09 abril 2015

Cogito Ergo Sum


Um amigo me lembrou dias atrás que acabei criando um mote para expressar minha perplexidade diante da vida contemporânea. Para qualquer efeito e a partir de quase todas as origens, vivo a dizer que estamos passando por tempos bicudos. É muita coisa estranha na terra, no mar e no ar. Apenas para ficar com uma das calamidades mais recentes – parafraseando-a –, nossa época optou mesmo por terceirizar a inteligência.

Nas redes sociais, um pequeno espelho do comportamento infanto-juvenil de multidões de brucutus, a principal brincadeira é ignorar categorias, conceitos e um mínimo de apreço pela boa vontade das ideias. Num caso sintomático, temos o vídeo postado pelo Deputado Jair Bolsonaro (PP/RJ), um notório defensor da truculência como método de fazer a antipolítica, provocando o também parlamentar Jean Wyllys (PSOL/RJ), que simplesmente não quis permanecer ao seu lado numa aeronave comercial, no início deste mês de abril. Bolsonaro, com gracejos benfazejos à barbárie, pergunta ao seu ávido e nada arejado público seguidor: “E se fosse o contrário?” 

A questão é: “Qual o contrário de homofobia?” 

Seria heterofobia? Isso já segregou, humilhou ou matou alguém? Em que momento da nossa história uma suposta heterofobia poderia ser responsabilizada por algum tipo de negação de direitos, exclusão social, violência desmedida? A busca do deputado militarista por uma intangível forma contrária da homofobia não seria de modo contumaz mais uma de suas tantas expressões homofóbicas disfarçadas de bom humor? (Ah, e perdoem-me: não existe humor de direita!

Como se pode perceber, a ignorância deixou de ser tão somente um lugar quentinho e passou a ser em igual medida um espaço em que se asilam os mal-intencionados ou, no mínimo, os carentes de boa-fé ou do velho cogito ergo sum