03 fevereiro 2016

M, de Mulher


Tudo nela
me conquista:
o corpo de mulher, 
os olhos de menina, 
o jeito de quem ainda está 
em 68.

Essa síntese de menina-mulher
parece estar à beira
de uma explosão
-  e imploraria por um abraço,
se tivesse coragem.

Mestiça de 
mundos desconhecidos,
amante de histórias
extraordinárias,
é um delírio deslumbrante,
um sonho transbordante.

Quem me dera
ser o repouso
do seu olhar,
o lugar tranquilo 
de seu descanso.

Acho que sou só
alguém que vê
sem ser visto, 
um sujeito proibido
de amar os sonhos,
convencido 
a esquecer 68 e
a beijar o deserto 
do real.