13 outubro 2014

Utopia: a história de uma ideia


Leandro Konder, um dos intelectuais vivos mais brilhantes do país, diz que “... a utopia é uma fonte que alimenta inquietações generosas, nobres ímpetos justiceiros e uma preciosa disposição para a busca da felicidade universal. Nela se revelam aos seres humanos aspetos novos de suas carências, anseios, fantasias e desejos.” Aprecio demais essa definição de utopia. Considero-a bastante abrangente, sutil, recheada de pontos para análise. Nas ricas palavras de Konder, a utopia se revela prenhe de história, uma gigantesca ideia.

No livro “Utopia: a história de uma ideia”, do historiador britânico Gregory Claeys, lançado há pouco no Brasil pelas Edições SESC-SP, a definição de Leandro Konder parece se desdobrar em vários capítulos, minuciosos, numa obra de arte que é item obrigatório na biblioteca de todo coração revolucionário.

Em mais de duzentas páginas fartamente ilustradas e coloridas, impressas em papel especial, o livro de Claeys viaja pela história da ideia utópica, dos mitos clássicos da religião e da filosofia à ficção científica literária e cinematográfica.

Por meio de uma linguagem rica e extremamente acessível a todos os públicos, “Utopia: a história de uma ideia” resgata a fonte das inquietações generosas que ousaram praticar a igualdade; desvela os nobres ímpetos justiceiros movidos a liberdade e sonhos de virtude; condecora a preciosa disposição de homens e mulheres que não temeram enfrentar as forças da ordem em nome de uma felicidade de fato para toda a humanidade. No caminho, bastante sinuoso e empedrado, o livro não oculta os equívocos nem as distopias, o cruel avesso das lutas fraternas dos povos da Terra.

Entre filósofos, líderes religiosos, comandantes revolucionários e mentes inconformadas, a utopia foi arte, pensamento, ação e reação. Acima de tudo, foi matéria-prima de almas resistentes e sempre abertas para o novo. Lendo atentamente o texto de Gregory Claeys, incomoda uma já velha pergunta: “Onde estão as utopias dos nossos dias?!”

Bela e farta em personagens e eventos, enriquecida com uma arte plural que ilustra a multiplicidade das insistentes ideias do tempo, a obra de Claeys sobre a trajetória da utopia como ideia merece um lugar de destaque não somente na estante de livros de cada um de nós, mas, muito mais, num local bem franco e visível em nossas casas e corações.