20 agosto 2015

Voz


A mesma voz
toda manhã
cantava-me
a velha canção.
Eu ouvia
de olhos fechados
e corpo aberto,
pronto para
amar a voz,
o corpo
que cantava.
Depois de acordar,
a voz sumia,
nunca voltava,
ignorava meu pranto,
meu suspiro,
tudo de mim.
A voz doce
do cantar sedutor
nunca existiu,
nunca me cantou:
foi um vento
quente que senti,
me deu calor
e se foi,
sem jamais
ter me tocado.