24 janeiro 2017


Sinto todas as dores
e prazeres sozinho.

Se preciso chorar e
me desfazer,
faço-o só,
em retiro,
perdido em mim.

Se preciso gritar,
sentir,
me virar ao avesso,
pratico tudo
comigo mesmo,
num movimento
da alma para o corpo
e, depois,
do corpo para o vazio.

Sou só na alegria
e na tristeza,
na saúde e
na doença,
até que a morte
devolva a vida
que tive um dia.

06 janeiro 2017

Pasárgada é depois do fim do mundo


Saiba que foi o maior amor da minha vida.
Toda tentativa de esquecê-la só ampliou a saudade,
dando a esse sentimento tão humano (doloroso)
um caráter essencial: é dele que vivo agora
e para sempre.

Não fui suficientemente corajoso
para amá-la até (bem) depois do fim do mundo,
como dizíamos estar predispostos
nos momentos em que nossos corpos
tornavam-se um só.

Nunca mais amei ninguém.
Nunca mais soube o que é ser amado.

Vivo em busca da estrada
que me prometa
um tanto de terra apaixonada
depois, bem depois do fim do mundo.

Lá serei amante da rainha,
e poderei tê-la
novamente em meus braços
e no vasto vazio
em que se converteu
meu sofrido coração.