12 maio 2016

Só sabe lutar quem não tem vergonha de chorar


Sou um incorrigível manteiga-derretida. Choro até por causa de comerciais na TV. Uma amiga me disse que os piscianos são assim mesmo, emotivos e sensíveis. Na verdade, não levo astrologia a sério. Mas será que o fato de eu ser de peixes com ascendente em peixes justifica alguma coisa?! Haja lágrimas.

Chorei em 1982, menino, quando vi aquela seleção linda do Telê Santana perder para a Itália na Copa da Espanha. O sobrenome Rossi do carrasco da seleção canarinho só aumentou minha dor. Foi a primeira vez que não quis ver ninguém após uma "tragédia" e fui dormir antes de jantar. Carrego marcas na alma daquela tarde de domingo.

Em 1986, Telê ganhou nova chance de comandar a seleção numa Copa do Mundo. Foi o único técnico que dirigiu o país em duas competições seguidas. A França eliminou o Brasil nas cobranças de tiro livre da marca do pênalti (sim, esse é o nome correto), nas quartas-de-final. Chorei, então, duas vezes pelo time do mesmo técnico, por não me conformar em ver o futebol mais lindo do planeta perder duas vezes a chance de encantar o universo e entrar para a história. Depois da Copa do México naquele ano, levei muito tempo para voltar a gostar de bola e torcer pela seleção. Até hoje, aliás, torço com o nariz torcido pela amarelinha. 

Entre uma Copa e outra, perdi meu avô materno. Descobri o choro do amor por outro ser humano. Sinto falta de meu avô Euclides até hoje. E choro sempre que o coração aperta por causa de sua ausência.

Garoto, chorei quando vi o filme “Rocky II, a revanche” na TV. Rocky Balboa me faz chorar ainda. Foi com ele que aprendi que não se luta apenas com as mãos e a força do corpo; luta-se, sobretudo, com o coração. As melhores conquistas nascem e deságuam no coração.

Em 1988, chorei por causa do assassinato de um seringueiro que lutava na Amazônia pelos trabalhadores da floresta. Chorei por Chico Mendes. Vinte e cinco anos mais tarde, em 2003, chorei ao tirar nota máxima na defesa da dissertação de mestrado sobre... Chico Mendes.

Chorei em 1989, quando Lula perdeu para Collor, depois de vinte e nove anos sem eleições diretas para a chefia do poder executivo do Brasil. Estava no ensino médio, lia de tudo sobre o país e sobre política. Foi quando, ainda de modo inconsciente, decidi que cursaria Ciências Sociais e seria professor de Sociologia. Eu sonhava mudar o mundo. Admito que ainda sonho, mas não me deixo levar pelas ilusões da adolescência.

Em 1992, quando deixei a capital paulista para morar em Londrina, chorei. Chorei pelos amigos que deixei para trás. Chorei pela banda de rock com a qual não cheguei a gravar um álbum (e merecia!). Chorei por saber que eu não tinha a menor ideia do que seria do resto da minha vida. Anos mais tarde, ao descobrir que amava Londrina de uma forma quase inenarrável, chorei. Choro por Londrina diariamente. Choro por paixão. E choro por São Paulo. Choro de saudade da linda infância e da adolescência tão vibrante.

Em 1994 e 1998, não chorei quando FHC foi eleito e reeleito presidente da República. Fiquei triste, sim, mas decidi que aguentaria o tranco e converteria a tristeza em luta. De lá para cá, nunca cessei de lutar - de alguma maneira, canalizo minha indignação em direção à palavra que antecede a ação política e me mexo, seguindo à risca um velho ditado africano: "Quando juntar as mãos para rezar, mova os pés".

Em 1997, na minha formatura no ensino superior, entreguei ao meu pai a Láurea Acadêmica que a Universidade Estadual de Londrina (UEL) me deu em razão de eu ter sido o aluno com o melhor desempenho acadêmico daquela geração, entre os formandos de todos os cursos da instituição. Obtive média 9,62 durante a graduação em Ciências Sociais. Lembro que meu pai, um simples e honrado almoxarife, chorou feito um menino. Eu, que havia decidido não derramar nenhuma lágrima, descumpri a promessa, abracei meu velho e chorei copiosamente. Mais do que em 1982, 1986 e 1989 juntos. Muito mais. (Em 2009, perdi meu pai. Choro desde então, sem trégua.)

Adulto, formado e disposto a correr o mundo atrás da felicidade, o choro não me abandonou. Chorei em 2002 quando me casei; chorei em 2006 ao segurar meu filho na maternidade para lhe dar o primeiro banho; continuei chorando assistindo a filmes, ouvindo músicas e lendo romances. Toda vez que ouço “A Internacional”, em qualquer lugar ou ocasião, choro também. Choro com o Fluminense, na alegria e na tristeza. (Em 2008, na final da Libertadores da América, em pleno Maracanã, quando o Tricolor foi derrotado por um time equatoriano cujo nome tento esquecer, chorei durante dias e entrei em estado de letargia: passei um bom tempo sem demonstrar emoções, sem sorrir, sem achar muita graça na vida.)

Se fizesse um balanço das lágrimas que derramei na vida até agora, faltariam números conhecidos pela matemática para registrar tudo. Chorei por alegria, tristeza, inconformismo e até raiva, que é um sentimento contra o qual luto incessantemente. Tenho raiva de mim mesmo quando sinto raiva, contrariando uma das tantas verdades de Chico Buarque: “Não se deve sentir raiva de quem tem raiva”. No fim, é possível aprender que o ódio é algo que destrói quem o exala.

Em 2014, chorei ao ser convocado para assumir vaga de professor da UEL, na instituição em que estudei e amo mais do que a mim mesmo. Fiz o concurso público em 2010 e já havia perdido a esperança de ser chamado para o trabalho. Segui em frente, dando aula em ambientes insalubres e muitas vezes hostis a Sociologia e às ideias livres. Era preciso sobreviver, pagar as contas, fazer uma pequena poupança para comprar um apartamento e escapar do voraz aluguel. O choro, portanto, teve dois motivos: o da alegria de realizar o maior sonho profissional da minha vida e o do alívio de deixar para trás uma experiência longa e infeliz, que roubou, pelo menos, dez anos da minha história pessoal. Ah, e eu consegui comprar meu apartamento também.

Ano passado, em 2015, chorei lutando ao lado dos professores e servidores públicos do Paraná, numa greve cujas vitórias mais significativas foram afetivas e simbólicas: durante a greve, enxerguei-me no espelho da história do Brasil e reencontrei o menino que sonhava com um gol de Zico (apesar de ele ser flamenguista) numa final de Copa do Mundo. Em 29 de abril, quando o governo estadual promoveu um verdadeiro massacre no Centro Cívico contra os grevistas, jogando bombas e descendo o pau em estudantes e trabalhadores, acho que chorei sangue. Passei noites em claro e pensei em desistir de tudo. Só reencontrei forças na solidariedade dos meus pares, no olhar dos meus alunos, na memória dos lutadores do povo brasileiro. É estranho e dolorido demais chorar sangue.

Em 2002, ano em que me casei, chorei com a chegada de Lula lá. No ano seguinte, decepcionado (e chorando), deixei o PT e fui ver o sol brilhar no PSOL, em 2004. Apesar disso, nunca fiz o jogo fácil e perigoso de rechaçar tudo que o governo federal fazia. Se estava longe de ser o governo com o qual sonhara e pelo qual lutara, era algo novo na história do país e apresentava uma linguagem política que precisava se expandir, alçar voo, aprimorar seus sentidos. Vivo dizendo que o PT foi a esquerda que o Brasil conseguiu fazer, numa trajetória insólita de cultura golpista, pactos infames e mentalidade conservadora que invade a tudo e todos, a toda hora. Mais do que nunca, é urgente que uma nova esquerda seja pensada, fundada e praticada. Disso depende, no mínimo, o futuro do país.

Chorei, choro e ainda terei muita lágrima precipitada por ser um sujeito de esquerda num país que tem pela frente um imenso passado, como dizia Millôr Fernandes; por torcer pelo Fluminense (haja coração!); por gostar de pensar e me emocionar com discos, filmes e livros; por amar as pessoas como se não houvesse amanhã (apesar das pauladas na cabeça por causa desse vício amoroso); por fazer da escrita um ofício; por ser professor e ter a Sociologia como matéria-prima da existência.

Algumas semanas atrás, chorei de tristeza ao ver os deputados brasileiros desferirem seu golpe contra a democracia tão arduamente alcançada. Chorei pelas coisas que diziam e pelas que não souberam dizer; chorei pela nossa miséria política; chorei por constatar que a luta será longa e empedrada em defesa do país, da liberdade e da igualdade.

Hoje de manhã, chorei no momento em que li nos jornais de todo o mundo que o golpe contra a democracia havia se consumado por aqui, com aplausos das classes médias e brindes com champanhe nos círculos empresariais. Chorei ao saber que não haverá mulheres nos ministérios do lapso golpista (que nunca será legítimo nem será chamado por mim de governo). Chorei lendo a lista de novos ministros (lacaios de golpistas). Chorei por, naquele momento, não poder fazer outra coisa a não ser chorar. 

Chorei ouvindo a Presidenta Dilma dizer um até logo. Chorei de emoção por saber que há coragem a destacar em dias de nuvens cinzas e céu escuro. Chorei por sentir que haverá resistência. Chorei por saber que vou resgatar do baú aquelas bandeiras da adolescência que estavam amareladas e servindo de alimento às traças. Chorei para poder enxugar as lágrimas, levantar a cabeça, sacudir a poeira e seguir pelejando. Há um país para fazer, nas ruas e com o povo. E haverá muita história ainda pela qual eu possa chorar de emoção e alegria. No fundo, nunca deixei de sonhar com um gol do Zico numa final de Copa do Mundo. Por isso luto. E choro. E volto a lutar.

03 maio 2016

Almas Universais


Óleo sobre tela, sem título, do paraibano Bruno Steinbach (2004)

A noite era para ser inesquecível. Havia meses que Eli ansiava reencontrar Mariana. O jantar em comemoração ao centenário da obra-prima de seu bisavô Dario Rossi, um dos mais aclamados autores do século XX, seria o cenário do momento tão aguardado.

Almas Universais, o livro prestes a completar cem anos, é ainda hoje uma das peças de ficção mais devastadoras da modernidade. Na verdade, mistura a imaginação e o real, sonhos vividos e amplamente desejados, suores, sangues e lágrimas das histórias e das utopias de várias gerações. Publicado pela primeira vez em 1916, na Sardenha, o livro conquistou o planeta quando deixou a ilha e atracou na península itálica. De Roma, Milão e Nápoles voou alto e longe, foi traduzido para mais de vinte idiomas e vendeu nos cinco continentes algo em torno de cinquenta milhões de exemplares. O que tornou Almas Universais um sucesso sem concorrentes foi a capacidade narrativa de Dario Rossi em aproximá-lo de muitas maneiras do essencial das lutas dos trabalhadores nos últimos decênios. A linguagem da esperança que exala das páginas do livro é mais que universal – é atemporal.

Desde a edição russa de 1920, Almas Universais é republicado com o prefácio escrito por Lenin. O texto preciso, elogioso e instigante do então líder bolchevique da União Soviética também atravessou com sobriedade o tempo, convertendo-se numa iniciação indispensável à leitura da obra maior de Dario Rossi.

O luxuoso jantar organizado pela nova editora brasileira dos escritos do bisavô sardo de Eli era, em termos, uma provocativa contradição ao que expressavam as palavras revolucionárias e a vida modesta do autor de Almas Universais. Dario Rossi foi ao longo de seus 96 anos de idade um sujeito de hábitos simples e duradouros. Morou sempre em casas pequenas, aconchegantes, sem nenhuma ostentação. Passou os anos a escrever de tudo um pouco: artigos para jornais, textos de intervenção sindical, alguma poesia, vinte e tantos romances. Dedicou-se a uma existência reclusa, absorvida pelo amor discreto aos filhos, aos netos e à companheira de toda a vida, a doce Valentina. Um jantar regado a vinhos cujas garrafas não saiam por menos de três mil reais cada uma e pratos sofisticados preparados por um chef belga contratado a quarenta mil euros não combinava em absolutamente nada com o velho comunista italiano.

Eli se formara na Escola de Sociologia e Política. Pouco tempo depois de formado percebeu que suas ideias se encaixavam muito bem nos cuidados com a herança cultural do bisavô ilustre e com a preservação material de sua obra. Deixou de lado o sonho acadêmico e decidiu se dedicar com exclusividade aos negócios da família. Tinha uma vida financeira tranquila e sem sobressaltos. Dinheiro, de fato, nunca lhe foi um problema.

Naquela noite, embora trabalhasse muito na promoção das novas edições de Dario Rossi e estivesse preocupado em receber bem a todos os convidados, estava interessado mesmo era em Mariana. Haviam se conhecido em uma bienal do livro na Europa (em Berlim, parece) e, desde então, se encontravam algumas vezes por ano em diferentes eventos e países, sempre em razão da divulgação dos escritos de Dario Rossi.

Mariana era uma jovem deslumbrante. Trinta e poucos anos (uns dez a menos que Eli), diretora executiva de um grande conglomerado transnacional de editoras – hoje, em relação ao seu posto de trabalho, costuma-se dizer CEO, chief executive officer -, cabelos dourados, sorriso paralisante. Mulher independente e consciente da sua beleza e dos seus inúmeros atributos de sedução, Mariana acabou entrando na vida de Eli como um raio, inesperadamente e com consequências permanentes e insuperáveis.

Antes da noite do jantar por júbilo a Almas Universais, Eli e Mariana se viram em Nova Iorque e Buenos Aires, em reuniões de negócios, no ano anterior. Fazia mais de seis meses que não se encontravam pessoalmente, mantendo somente contatos virtuais.

Eli era fascinado por Mariana, cujo conjunto de qualidades – das físicas e aparentes às espirituais e essenciais – enlouquecia o jovem sociólogo que jamais exerceu a profissão. Num de seus bate-papos virtuais, resolveram se provocar sexualmente com o auxílio de imagens transmitidas por minicâmaras. O sexo virtual rendeu a Eli semanas de devaneios e muita dificuldade de concentração no trabalho. Para Mariana, restou a certeza de que encontrara um sujeito além de todas as expectativas.

O salão estava tomado por celebridades, escritores best sellers, autoridades políticas, empresários do entretenimento, roteiristas, atores e atrizes que interpretaram no teatro, no cinema e na TV peças, filmes ou especiais adaptados da obra de Dario Rossi. Letícia Sabatella, que imortalizou a rebelde Chiara de Almas Universais no cinema, numa coprodução Brasil-Itália dirigida por Ettore Scola, era, provavelmente, a sensação dos holofotes da imprensa. Alessandra Negrini e Wagner Moura, que viveram na novela Beijos Latinos (título homônimo ao romance de Dario Rossi publicado na década de 1960), exibida no horário das nove pela emissora campeã de audiência durante quase dois anos, o casal Monica e Federico também eram assediados sem trégua por repórteres, jornalistas e publicitários interessados em estrelas para seus produtos e novidades.

Paradoxalmente, operários e camponeses, protagonistas em tudo que escreveu Dario Rossi, não tinham lugar nem representantes no iluminado jantar.

Enquanto saboreavam seus belos e apetitosos pratos e se deleitavam ao sabor de vinhos e espumantes de primeiríssima classe, os convidados viam pelo telão trechos selecionados da obra de Dario Rossi levada para o cinema e a TV e ouviam depoimentos de escritores badalados e respeitados sobre seus livros, principalmente Almas Universais.

O comunicado sobre o lançamento da edição centenária foi feito por Eli, muito emocionado e feliz. A nova edição teria acabamento editorial luxuosíssimo e uma pequena tiragem de mil exemplares destinada a fãs abastados, colorida, em papel especial, ilustrada por imagens dos mais importantes fotógrafos do mundo, tudo isso a uma bagatela de dois mil reais cada exemplar. Enfim, histórias de um mundo escritas pelo capital, não pelos escritores de carne, osso e alma universal. Eli sabia que nada daquilo deixaria seu bisavô contente. Nada.

Eli, na verdade, não sabia ao certo por que aceitara a proposta de um jantar naqueles moldes. Não queria nem precisava impressionar ninguém; não era por dinheiro; não era de jeito algum pelos microfones, câmeras e luzes da imprensa (Eli preferia o anonimato e Dario Rossi dispensava apresentações em todo o globo); não era por exigência da família... A proposta partiu da editora, que sabia dos lucros angariados com a obra do sardo e, provavelmente, ignorava o desnecessário rito dispendioso daquela noite. Eli apenas não soube ou não quis dizer não.

Mariana, contudo, estava lá. Estaria de qualquer maneira, linda como sempre, apaixonada e disposta a ter momentos incríveis com Eli antes, durante e depois do jantar. Para ela, a grande festa era Eli e tudo que ele significava em sua vida: decência, inteligência, tesão... Eli e Mariana caberiam tranquilamente no rol das personagens imortais de Dario Rossi, como um casal estonteante e fora dos padrões. Em Almas Universais todos os amores eram deliciosamente anarquistas, valentes e destemperados, assim como cada encontro entre Eli e Mariana, não importando quando nem onde.

Após a sobremesa, um vistoso chandelle branco coberto por um afrodisíaco licor de tâmaras, Eli tirou Mariana para dançar. No saguão do clube italiano escolhido como palco do jantar em reverência a Almas Universais e seu autor, Dario Rossi, ecoavam canções do álbum acústico do guitarrista britânico Peter Frampton. Ainda no primeiro minuto de Show me the way, Eli e Mariana se beijaram demorada e profundamente. Aos acordes finais de Baby, I love your way, decidiram continuar a noite no apartamento dele, uma cobertura da qual se podia avistar panoramicamente toda a cidade.

Convencidos de que a mistura de voz e violão tocando músicas que marcaram suas histórias era a grande pedida da noite, Eli e Mariana optaram por mais uma taça de vinho ao som de Starkers in Tokyo, um álbum de David Coverdale e Adrian Vandenberg lançado em 1997.

A programação das faixas feita por Eli foi certeira: enquanto executavam The Deeper The Love, Coverdale e Vandenberg inspiravam Eli e Mariana a se despirem. O lindo vestido vermelho-grená de Mariana foi ao chão depois de dois toques sutis nas alças. Eli tirou a gravata, desabotoou e retirou a camisa, desfivelou o cinto, abaixou o fecho da calça e a pôs rapidamente ao chão também. De calcinha branca com rendas artesanais, comprada numa feira popular em Paramaribo, no Suriname, Mariana ajoelhou-se, sorriu com gosto e abocanhou o pau de Eli, que indicava estar à espera do que houvesse de melhor no mundo. Mariana sabia do que Eli gostava e, principalmente, do que o punha em órbita. Chupou-o com força e cadência, sem pressa alguma, desejosa de uma noite de longas horas e demoradas paixões. Em pé, com as mãos na nuca de Mariana, Eli sentia o movimento da boca de sua amada, ao som de Give Me All You Love. Em instantes, puxou-a e a beijou só com os lábios, ternamente. Beijou-lhe o pescoço, os seios, a barriga, todo o corpo. Ateve-se, então, ao elixir: com suavidade, meteu-se com a língua na buceta de Mariana, nua, totalmente sem pelos. Ali permaneceu por vários minutos, intercalando lambidas delicadas e chupadas convincentes. No toca-CDs, Is This Love se espalhava pela casa quando, excitadíssimo, Eli penetrou Mariana, que não conteve um gemido de grande satisfação. Sobre o sofá, fitavam-se de olhos bem abertos e corações disparados.

Eli repetia em voz baixa, ciente de que Mariana o ouvia e ficava com mais tesão a cada segundo: “Buceta boa, buceta boa!” Eli se deitou e se fez, então, domínio de Mariana, que cavalgava furiosamente sobre seu pau. Era irradiante a beleza da imagem da buceta de Mariana entrando e saído do pau de Eli, o qual, àquela altura, parecia querer explodir de tão grande e inchado. Too Many Tears embalava a magia do casal.

Controlando os batimentos cardíacos e segurando o gozo com impressionante mestria, Eli colocou Mariana de bruços e, com os braços em riste acima dos ombros dela, como se estivesse a fazer flexões, comeu-a do jeito que mais adorava num ritmo nem veloz, nem lento – correto, firme, penetrante. Coverdale e Vanderberg embalavam os dois com Here I Go Again.

Eli gozou na buceta de Mariana, depois de sentir que ela já havia gozado algumas vezes. Gemeram e deram alguns gritos juntos. Era impressionante a sintonia fina entre eles. Soldier Of Fortune encerrava o espetáculo no instante em que Eli e Mariana se beijavam exaustos e felizes.

O celular dos dois não parou de tocar enquanto se amavam. É provável que queriam saber, lá no jantar, onde estava o casal que sumira durante o baile. Toda vez que estava com Mariana, Eli certamente homenageava a memória de seu bisavô. De tudo que havia acontecido naquela noite, só o amor era algo que fazia jus aos escritos de Dario Rossi.