01 agosto 2014

Matei minhas musas


Não tenho mais musas.
Matei-as de uma só vez.
Nem de papel, nem de telas virtuais:
sou agora das criaturas de alma.

Não farei mais homenagens
àquelas que não têm voz,
não se dão às paixões,
não se permitem ousar.

Mulheres sem carne,
além de não ter vida,
não têm cheiro,
volúpia,
olhar.
Tudo é falso,
artificial na artificialidade
de suas palavras vazias,
tristes,
desamorosas.

Não tenho mais musas.
Matei e enterrei todas.
Longe de mim.