26 junho 2016

Um sereno radical


Leandro Konder (1936 - para sempre) soube como poucos aliar crítica e inteligência num radicalismo sereno, alicerçado sobre valores e forte otimismo. Faz falta imensurável. E eu tenho muita saudade...

Gosto da expressão serenidade radical. Utilizei-a para qualificar Leandro Konder, meu maestro soberano, cuja vida foi sinônimo de defesa apaixonada de princípios e valores e, a um só tempo, de invejável capacidade para dialogar com o outro e respeitá-lo.

Ser sereno para desafiar-se permanentemente a encarar as mais duras e necessárias autocríticas e compreender que, em muitos momentos, passos leves e prudentes representam a melhor maneira de caminhar em direção ao mundo com o qual se sonha e pelo qual se luta.

Ser radical para evitar modismos e ecletismos, bem como para aderir a pensamentos e ações coerentes, frutos de resultados conquistados na história da vida (e na vida da história também).

A radicalidade do humano, no velho e bom sentido hegeliano, escapa às tentações aparentes e às estratégias de cooptação e acomodação de mentes e corações levadas a cabo por aqueles que, na defesa da ordem vil e excludente da realidade, não temem ser radicais intransigentes, sem serenidade nem tampouco coerência.

Se pudesse me autodefinir política e ideologicamente, diria, sim, que sou um sujeito em busca da serenidade radical.