14 setembro 2016

Utopia de mim


O passado não
me assusta,
pois conheço seus
contornos e
aprendi algo
sobre seus impulsos.

O futuro é que
me acua,
pois me põe
medo,
me dá calafrios
e sensações
que não reconheço.

O presente só pode
me fascinar,
pois guarda
segredos do
passado e
ingredientes dos
sabores do
futuro.

O mistério do nada
saber e do
tudo saber,
do já sentido e do
nunca imaginado,
do agora,
do ainda,
do quem sabe,
sei lá,
vamos ver.

Como Hannah Arendt,
vivo entre o
passado e o
futuro,
entre o que me
faz rir e o que me
faz chorar,
entre a dor e
o alivio,
entre quem
fui e quem
acredito poder
ser – da saudade de quem
se foi e da expectativa
sobre quem e o que
virá.

Vivo no tempo,
na curva e na
reta da história,
no ser e no
não ser da filosofia,
na emotiva razão
da sociologia.

Vivo e insisto
na utopia de
mim.