28 dezembro 2016

2017, uma odisseia no mundo


Quase todo fim de ano escrevo um breve texto sobre minhas expectativas em relação ao ano seguinte. A fórmula não é nem um pouco exclusiva: faço votos de paz, amor, inspiração e, principalmente, evolução humana. No curso do ano novo, invariavelmente, percebo que meus escritos do ocaso eram muito otimistas, excessivamente românticos.

Não acredito que haja mudança substantiva fora das pessoas. Mesmo as mais impositivas realidades objetivas carecem de acomodações n'alma, aceitação nas ideias já elaboradas e cristalizadas, consentimento entre pares e ímpares. O homem novo, como quis boa parte da tradição revolucionária do século XX, não será fabricado fora do mundo nem à revelia das consciências existentes. Isso, para mim, é pacífico.

É óbvio que não vou desistir de meus clássicos votos: que em 2017, a crise nacional e internacional não afete nossa disposição para a luta, não bloqueie nossa criatividade, não impeça nossa paixão torrencial pela vida. Mais do que isso: que o Fluminense seja campeão; que o Pearl Jam lance um álbum novo; que meu livro de Sociologia escrito com o Prof. Nelson Tomazi venda milhões de exemplares; que meu livro de crônicas - a ser lançado em janeiro com o título Coração de Benjamin - seja lido nas escolas, nos saraus e nos almoços de domingo; que o Luiz Alfredo Garcia-Roza publique mais um romance policial protagonizado pelo Detetive Espinosa; que o marxismo continue firme na condução de sua velha carroça por estradas empedradas e difíceis. Enfim, que 2017 seja tudo de bom nas ideias e intenções.

Quero, contudo, um pouco mais das pessoas comuns. Desejo menos ódio, menos exibicionismo, menos dispositivos móveis e internet, menos pudor, menos desafeto, menos polemismo barato. Aspiro a mais paixão desenfreada, mais coragem, mais olho no olho, mais ética, mais viagens pelo país e pelo mundo, mais curvas à esquerda (com e sem caviar), mais rock, mais filmes cativantes, mais músicas emocionantes, mais gente sorrindo... Quero apenas que sejamos mais humanos, mais frágeis, mais imperfeitos, mais... gente.

As lutas serão necessárias. As batalhas serão incessantes. No fim - e até bem antes disso -, venceremos, se (e somente se) tivermos sido capazes de olhar para dentro muito antes de apontar dedos duros e implacáveis para tudo e todos que estejam fora.

Que 2017 seja o seu ano, meu caro e minha cara. Seja, portanto, nossa odisseia.