado pelo tempo que não passa e não chega. O desejo é o paradoxo da história. Se desejar imprime movimento, o desejo, quando não se realiza ou logo após seu inebriante regozijo, é sinônimo de fim, uma parada longa e condoída.

No fim – ou no início, tanto faz -, o melhor desejo é o de amar incondicionalmente o que se é. Só.