<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625</id><updated>2012-01-19T13:15:47.462-02:00</updated><title type='text'>Espaço de Cultura Socialista</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://travessia21.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>290</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-5823546277966596083</id><published>2012-01-19T13:04:00.001-02:00</published><updated>2012-01-19T13:15:47.468-02:00</updated><title type='text'>Um jardim que era meu</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;&lt;img border="0" height="239" src="http://3.bp.blogspot.com/-do2bUp3Xl-M/Txgu4fSMrGI/AAAAAAAAA4Q/uv0uNRK1BDc/s320/joao_pescador.JPG" width="320" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: #38761d;"&gt;&amp;nbsp;&lt;i style="background-color: white;"&gt;João Gabriel, uma alma de pescador na praia de Barra Velha/SC. Nos mares da vida, o pequeno vai aprendendo a viver.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: #38761d;"&gt;&lt;i style="background-color: white;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois que me "carioquei", de modo tardio, vale ressaltar, nunca mais consegui imaginar praias mais belas que as do Rio de Janeiro. Do Leme ao Pontal, passando pelas orlas agitadas e espreitando também as águas calmas do oeste da cidade, está todo o mar de que necessito. Outras praias, somente a título de curiosidade ou por motivos de força bem maior.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Neste verão de 2012, férias escolares do meu pequeno João Gabriel e minhas férias profissionais integradas e cumpliciadas, resolvi, enfim, visitar os mares de Santa Catarina, conhecer a casa de praia do Professor Leonardo Prota e da Professora Lesi Corrêa, padrinhos do João. Após alguns anos de insistência da parte deles e prorrogadas promessas minhas, botei a família no carro, acalantei a fé e enfiei o pé na estrada. Destino: Piçarras. Percursos complementares: Florianópolis e outros mares catarinenses.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O passeio foi de domingo a domingo. Chegamos num final de tarde, no dia 08.01.12 e regressamos na segunda-feira 16.01.12. A viagem de carro é um dado à parte, um excelente capítulo extra no meio do livro. Os grandes viajantes sempre vaticinaram que tudo começa no planejamento: na arrumação das malas, nas compras específicas antes da partida, nas anotações no velho caderninho etnográfico. Pesquisar mapas, fazer roteiros, imaginar situações, partilhar alegrias... A viagem é um desenho imaginário que, aos poucos, ganha passos, contornos reais, experiência de vida. No retorno ao cotidiano, a memória se encarrega de filtrar as férias, destacar os momentos, dedicar ao tempo eterno o que ficará como lembrança, como algo "para sempre" daqueles instantes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em Piçarras, por conta das fortes chuvas de uns dois anos atrás, a encosta está bastante agredida. Os muros de contenção da orla marítima, o calçadão das praias, tudo está em lenta reconstrução. As águas, contudo, são quentes, aprazíveis para relaxantes mergulhos e banhos. O movimento, em um janeiro de tantas chuvas, era tranquilo, sem qualquer tumulto ou indispor. O Balneário de Penha, cidade colada a Piçarras (onde fica o famoso Beto Carreiro World), possui várias pequenas praiinhas (acredite: o diminutivo de "praia" é mesmo com dois "is"), sendo que a breve visita que fizemos à de São Miguel foi muito oportuna, uma vez que nos deu a visão de uma mar retirado, quase particular, com ares de cultura de pesca, recanto de almas em busca de paz e sossego.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No sentido contrário às praias de Penha, saindo pelo retorno ao Paraná, está a cidade vizinha de Barra Velha, que mantém uma bela estátua de Iemanjá no espaço das pedras praianas. Depositei aos pés da Rainha do Mar alguns pedidos típicos àqueles que desejamos aos orixás (amores, mundos e fundos). Minha devoção a Iemanjá tem um quê de magia e paixão: além de colecionador de mares (minha vida, como escreveu Drummond, está escrita num mar), Iemanjá tem no catolicismo correspondência com Nossa Senhora da Glória, padroeira do Fluminense, o meu eterno e tricolor amor. De mares e de campos, sempre dou muitos vivas a Iemanjá.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-HYR6z8HMyIs/TxgwokNLTNI/AAAAAAAAA4g/HKe72FGNL5o/s1600/iemanj%25C3%25A1+e+eu.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-HYR6z8HMyIs/TxgwokNLTNI/AAAAAAAAA4g/HKe72FGNL5o/s320/iemanj%25C3%25A1+e+eu.JPG" width="239" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="color: #38761d;"&gt;Sob os olhos de Iemanjá: proteção revalidada&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Visitei também o município de Nova Trento, onde está localizado o santuário de Santa Paulina, primeira santidade brasileira reconhecida pelo Vaticano. Debaixo de muita chuva percorremos a serra de Santa Catarina, deslocando-nos do mar às montanhas, bebendo café colonial, suco de uva, consumindo ar puro e inebriando o espírito com o cheiro de terra molhada. O santuário é um lugar de paz, que inspira, mexe mesmo com os seus visitadores. No meio do caminho, Brusque e muitas placas para entradas para diversas cidades, acirraram curiosidades e muito bate-papo no interior do veículo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A capital do estado, Florianópolis, mereceu um dia todo de atenção. É bela a chamada ilha de Floripa. Avistei do mirante a cidade (de onde a perspectiva é sempre a mais avançada e abrangente, segundo o sociólogo Michael Löwy), caminhei "sobre as águas" da Lagoa da Conceição e perdi-me nas gélidas ondas da Praia da Joaquina. No almoço, a famosa sequência de camarões, acompanhada por uma cerveja estupidamente gelada: por vários minutos, senti-me no jardim das delícias, num mundo que fosse inteiramente meu, no melhor que possa haver na vida e no universo. Num outro dia, visitei outras praias que agora fazem parte da minha coleção particular: Balneário Camboriú, Navegantes e as flores da bela Itajaí, sedutora cidade portuária dos catarinenses.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-yCzGS3urajo/Txgu7ean7fI/AAAAAAAAA4Y/IMSG9uRpx6k/s1600/sobre+as+%25C3%25A1guas.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://2.bp.blogspot.com/-yCzGS3urajo/Txgu7ean7fI/AAAAAAAAA4Y/IMSG9uRpx6k/s320/sobre+as+%25C3%25A1guas.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="color: #38761d;"&gt;João e eu, andando sobre as águas da Lagoa da Conceição, em Florianópolis.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Numa viagem, contudo, o melhor são sempre as pessoas. As lições de sabedora e filosofia do Dr. Leonardo Prota, a hospitalidade generosa da Professora Lesi Corrêa, as tiradas inteligentes do Professor Nardir, a sopa noturna de Sueli e as piadas inenarráveis do garoto Paulinho, moradores, como nós, do verão na casa dos Prota. O passeio em família, o João pulando ondas, catando conchinhas, chupando sorvete, correndo pelas areias da praia... Férias que não sejam no Rio somente em casos extraordinários - e essa semana de descanso em Santa Catarina foi algo efetivamente dos mais extraordinários!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O curioso, logo na primeira noite em Piçarras, foi o sonho que tive. Nunca me lembro dos meus sonhos, mas daquele recordei tudinho, brinquei com ele durante o café-da-manhã (protagonizado por um queijo serrano inesquecível), ri à vontade com meus delírios revolucionários que se reproduzem até durante o sono alimentado pelo terno barulhinho do mar. No tal sonho eu estava preso com Robespierre, em plena Revolução Francesa. Eu era um jacobino dos mais idealistas. Recebi de Robespierre um pedido que me deixou atônito: eu deveria manter a chama acesa.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora, com mais calma, dias depois da bela viagem, descobri o inevitável: a honrosa companhia dos jacobinos, ainda que em sonho, existiu para me lembrar dos meus jardins, todos eles de flores que insistem em perfumar as caminhadas da vida. O ano absorverá as lições dessas flores e desse sonho.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-5823546277966596083?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/5823546277966596083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/5823546277966596083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2012/01/um-jardim-que-era-meu.html' title='Um jardim que era meu'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-do2bUp3Xl-M/Txgu4fSMrGI/AAAAAAAAA4Q/uv0uNRK1BDc/s72-c/joao_pescador.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-4991600933494815084</id><published>2011-12-28T11:36:00.000-02:00</published><updated>2011-12-28T11:36:39.570-02:00</updated><title type='text'>Václav Havel, a pétala da primavera de 68</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-YaEagGQ6Tmc/Tvsa8v70vII/AAAAAAAAA38/mRXpWy-OMd0/s1600/havel.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-YaEagGQ6Tmc/Tvsa8v70vII/AAAAAAAAA38/mRXpWy-OMd0/s320/havel.jpg" width="213" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;O ano que agora chega ao fim, um ano ímpar, início de década, deixou marcas profundas e registrou muitas perdas. De relance, lembro que se foram o escritor Ernesto Sabato, os trabalhadores rurais João e Maria do Espírito Santo, a grandiosa cantora Amy Winehouse, o jogador de &lt;i&gt;futebol-arte&lt;/i&gt; Sócrates Brasileiro e a belíssima diva do cinema Elizabeth Taylor. Em todas as áreas da vida social, houve prejuízos com a partida de gente insubstituível. Aqui e acolá também pulularam reengenharias de capital, compras e vendas, ampliação de negócios, precarização de vastas formas de trabalhar e viver. Resistente e movido por uma esperança que às vezes nem mais pode perceber, o humano segue em frente, criando, driblando, lembrando que tem história, força em suas tradições. Particularmente, as marcas mais doloridas de 2011 sintetizam-se na morte de Václav Havel, ex-presidente tcheco que tanto influenciou meu modo de ver o mundo, lá no início de minha vida adulta. Deixo aqui, no último texto do blog no ano, minha singela homenagem a este homem de ideias claras e vivas, mergulhadas na tradição progressista, não obstante, assim como já acontecera com Antonio Gramsci, os mais à direta vivam a tentar sequestrar seu belo espólio político. Obrigado pelo exemplo de vida, Havel!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos embalos da emocionante derrubada do Muro de Berlim, em 1989, a então Tchecoslováquia viveu sua &lt;i&gt;Revolução de Veludo&lt;/i&gt;, que reconduziu o país do Leste Europeu às trilhas da democracia política e da liberdade econômica cidadã. O líder dessa revolução sem armas nem sangue foi o dramaturgo Václav Havel.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aos setenta e cinco anos de idade, no último dia dezoito, Havel, que esteve à frente da política tcheco-eslovaca entre 1989 e 1992 e, depois, tornou-se-se presidente na nova República Tcheca entre 1993 e 2003, morreu na sua amada cidade de Praga, deixando um legado público complexo e muito, muito rico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao deixar a política, Havel não apenas havia redemocratizado as instituições e a vida social de seu país, como também o deixara preparado para ingressar de modo soberano na União Européia, em 2004.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como sujeito de letras e artes, Václav Havel foi um dos signatários da &lt;i&gt;"Carta 77"&lt;/i&gt;, uma combativa ode em defesa dos direitos humanos. Fiel e irredutível opositor ao totalitarismo soviético, Havel sempre permite recordar, por suas convicções, os idealistas personagens de &lt;i&gt;A insustentável leveza do ser&lt;/i&gt;, um livro marcante de Milan Kundera responsável por retratar a &lt;i&gt;Primavera de Praga&lt;/i&gt;, o ano de 1968 dos tcheco-eslovacos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Václav Havel defendeu com coerência e extrema decência a pessoa humana e as verdadeiras liberdades do sujeito. Por isso, soube dizer não ao Fundo Monetário Internacional e suas tentativas de subsumir a República Tcheca aos interesses privatistas do mercado globalizado pelas grandes transacionais do capitalismo central. Nesse sentido, decente em cada ato - como num &lt;i&gt;personagem-herói&lt;/i&gt; de suas peças e reflexões na dramaturgia -, Havel foi um homem público incansável na linha de frente daquilo que há de mais humanista nas tradições libertárias e socialistas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Num tempo em que indivíduos dificilmente ultrapassam a condição de caricaturas de uma era de reacionarismo e desesperança, a vida de Václav Havel traz à luz anos de luta e coragem, enfrentamento do consumismo e busca por uma existência plena e verdadeiramente solidária.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O futuro já sente saudade de Havel, o ponto alto da Primavera de Praga.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-4991600933494815084?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/4991600933494815084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/4991600933494815084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/12/vaclav-havel-petala-da-primavera-de-68.html' title='Václav Havel, a pétala da primavera de 68'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-YaEagGQ6Tmc/Tvsa8v70vII/AAAAAAAAA38/mRXpWy-OMd0/s72-c/havel.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-4712829503117593200</id><published>2011-12-21T14:01:00.000-02:00</published><updated>2011-12-21T14:01:39.874-02:00</updated><title type='text'>Nos intervalos, a solene felicidade</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-SNG3JD4Hcv0/TvICrXV9szI/AAAAAAAAA3w/atSu3OxYahc/s1600/horizonte.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-SNG3JD4Hcv0/TvICrXV9szI/AAAAAAAAA3w/atSu3OxYahc/s1600/horizonte.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="color: #38761d;"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10pt; line-height: 115%;"&gt;‎&lt;/span&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; font-family: Verdana, sans-serif; font-size: 10pt; line-height: 115%;"&gt;"Quem gosta de ser adulado &lt;/span&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; font-family: Verdana, sans-serif; font-size: 10pt; line-height: 115%;"&gt;é&lt;/span&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; font-family: Verdana, sans-serif; font-size: 10pt; line-height: 115%;"&gt; digno do adulador" (Shakespeare)&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A vida não visa a lucro. Não existe possibilidade de encontrar sombra de felicidade em coisas que se desgastam, tornam-se enjoativas, desnecessárias e até descabidas com o passar do tempo. Em rigor, não há admissibilidade em procurar alegria nas &lt;i&gt;coisas&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É da tradição clássica do pensamento socialista distanciar em profundidade as categorias &lt;i&gt;emprego &lt;/i&gt;e &lt;i&gt;trabalho&lt;/i&gt;. Enquanto está última sugere a insuperável relação entre o sujeito humano e a natureza, na difícil senda por satisfação de necessidades e realização de desejos, aquela se reduz a uma atividade que garante renda, uma fonte de subsistência. No dia a dia, acredito, não é preciso ir longe para encontrar gente que detesta seu emprego, não se realiza como humano nas tarefas que executa ano após ano. Já no que diz respeito ao trabalho, essa ação de dialéticas constantes entre a subjetividade das almas e a objetividade do mundo, é ainda mais fácil perceber que poucos sabem do que se trata de fato.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bom, esse percurso conceitual me ajuda a retornar com mais lucidez às tais &lt;i&gt;coisas&lt;/i&gt;. Se o emprego é só garantia material de sobrevivência, ele não deve ser compreendido como instrumento para alcance da felicidade. Como &lt;i&gt;coisa&lt;/i&gt;, ele está condicionado às circunstâncias, ao perigoso e nefasto jogo que indivíduos e sociedades anônimas (sem subjetividade nem humanidade, visto que se escondem na invisibilidade de números e palavras fáceis) levam a cabo na disputa por poder, ocupação geográfica, domínios de mercado, essas tolices. Mesmo no âmbito do emprego, dessa indispensável alienação que o ser necessita praticar contra si mesmo numa realidade hegemonizada pelo &lt;i&gt;valor de troca&lt;/i&gt;, é na linha de montagem, no lugar em que as pessoas de fato produzem e são felizes na fronteira de todas as (im)possibilidades, que reside a graça do viver. Não obstante a vulnerabilidade daqueles que se encontram subalternizados no "chão da fábrica", sem a chance de obter reconhecimento e glória por tudo que fazem, é o mundo da vida que habitam os sorrisos – na ânsia por mais e mais &lt;i&gt;coisas&lt;/i&gt;, o humano se esquiva de si mesmo, torna secundária a afetividade, terciária a alimentação das utopias, exilado o amor, condenadas à morte a arte, a cultura, a poesia do existir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu trabalho é minha realização como subjetividade, meu enfrentamento da realidade no incansável intuito de ser feliz, pleno, sujeito de mim e da história. No atual momento da sociedade mundial, capitalista – um mundo sem amor -, realizo no interior dos empregos que tenho (e nos que tive e ainda terei) a fantasia de encarar a natureza, convencê-la a reconhecer a condição humana que não pode prescindir de alegrias, vitórias, caminhadas em relação à alteridade. Vivo a reiterar que, com isso na cabeça, não visto nenhuma camisa, não ostento logomarcas, não absorvo discursos institucionais: meu trabalho é minha caminhada pelos labirintos de mim mesmo, pelos capítulos da longa e prazerosa aventura sociológica. &lt;i&gt;A Sociologia é maior que tudo&lt;/i&gt; – e em sua defesa, saio sempre em carreira independente. Respeito regras, conduzo-me bem por regimentos e parâmetros institucionais, mas, no horizonte, desenho a missão de partilhar ideias, ajudar a mudar o mundo. E isso está ecos e mais ecos de distância da realidade corporativa, da cosmovisão estreita &amp;nbsp;e reducionista que possuem as organizações de capital no mundo contemporâneo. Camisa, quando visto, é, exclusivamente, a do Fluminense Football Club.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É, a vida não visa a lucro, não busca cifras, não requer ser vista como magnânima, imponente, cujos braços a tudo alcancem. A vida visa aos termos da felicidade. Ainda que sua plenitude seja ofuscada pelo delírio pequeno-burguês das mentalidades em vigência – que, aliás, em sua materialização nas relações sociais, andam tagarelas como nunca, falando, falando, colecionando estupidezes -, nos intervalos de uma dominação tão cruel sob a qual todos estamos, acenando com fé para uma luz que prometeu atravessar os céus, é possível e urgente respirar, exercitar no agora a vida que sonhamos para amanhã. Eu viso tão somente ao humano que certamente há em todos nós.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-4712829503117593200?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/4712829503117593200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/4712829503117593200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/12/nos-intervalos-solene-felicidade.html' title='Nos intervalos, a solene felicidade'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-SNG3JD4Hcv0/TvICrXV9szI/AAAAAAAAA3w/atSu3OxYahc/s72-c/horizonte.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-3111903632372515396</id><published>2011-12-16T16:24:00.000-02:00</published><updated>2011-12-16T16:24:29.207-02:00</updated><title type='text'>Um livro sempre atual</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-V8zP_kZG0fg/TuuMgmteq0I/AAAAAAAAA3o/9LoCI-T6xsA/s1600/filo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-V8zP_kZG0fg/TuuMgmteq0I/AAAAAAAAA3o/9LoCI-T6xsA/s320/filo.jpg" width="240" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em "O futuro da filosofia da práxis", o filósofo Leandro Konder reconstrói a trajetória do pensamento de Marx fixando-o no século XIX. Marx levantou questões que muitos economistas contemporâneos ainda não resolveram, como, por exemplo, o &lt;i&gt;valor-trabalho&lt;/i&gt; e a expropriação de energias humanas para a concentração e o benefício proporcional de poucos. Como sujeito do século XIX, Marx não escapou também às influências do romantismo e do positivismo, o que pode ser claramente atestado em muitas de suas críticas ao modo de produção capitalista como um "estágio" da evolução humana (parcela de sua mentalidade emprestada a C. Darwin, que era autor dileto do amigo de Karl, o velho Engels). O que muito marxistas de hoje em dia combatem como "ciência" é a presença inequívoca de elementos positivistas na obra do genial autor de O Capital, expediente que estipula verdades como fenômenos exteriores à subjetividade e ao enfrentamento da objetividade. Logo na abertura do livro, Leandro Konder assevera: a coisa mais difícil, nos dias atuais, é pensar historicamente. Eu assino embaixo dessa assertiva de 1992, ano da primeira edição, pela Paz e Terra, desse livro indispensável.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-3111903632372515396?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/3111903632372515396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/3111903632372515396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/12/um-livro-sempre-atual.html' title='Um livro sempre atual'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-V8zP_kZG0fg/TuuMgmteq0I/AAAAAAAAA3o/9LoCI-T6xsA/s72-c/filo.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-4616598426680963406</id><published>2011-12-15T12:46:00.000-02:00</published><updated>2011-12-15T12:46:34.893-02:00</updated><title type='text'>Os direitos humanos de quarta geração</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Y0Kp2GBTmF0/TuoHcbOZ3II/AAAAAAAAA3c/WLx9tNgUfIA/s1600/muros+brancos.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="251" src="http://4.bp.blogspot.com/-Y0Kp2GBTmF0/TuoHcbOZ3II/AAAAAAAAA3c/WLx9tNgUfIA/s320/muros+brancos.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;i&gt;"Muros brancos, povo mudo", fotografia de&amp;nbsp;Liliana-Oliveira&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Faz alguns anos que a temática dos direitos humanos à comunicação livre e pluralista ocupou o debate sobre a qualidade da vida democrática.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De que adianta ter liberdade para dizer e fazer - privilégios conquistados por meio dos históricos direitos civis e políticos, afirmados, respectivamente, nos séculos XVIII e XIX, e de lá para cá sempre ampliados e espraiados -, se não existem fontes decentes que informem sobre a diversidade dos acontecimentos por diferentes pontos de vista?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A concentração dos veículos de comunicação nas mãos de poucos não apenas restringe acesso ao domínio dos meios difusores, como também impede que o conjunto dos cidadãos possa debater o mundo por ângulos pluralistas e até contraditórios. Sem essa condição preliminar da aspiração democrática, ou seja, sem uma unidade diversificada dos pareceres sobre a vida e a história, não há cidadania de fato.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contra os monopólios e oligopólios dos meios produtores da informação e em favor da efetiva democratização das liberdades de dizer, fazer e ser, os direitos de quarta geração vêm conquistando espaço e força nas discussões sobre as experiências coletivas da prática cidadã.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Junto à ampliação das fontes de informação e ao combate a feudos de comunicação, os direitos de quarta geração também refletem como as novas tecnologias ligadas às ciências e pesquisas sobre saúde humana interagem com a promoção do bem-estar da vida em sociedade. Nesse sentido, temas como clonagem, eutanásia, uso das células-tronco em investigações sobre superação de limites e cura de muitas doenças passam a ser preocupação na batalha pela garantia e pela extensão dos direitos humanos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Após séculos de lutas por liberdades individuais e direitos fundamentais, os quais sintetizam a necessidade humana de existir com dignidade, ter vez e voz, a cidadania do presente se estabelece francamente em oposição à discriminação, à exclusão e à violência - e, agora, pelo pleno direito às complexidades da vida e pelo acesso ao saber relacionado com as intersecções entre o sujeito humano e o mundo. Um acesso que deseja ser ativo, participativo, construtor da realidade social.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-4616598426680963406?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/4616598426680963406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/4616598426680963406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/12/os-direitos-humanos-de-quarta-geracao.html' title='Os direitos humanos de quarta geração'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-Y0Kp2GBTmF0/TuoHcbOZ3II/AAAAAAAAA3c/WLx9tNgUfIA/s72-c/muros+brancos.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-5428905524015308938</id><published>2011-12-13T11:59:00.000-02:00</published><updated>2011-12-13T11:59:06.925-02:00</updated><title type='text'>A noite</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/--WQfEQtw3xo/TudaAsqsqII/AAAAAAAAA2w/8IXZjmYMD5I/s1600/noite.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://2.bp.blogspot.com/--WQfEQtw3xo/TudaAsqsqII/AAAAAAAAA2w/8IXZjmYMD5I/s320/noite.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A noite me faz melhor. A combinação entre o inusitado e as estrelas, casal símbolo do tempo escuro, iluminando apenas timidamente becos que a alma não pode evitar, nunca me decepciona: à chegada do sol, o sono é de um justo, o descanso, merecidíssimo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;À noite eu me empenho em ser um sujeito menos áspero. O corre-corre do tempo iluminado, escuro tão somente no limite de eu não perder a esperança, desgasta, inebria; é temerário o passar das horas sob a intensidade de luzes incompatíveis com o sossego do corpo e do espírito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dia após dia, conto turnos em busca da noite perfeita. Houve época em que orava, suplicava, chamava pelo transcendente. Houve tempo também de ateísmo militante: importunavam-me tanto o céu quanto o inferno, o bem e o mal, o possível e tudo que se anunciava impossível.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Faço o que quero com a noite. Hoje em noite - nada de lugares-comuns nem referências a &lt;i&gt;dias &lt;/i&gt;- creio, descreio, recreio. Sinto-me só no parque de diversões da vida ensolarada, mas sei que nunca estou sozinho quando chega a noite.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;À noite, músicas soam, ressoam, ecoam bem melhor. A noite pertence à música - é sua partitura especial. A escuridão também pertence à dança, ao beijo, ao amor - todos os tipos de amor vivem na noite e dela recebem fortes abraços e sedutores entreolhares. Se há algo que a noite não é, esse algo cheira à ausência de preconceito e políticas de exclusão. À noite, todos somos iguais. Cada um é um pouco da noite. Nada mais democrático e republicano do que o cair da tarde.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sempre julguei impertinente que verbos como iluminar e clarear fizessem alusão direta ao dia. À noite, ideias se iluminam, verdades ganham real claridade. Desconheço poetas bronzeados. Mesmo um povo solar, como o cubano, por exemplo, é mais revolucionário no esplendor da sua noite, aquele momento inesquecível que antecede as horas que nos mudam e marcam para sempre. O mar, esse amante impenitente do luar, prepara-se durante toda a noite para, na manhã seguinte, agraciar vidas, ensinar a sorrir. É de noite que o mar compõe sua beleza; pela manhã, existe somente a constatação. A noite também pertence ao mar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Planos, sonhos, grandes descobertas, encontros definitivos, tudo do melhor em nós e para nós é da noite, ocorre noite afora, até a primeira sombra de cada manhã. O sol, sempre enciumado da exuberante formosura sem alardes da noite, exibe-se até não mais poder: sabe bem que é da noite também, que é nela que necessita se refugiar para reaprender, na escuridão, a brilhar&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-5428905524015308938?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/5428905524015308938'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/5428905524015308938'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/12/noite.html' title='A noite'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/--WQfEQtw3xo/TudaAsqsqII/AAAAAAAAA2w/8IXZjmYMD5I/s72-c/noite.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-1743387363985529333</id><published>2011-12-01T12:23:00.000-02:00</published><updated>2011-12-01T12:23:46.509-02:00</updated><title type='text'>Por uma comunicação verdadeiramente livre</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-OF-7AoQlMtU/TteNo7zOtjI/AAAAAAAAA2o/HGJbLrCVEpQ/s1600/Oligop%25C3%25B3lio+da+Informa%25C3%25A7%25C3%25A3o.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://3.bp.blogspot.com/-OF-7AoQlMtU/TteNo7zOtjI/AAAAAAAAA2o/HGJbLrCVEpQ/s320/Oligop%25C3%25B3lio+da+Informa%25C3%25A7%25C3%25A3o.jpg" width="273" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Houve um esforço, durante o período da Assembleia Nacional Constituinte, entre 1987 e 1988, de refletir com argúcia sobre o futuro das comunicações no Brasil. Após mais de duas décadas de censura, controle estatal da informação, perseguição às liberdades críticas e de pensamento autônomo, seria de muito bom tom que a nova constituição se dispusesse a regulamentar um amplo processo de democratização dos meios de comunicação social, fato que impedisse a volta ao passado de cercas e abomináveis manipulações. Mais de 20 anos depois da promulgação da constituição democrática de nosso país, quase nada se fez para efetivar o direito à informação livre e responsável, cidadã e realmente fruto de iniciativas em franca e leal concorrência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É razoável, como ocorre, por exemplo, nos Estados Unidos da América, que um mesmo grupo de comunicação seja proibido de controlar, numa única cidade, veículos impressos, televisivos e radiofônicos, além de tomar para si as maiores fatias de negócios na rede mundial de computadores. Para muito além de configurar monopólio (uma verdadeira &lt;i&gt;capitania hereditária&lt;/i&gt;, numa alusão metafórica a nossa história colonial), esse tipo de concentração impede que outros grupos ou indivíduos possam emitir o contraditório, ou seja, outras visões da vida e da história. Assim, o cidadão passa a ver o mundo por um único prisma, e sua formação passa a ser propriedade desses meios gulosos e economicamente muito poderosos. A permissão para a existência de monopólios ou oligopólios de mídia - muitos deles agraciados por concessões públicas de sinal e portentosos recursos governamentais - é um congelamento do tempo, uma guerra aberta entre a Idade Média que não quer morrer, insiste em fazer-se zumbi do anacronismo político e cultural, e a Modernidade que deseja nascer, almeja a luz, mas é impedida de todas as formas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Igualmente plausível é não permitir que políticos e titulares de cargos públicos possuam controle de meios de comunicação. Nesse caso, a simbiose entre política, poder econômico e produção da notícia trabalha exclusivamente para a deturpação dos fatos, o esconde-esconde de personagens (protagonistas e coadjuvantes) e ocorrências (mínimas e máximas), a total incivilidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Infelizmente, no Brasil, criou-se um cacoete para desqualificar a discussão sobre a democratização dos meios de comunicação. Ao insistir em generalizar tudo como sendo &lt;i&gt;censura&lt;/i&gt;, o cacoete conservador acaba praticando aquilo que mais jura combater, isto é, a pior de todas as &lt;i&gt;censuras&lt;/i&gt;. É isso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-1743387363985529333?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/1743387363985529333'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/1743387363985529333'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/12/por-uma-comunicacao-verdadeiramente.html' title='Por uma comunicação verdadeiramente livre'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-OF-7AoQlMtU/TteNo7zOtjI/AAAAAAAAA2o/HGJbLrCVEpQ/s72-c/Oligop%25C3%25B3lio+da+Informa%25C3%25A7%25C3%25A3o.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-3984456039833894271</id><published>2011-11-15T12:09:00.001-02:00</published><updated>2011-11-15T14:06:04.672-02:00</updated><title type='text'>A verdade está sempre além</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-OQn9l-kcswg/TsJyOyVfgtI/AAAAAAAAA2Q/FpNLht_fSe0/s1600/faith.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="316" src="http://1.bp.blogspot.com/-OQn9l-kcswg/TsJyOyVfgtI/AAAAAAAAA2Q/FpNLht_fSe0/s320/faith.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;Em 1989, os estadunidenses do Faith No More lançaram o álbum "The Real Thing", o terceiro de sua carreira e o primeiro com o vocalista Mike Patton, que tomou a cena compondo todas as canções do disco. Eu lembro que, quando ouvi o álbum pela primeira vez, um novo mundo de saberes musicais se abriu: o rock, o funk, o rap e o bom metal podiam, sim, cruzar caminhos e redefinir horizontes. As duas primeiras faixas, "From Out of Nowhere" e "Epic", marcaram minha vida e recoloriram minha visão sobre a música e as suas possibilidade de criação. Um disco clássico, que se fez na História e em muitas comparações, incluído para sempre na lista dos "grandes da sonoridade universal" e das escolas de hits e feitura de influências.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Conhecer depende de existir de fato a possibilidade de estabelecer comparações. Aquele que leu um livro, viu um filme, ouviu o fato por um único prisma... não tem como saber se está diante de algo bom ou ruim, verdadeiro ou falso. Nesse sentido, todo sujeito que se informa por uma única linha de pensamento está incapacitado de obter um conhecimento mais robusto sobre o mundo dos acontecimentos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos últimos dias, durante os desdobramentos que culminaram na captura e na prisão dos estudantes que haviam ocupado o prédio da reitoria da Universidade de São Paulo, uma das Academias mais importantes da América Latina, percebi, atônito, que a maioria das mídias noticiava o fato por um único viés. As poucas vozes destoantes estavam em veículos menores, de pouca repercussão no interior da chamada "opinião pública" (um dos conceitos mais controvertidos nos estudos sociológicos sobre a comunicação social e a disseminação ideológica de formas de ser e viver, prestar, realizar).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O resultado todos conhecemos, é claro: o &lt;i&gt;bem &lt;/i&gt;se colocou ao lado da ordem e de sua restituição; o &lt;i&gt;mal &lt;/i&gt;se apossou dos jovens estudantes, os quais passaram a ser vistos e tidos como bagunceiros, vândalos e até criminosos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O exemplo serve para uma breve reflexão sobre a origem do conhecimento e suas barreiras no ato de interpretar o mundo e desejar transformá-lo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há pessoas que acreditam num conhecimento &lt;i&gt;in natura&lt;/i&gt;, ou seja, numa possibilidade de encontro da verdade mediante o uso rigoroso de métodos acertados e corretos. De uma forma ou de outra, essa visão compõe o arsenal positivista de análise, que acredita nas coisas (tudo é uma variação infinita de "coisas") como construção de uma vontade natural - aos sujeitos humanos cabe tão somente entender o que são as coisas, descrevendo-as, desajuizadamente. É possível que esse tipo de princípio interpretativo se aplique a fenômenos naturais - e nem mesmo a todas as ocorrências dessa ordem. Quando o assunto são os humanos e suas relações sociais, a coisa fica bem mais difícil, ganhando ares de complexidade, dinamismo e imponderado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cada um de nós vê aquilo que as circunstâncias em que vivemos permitem. Os jornais que leio, os programas de TV e Rádio que vejo ou escuto, os filmes que aprecio, os autores que admiro, as pessoas com quem convivo, tudo isso me oferece uma possibilidade de ver o mundo, de me aproximar ou de me distanciar da verdade. O mundo, portanto, será tanto mais amplo ou estreito a depender de quem são essas pessoas (gente de carne e osso, personagens do tempo histórico, escritores, artistas etc.) que atravessam a minha vida, qual caminho percorreram, que escolhas fizeram no curso da História.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse sentido, há verdades e mentiras em relação aos estudantes da USP e em relação a tudo o mais. Para encontrar a verdade, contudo, o bom conhecimento pede comparações e historicidade. Quando todos contam as coisas de um mesmo jeito, ou de modo muito semelhante, prefira a dúvida. Na dúvida enforcamos esse tipo de conhecimento "natural" e "desinteressado" que andam fabricando por aí. É isso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-3984456039833894271?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/3984456039833894271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/3984456039833894271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/11/verdade-esta-sempre-alem.html' title='A verdade está sempre além'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-OQn9l-kcswg/TsJyOyVfgtI/AAAAAAAAA2Q/FpNLht_fSe0/s72-c/faith.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-1494411852629398521</id><published>2011-11-11T16:06:00.000-02:00</published><updated>2011-11-11T16:06:51.747-02:00</updated><title type='text'>Meu coração partiu...</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-y_2T6ey_Aqo/Tr1j_5A-FbI/AAAAAAAAA2I/-uZGQJl83DA/s1600/voo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://3.bp.blogspot.com/-y_2T6ey_Aqo/Tr1j_5A-FbI/AAAAAAAAA2I/-uZGQJl83DA/s320/voo.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A loba se foi. O recado veio em forma de um adeus muito bonito, delicado, repleto da formosura que me acostumei a ver em tudo que era seu. Eu enviei o sinal verde: se ela passasse, sem palavras nem rabiscos de vontade, eu teria entendido aquilo que só o meu sentimento de menino insistia em avistar vivo. É, a loba se foi para sempre, saiu voando, erguida pelo fôlego do meu coração. O que ficou desse órgão-pai em mim, sombras e calores, é apenas suficiente para seguir a vida. A felicidade, buscá-la-ei para dar aos outros. Aquela que poderia me abraçar voou, foi-se em direção ao destino infinito. Será sem dúvida uma longa viagem. Seja feliz, meu coração! Vou sempre torcer por você. Eu queria que ficasse aqui no meu peito, batendo e dando ritmo a minha via, mas, entorpecido, aceito e entendo sua peregrinação: meu peito não lhe é mais um bom lugar. Adeus, velho guerreiro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-1494411852629398521?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/1494411852629398521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/1494411852629398521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/11/meu-coracao-partiu.html' title='Meu coração partiu...'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-y_2T6ey_Aqo/Tr1j_5A-FbI/AAAAAAAAA2I/-uZGQJl83DA/s72-c/voo.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-2441785192877973834</id><published>2011-11-09T15:24:00.000-02:00</published><updated>2011-11-09T15:24:41.346-02:00</updated><title type='text'>A foto</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-AfxWuGXKL54/Trq2vIiPTRI/AAAAAAAAA2A/cJy12mfWJFo/s1600/nana.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="265" src="http://4.bp.blogspot.com/-AfxWuGXKL54/Trq2vIiPTRI/AAAAAAAAA2A/cJy12mfWJFo/s400/nana.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;A modelo Nana Gouveia, nas curvas do Edifício Copan, pela fotógrafa Autumn Sonnichsen&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era uma fotografia comum. Não havia nela nenhuma técnica expressa, nenhum detalhe que a fizesse sobressair a outras; nenhum jogo de luz ou cor, nada de efeitos especiais, nada de ângulos inteligentes ou boas pegadas no uso das lentes. A paisagem - ou pano de fundo, como se queira - era das mais triviais, um legítimo lugar-comum. A pose se deu muito provavelmente num domingo ensolarado, numa dessas manhãs de primavera em que o verde produz um pouco dos mistérios de toda a sua beleza. Eu quero mesmo acreditar que exista questões inexplicáveis naquela fotografia. Porque é somente dessa maneira que eu posso justificar a mim mesmo o amor arrebatador que senti à primeiríssima vista por aquela mulher, a linda morena de olhos cor de infinito que deu sua graça a um fotógrafo por mim completamente desconhecido. A foto, uma dessas que se perdem entre milhares na Internet, retratava uma jovem que mirou, acertou, perfurou e sequestrou meu coração, a casa do estranho sentido provocado por isso tudo. E jamais adormecido novamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cabelos longos, negros, leve e elegantemente lançados ao charme que os olhos emprestavam ao contorno do rosto. Entre os lábios, um esboço muitíssimo bem-acabado do sorriso perfeito. Por horas, tragado pela mística daquela boca, senti-me um admirador de Monalisa. Sim, via a arte, em pelo, porém não nua - devo lamentar esse fato?!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os olhos cor de infinito conferiam ao rosto de sorriso irretocável, belo como os horizontes que se veem nas praias do Rio, um quê de sedução ora descarada e desavergonhada, ora cheia de pudor, meninice, mundo novo a desvendar. Depois de tanto tempo praticamente estático diante daquela fotografia, eu juro que ainda não reconhecia em mim o apelo predominante. Eu queria tudo, cada pedaço daquela mulher, um de cada vez; mas eu também desejava o silêncio da contemplação, um amor do ver, do tão somente imaginar. Quando me refiz - se é que me refiz -, o sentimento que prevalecia no louco repertório de minhas vontades era o de beijar, perder-me por horas nos sabores de um beijo sem fim, tão misterioso e lindo quanto o conjunto absolutamente impecável de curvas que protagonizavam o retrato.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foto, fotografia, retrato, tanto faz. O que é certo é que todas aquelas belas formas existem de verdade. Os olhos da cor do&amp;nbsp;inalcançável estão por aí, distribuindo estrelas brilhantes e amores atordoantes pelo mundo.&amp;nbsp;Os enigmas daquela mulher inesquecível estão atravessando desejos e sentimentos em toda a parte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na noite do dia em que vi a foto não dormi nem um segundo. Na cama, de um lado para o outro, numa inquietude que era do corpo mas se expressava n'alma, o escuro era iluminado pelo sorriso que queimava a memória. Por quatro vezes, alto da madrugada, levantei-me, bebi muita água, busquei na pequena sacada da sala do apartamento um fragmento do céu que me dissesse alguma coisa. Eu precisava amar aquela mulher uma única vez que fosse.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na manhã seguinte, exausto por conta da espera por respostas que não vieram, imaginei-me alforriado daquele sonho sem recompensa. Em poucos minutos, contudo, pus-me a rabiscar breves versos. Precisava traduzir em palavras aquilo que senti intensamente por tantas horas, diante e longe da fotografia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não consegui um verso sequer que pudesse ser considerado à altura do frenesi em mim despertado e alimentado por aquela mulher, pelas curvas que suscitaram emoções e sepultaram a razão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje vivo a poetizar &amp;nbsp;o beijo que jamais existirá - e que num dia eterno da minha vida permanece sendo tudo que mais quero deste mundo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-2441785192877973834?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/2441785192877973834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/2441785192877973834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/11/foto.html' title='A foto'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-AfxWuGXKL54/Trq2vIiPTRI/AAAAAAAAA2A/cJy12mfWJFo/s72-c/nana.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-4944668149281465298</id><published>2011-11-01T11:16:00.001-02:00</published><updated>2011-11-01T16:05:17.978-02:00</updated><title type='text'>O retorno do exílio</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-FN8TTrOHpwg/TrA0yIIpp4I/AAAAAAAAA0A/J7Fwh1T1XI4/s1600/tori.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://1.bp.blogspot.com/-FN8TTrOHpwg/TrA0yIIpp4I/AAAAAAAAA0A/J7Fwh1T1XI4/s320/tori.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;A linda atriz estadunidense Tori Black (Seattle, 1988), minha generosa e prestativa anfitriã no exílio&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela foi uma das maiores mentiras da minha vida. É triste constatar, a propósito, que de autoenganos a vida está repleta, transbordando. Os erros que marcam, corroem, encharcam de arrependimento nossos dias são, no entanto, aqueles que brotam do desejo - &lt;i&gt;desire&lt;/i&gt;, grafia sonora da língua inglesa, talvez seja a mais bela expressão musical da palavra: ao passo que é pura força, é igualmente chama de um desejo mágico, quase mítico.&amp;nbsp;Para ser bem mais sincero, ela foi meu &lt;i&gt;desire &lt;/i&gt;mais inócuo e impertinente. (Os pós-modernos, dados a um utilitarismo que não alimento, diriam que ela foi de fato minha maior e mais bombástica perda de tempo.)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Num momento recente em que ainda investigava nas trilhas loucas da minha alma por que me quis tão apaixonado por ela, escrevi de forma folhetinesca que o passado será sempre mistério, uma tentativa, na melhor das hipóteses, de aproximação. Escrevi também, no mesmo devaneio intimista, que o presente é essencialmente contradição, dizeres que não se afirmam, vontades que esbarram no inaudito. Em tom meio laudatório, apostei no futuro como sendo parábola inacabada, imperfeita, desafortunada por tentar trazer para o agora o que ainda não há, talvez nem seja - na condição de porvir, o amanhã só pode ser construção, uma &lt;i&gt;bildung&lt;/i&gt;, vocábulo alemão que representa um tipo de educação que não cessa, diário e tenso, que cada um faz de si e para si mesmo, ora ajeitada, ora desajeitadamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dediquei a ela contos que expunham (e contavam, e &lt;i&gt;cantavam&lt;/i&gt;!) segredos que até de mim mesmo eu me esforçava por esconder. Defini trilhas dos álbuns musicais mais importantes em minha vida como canções que tivessem sido compostas para nós. Dei vazão às minhas fantasias, a um amor louco, moleque, apenas exuberância. Com isso tudo julguei homenageá-la, adorná-la com os quitutes da minha palavra. O que houve foi negação, reprovação, rejeição. Surgiu das palavras dela uma expressão-síntese: &lt;i&gt;nojo&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje e ainda de novo sozinho eu já sei onde procurar sensações que me fortaleçam. Nos calabouços de todas as memórias, essas imagens que se cruzam e produzem histórias diariamente, busco agora centelhas, pedaços de uma luz que inquietem meu coração. Do &lt;i&gt;desire&lt;/i&gt;, contudo, aguardo menos mágica. Minha aposta agora é num real levemente sonhado, algo que eu possa tocar. Quero retornar do exílio. Logo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-4944668149281465298?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/4944668149281465298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/4944668149281465298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/11/o-retorno-do-exilio.html' title='O retorno do exílio'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-FN8TTrOHpwg/TrA0yIIpp4I/AAAAAAAAA0A/J7Fwh1T1XI4/s72-c/tori.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-8065757300987742859</id><published>2011-10-28T13:56:00.000-02:00</published><updated>2011-10-28T13:56:12.403-02:00</updated><title type='text'>O instante que nunca passa</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-ssA6FW_tIHQ/TqrQLa8jclI/AAAAAAAAAzo/gcaO179nNxE/s1600/nosferatu.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-ssA6FW_tIHQ/TqrQLa8jclI/AAAAAAAAAzo/gcaO179nNxE/s320/nosferatu.jpg" width="246" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;i&gt;Inspirado no Drácula, de Bram Stoker, o vampiro Nosferatu, personagem central e épico da clássica película de F.W. Murnau, lançada em 1922, é emblema expressionista do medo, das incertezas sem cor nem luz da sétima arte alemã do pós-guerra, na década de 1920. Hoje &lt;b&gt;cult&lt;/b&gt;, Nosferatu é anti-herói dos bons, naquilo que resta de um tempo de criação, reflexão e ação no mundo, pelo mundo, com o mundo.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um olhar atento pelos movimentos do mundo é capaz de detectar um fenômeno muito interessante: a maioria das pessoas que se protegem de modo exagerado da chamada violência urbana - construindo moradias distantes e eletrificadas, blindando automóveis, contratando segurança particular, mergulhando no medo e na angústia - é vítima de uma violência percebida, não dos itens concretos de uma realidade vivida. Isso, em linhas bem gerais, quer dizer que as verdadeiras vítimas da criminalidade e da exclusão social são os povos da periferia e, de um jeito diferente, os&amp;nbsp;incautos&amp;nbsp;cidadãos do tipo médio, que não escaparam à necessidade ou ao desejo de viver de fato e, assim, permanecerem vulneráveis às contradições da realidade comum.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A questão é: será que o mundo ao qual estamos todos estreitados é tão assustador quanto a impressão quase sempre negativa (e nada dialética, frise-se) que temos dele?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ruas desertas, praças às moscas, condomínios e centros de lojas cheios; uma vida apagada, computadores e televisores sempre ligados... O abandono da vida abre portas para a &lt;i&gt;banalização&lt;/i&gt;, esse triste fenômeno tão comum às mídias e bate-papos cotidianos que amplifica o ruído das ruas, dando contornos equivocados à realidade. Infância, sexualidade, diversão, educação, bem-estar, política e violência: a banalização disso tudo se revela no quanto esses prodígios da vida têm sido mal discutidos, mal interpretados, mel experienciados. No fundo - e também na superfície -, o banal tira tudo do lugar, coloca o certo no errado, o errado no ausente, o justo na lata de lixo. Em suas variedades mais estranhadas, o banal faz conversões absurdas, incitando a dolorosos acertos de contas com um passado que nunca existiu, mas, como um pesadelo, assombra o imaginário daqueles que acreditam no presente viver - eles apenas acreditam, infelizes caricaturas do hipervazio... Numa palavra, o banal é síntese do relativismo líquido-moderno, da inquestionável crise de valores do contemporâneo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em "Os irredutíveis", Daniel Bensaïd (1946-2010) aponta com clareza e perspicácia:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;As novas místicas reagem às formas modernas de desolação social e moral do mundo, assim como às incertezas sobre a maneira de habitar politicamente um mundo em convulsão. Não são "velhos demônios" que voltam, mas demônios perfeitamente contemporâneos, nossos demônios inéditos, nascidos das núpcias bárbaras entre o mercado e a técnica. [...] Quando a política está em baixa, os deuses estão em alta. Quando o profano recua, o sagrado tem sua revanche. Quando a história se arrasta, a Eternidade levanta voo. Quando não se querem mais povos e classes, restam tribos, etnias, massas e maltas anômicas. [...] E quando o adversário é apresentado como uma encarnação de Satã, não é de espantar que ele seja desumanizado e bestializado, como em Guantánamo ou em Abu Ghraib.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesses termos, para enfrentar os problemas do mundo, como o da violência, por exemplo, o único meio é encarar aquilo de que temos medo, sob pena de o fantasma se revelar, cedo ou tarde, algo muito menor e mais frágil do que desenhava nossa depauperada e egoísta imaginação.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-8065757300987742859?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/8065757300987742859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/8065757300987742859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/10/o-instante-que-nunca-passa.html' title='O instante que nunca passa'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-ssA6FW_tIHQ/TqrQLa8jclI/AAAAAAAAAzo/gcaO179nNxE/s72-c/nosferatu.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-1485350008015281290</id><published>2011-10-21T15:16:00.000-02:00</published><updated>2011-10-21T15:16:03.612-02:00</updated><title type='text'>Versando</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-vImOyHr3i6g/TqGnoblEbaI/AAAAAAAAAzY/UgoB3QKoyDQ/s1600/lexi.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://3.bp.blogspot.com/-vImOyHr3i6g/TqGnoblEbaI/AAAAAAAAAzY/UgoB3QKoyDQ/s320/lexi.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #38761d;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #38761d;"&gt;A antidiva estadunidense Lexi Belle (Louisiana, 1987) perpassa muitos "entreversos" da minha poesia do mundo&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Adoro versos:&lt;div&gt;revelam-me inversos e reversos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No reflexo,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o perverso do universo,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tão controverso;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;na verdade, multiverso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Versando,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;sinto-me diariamente&lt;/div&gt;&lt;div&gt;caminhando,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;publicando,&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;facilitando cantos,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;insaciável que sou&lt;/div&gt;&lt;div&gt;por encantos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Esforçado,&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;quero ver o tom versado,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eternamente complicado,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mérito do traslado&lt;/div&gt;&lt;div&gt;por ideais dinamitado,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;partilhado, comungado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dos versos&lt;/div&gt;&lt;div&gt;elaboro,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;em meio a espíritos imersos,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;um pulso complexo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;de desejos ora desconexos,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ora simplesmente&lt;/div&gt;&lt;div&gt;perplexos;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;na luta e na vida,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;voz e coração anexos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Retraído e reticente,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;explosivo e transparente,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;meu verso é meu olhar,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ansioso por outro patamar&lt;/div&gt;&lt;div&gt;de sol, luz e mar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O sonho único que tenho&lt;/div&gt;&lt;div&gt;é de o mundo escrever,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;narrar,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;versar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Meu falar é o verso amar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Meu agir é o verso colorir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Meu mundo é o verso universalizar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mudar e amar,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;versando.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-1485350008015281290?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/1485350008015281290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/1485350008015281290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/10/versando.html' title='Versando'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-vImOyHr3i6g/TqGnoblEbaI/AAAAAAAAAzY/UgoB3QKoyDQ/s72-c/lexi.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-8743462172586870268</id><published>2011-10-20T15:07:00.000-02:00</published><updated>2011-10-20T15:07:20.508-02:00</updated><title type='text'>A grande reportagem</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-LWa19IoPa0c/TqBU32unRkI/AAAAAAAAAzQ/n2B8HxbPGMw/s1600/lupa.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="165" src="http://4.bp.blogspot.com/-LWa19IoPa0c/TqBU32unRkI/AAAAAAAAAzQ/n2B8HxbPGMw/s320/lupa.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;i&gt;A reportagem é uma comunhão com o presente, uma narrativa partilhada sobre o ontem e o agora. De Dostoiévski e Tolstoi, na Rússia do século XIX, passando pelo cubano José Martí, por Cervantes e Rabelais, atingindo as crônicas de Dickens e Balzac, acenando para as aventuras de Twain, as "flanagens" de Walter Benjamin, as epopeias modernas de John Reed e o jornalismo literário do pós-guerra nos Estados Unidos, a reportagem é o exercício da descoberta que vale a pena, engrandece, informa, forma e desenvolve estilos e caráter humano. Dos folhetins da primeira imprensa europeia às narrativas urbanas do umbral da Modernidade, a reportagem foi ganhando adeptos, marcas e novos contornos, chegando a rivalizar com a literatura e as grandes narrativas romanescas. Hoje, distribuídas pela pesquisa histórica e pelas publicações especializadas e de público muito seleto, a reportagem cativa poucos, distante que está da mídia hegemonizada pelos parâmetros mercadológicos do "rápido" e "fácil". De todo o modo, há histórias de ontem e de sempre que merecem visita e encantamento, uma contribuição imprescindível ao bom e arguto olhar sobre o mundo e a vida.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando garoto, admirava meu avô se apegar por longas horas aos jornais que lia. Eu não entendia muita coisa, mas, ao folhear os cadernos de que ele mais gostava, percebia que páginas e mais páginas eram dedicadas a uma única história, a um único tema. Alguns anos mais tarde habituei-me a reconhecer aquelas tantas páginas - que quase sempre se estendiam por outras edições do jornal - como sendo hospedeiras de grandes reportagens.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como TV representava muito pouco em nossa vida familiar (exceção feita às novelas, aos telejornais e aos meus desenhos favoritos), cresci, estudei e me formei na universidade tendo o jornal impresso como principal fonte de informações e paradigma central no contato com a realidade. O conhecimento, enfim, partia invariavelmente dos assuntos inicialmente estampados nas folhas que tanto sujavam as mãos e encardiam toalhas de mesa e almofadas do sofá. (Em casa, havia, além de meu avô, meu pai, minha mãe e meu irmão mais velho, cada qual com seu lugar favorito para emporcalhar com a tinta "maldita"&amp;nbsp;dos periódicos diários.) O cinema, os grandes nomes das artes, dos contos e da crônica, a visão política, as referências biográficas e objetivas do mundo, tudo conheci pelos jornais. Havia fôlego nos escritos. E o mais forte desses vinha exatamente das grandes reportagens.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A ideia de uma reportagem é esmiuçar questões, sem jamais pretender esgotá-las. O intuito é buscar muitas fontes, contrastar verdades e pareceres. Um pouco mais: a reportagem, como toda boa e pertinente investigação, requer tempo, paciência, incríveis habilidades para a narrativa, a sedução, a persuasão. Acima de tudo, a reportagem reclama investimentos: viagens, livros, tecnologia, recursos humanos de primeiríssima linha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Num tempo veloz e de incessante perscrutar por precisões matemáticas, a notícia virou leilão, um &lt;i&gt;drop &lt;/i&gt;alojado num &lt;i&gt;hiperlink&lt;/i&gt;. Com a corrida contemporânea pelo tempo real e pela notícia em cima dos fatos cotidianos (invariavelmente &lt;i&gt;banalizados &lt;/i&gt;por imagens e sentenças de endosso ou escamoteamento), a coragem para desafiar a própria inteligência, como de modo emocionante fazia meu avô, vem desaparecendo, cedendo lugar à informação leve e pronta, descontextualizada e superficial; o mundo da informação privilegia e protege, hoje, o entretenimento fácil e alienante, travestido de júbilo e marcado essencialmente pelo desconsolado espírito de nosso tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É triste ver que jornais perdem leitores, páginas e reportagens de grande alcance. É também muito triste que as redações jornalísticas sejam tão enxutas, dependentes de agências globalizadas e notícias pasteurizadas, esvaziadas de criticidade. Em muitos veículos, vem despontando a figura do articulista sem conteúdo, do comentador raivoso, do informante programado ideologicamente pelos ranços &lt;i&gt;neoconservadores&lt;/i&gt;, a serviço dos mais nefastos medievalismos morais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A dor maior, contudo, é a de imaginar que garotos e garotas, em cada vez maior número e drama, não terão a imagem do avô leitor e compenetrado, um desafiante das palavras e das ideias. Esse é o prejuízo maior, sem compensações. No lugar da palavra escrita e duradoura, instigante e provocativa, a imagem montada, o acontecimento transformado em linhas curtas, no tamanho e na essência.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-8743462172586870268?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/8743462172586870268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/8743462172586870268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/10/grande-reportagem.html' title='A grande reportagem'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-LWa19IoPa0c/TqBU32unRkI/AAAAAAAAAzQ/n2B8HxbPGMw/s72-c/lupa.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-294496836270041465</id><published>2011-10-10T15:19:00.000-03:00</published><updated>2011-10-10T15:19:02.235-03:00</updated><title type='text'>O desafio de recriar</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-loHcCPvZEyI/TpM280IDUbI/AAAAAAAAAzE/q4-iI4oImlg/s1600/quadrado.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="318" src="http://1.bp.blogspot.com/-loHcCPvZEyI/TpM280IDUbI/AAAAAAAAAzE/q4-iI4oImlg/s320/quadrado.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um dos efeitos colaterais do excesso de informação são os ruídos. As redes sociais, por exemplo (e elas vão e vêm, entram e saem do gosto popular), proporcionam de tudo um pouco, de gente sabida a descabida, de ideias ricas a pobres espíritos arrependidos de jamais ter tido ideias. Há realmente de tudo nesta nossa época de superabundância factual e ultravelocidade da notícia. Mais que questionar os rumos disso tudo, parece que nos cabe mesmo refletir sobre os movimentos atuais, sobre o que está ocorrendo na já denominada era das incertezas e da superfluidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Saltita por toda parte um desencanto geral. Decretadas mortas, as utopias se converteram em peças de museu, numa palavra de sonoridade agradável, numa desconhecida expressão de muitas línguas, personagem certa de sonhos muito antigos. A regra hegemônica é o utilitarismo, a busca por resultados fáceis e rápidos, "rentáveis", inovadores a cada instante. As artes - esse conjunto tão diversificado da atividade humana na história - não deixam de sofrer as imposições de um mundo orientado pelas estratégias de mercado: seus valores perenes, cuja linguagem atravessa gerações e insiste em sensibilizar homens e mulheres de muitos tempos e espaços, capitulam diante de seus novos valores, instantâneos, fugazes, direcionados ao consumo incessante, às teorias imediatas, às tendências e modas da estação... A cultura, antigo valor-de-uso, notório espectro das identidades sócio-históricas, consagra-se agora na descartabilidade...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ali e acolá, no entanto, reproduzem-se com enorme facilidade discursos favoráveis ao esvaziamento. A política se torna mercadoria, entrega-se também às exigências do mercado. Há quem reitere, esforçando-se por acreditar na própria inconsistência teórica, que o mercado nada mais é do que o livre encontro daqueles que podem produzir com aqueles outros a quem resta somente consumir - uma relação &lt;i&gt;natural &lt;/i&gt;mediada pela &lt;i&gt;lei&lt;/i&gt;. Pois muito bem. O que esse discurso se esquece de analisar é o fator determinante de quem está atrás e à frente da fabricação do universo legal (um ponto tão decisivo que coloca os construtores da ordem acima da lei e de qualquer suspeita). Numa sociedade de classes, ainda que alguns corações do "neotudo" sofram diante dessa expressão, a desigualdade é marca, pura essência. Leis, mercados, políticas e culturas têm lado, estão em favor de alguém, espraiam-se em direção oposta a de muitos interesses, juízos e saberes. A crença no solipsismo é uma leviandade que ignora precedentes estruturantes da sociedade moderna, conjunturas históricas, pactos coletivos em defesa de ideias e ações, todas sempre mediadas por grupos, classes e fragmentos de classe social.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O reino do supérfluo, desvalor equivocado dos atuais desarranjos culturais na assim chamada pós-modernidade (eu prefiro a expressão de Bauman, "sociedade líquido-moderna", sem forma nem consistência, breve, leve, incerta e incongruente), inibe o pensamento prudente e destrói o conhecimento verdadeiramente abrangente. Tudo é transformado em &lt;i&gt;link&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;drop&lt;/i&gt;, imagem: as cores e formas tomam o lugar da letra e da imaginação; a criação se torna refém das "ferramentas" disponíveis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Num mundo inundado pelo noticiário via satélite e pelas bandas largas de zilhões de bytes por milionésimo de segundo, heroicos são a tradição literária que se mantém, o poema que emociona, a arte que subjetiva impressões acerca do universal. O desafio, que não é nada novo, continua sendo politizar as tecnologias e acordar publicamente seus usos - em nome da sociedade e de suas parcelas, desiguais materialmente, desejosas da igualdade do espírito e da força da vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-294496836270041465?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/294496836270041465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/294496836270041465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/10/o-desafio-de-recriar.html' title='O desafio de recriar'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-loHcCPvZEyI/TpM280IDUbI/AAAAAAAAAzE/q4-iI4oImlg/s72-c/quadrado.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-1762348627303476802</id><published>2011-10-05T13:52:00.000-03:00</published><updated>2011-10-05T13:52:02.957-03:00</updated><title type='text'>Meu mundo hoje é tricolor</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-0N2shplFFsg/ToyLBjkLQxI/AAAAAAAAAzA/PO1LxB2-NLQ/s1600/flu.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://1.bp.blogspot.com/-0N2shplFFsg/ToyLBjkLQxI/AAAAAAAAAzA/PO1LxB2-NLQ/s320/flu.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;Dia ruim, o sábado 01/10 coroava uma semana que havia sido muito da mais-ou-menos. Às 18 horas, sempre fiel às minhas majestosas três cores, resolvi buscar alento no jogo entre o Fluminense e o Santos. Bem arranjado em campo, o Flu foi resumido pelas palavras do comentarista do SPORTV: “É um time que tem espírito vencedor”. Perdendo por 1 a 0, o Fluzão empatou e, no segundo tempo, virou o jogo, com lindo gol de Sóbis. Aos quarenta e tantos da etapa final, o Santos empata o jogo. Qualquer time cairia; o Fluminense, no entanto, é bem mais que isso. Aos 50 minutos, no último suspiro dos acréscimos, escanteio, bola na área e gooooooool! O menino Márcio Rosário, que acabara de entrar, botou o cocuruto na bola e marcou o terceiro e mágico tento tricolor. O comentarista do SPORTV vaticinou mais uma vez: “Não é apenas o gol da vitória neste jogo. É o gol de um time que vai buscar o título”. Independentemente da profecia se realizar, eu só tenho a dizer o seguinte: “Fluminense, eu amo você!”&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu enchia o mundo de versos. Achava que inundar a vida de poesia me traria bons pensamentos, despertaria sorrisos enjaulados, resgataria do difícil e forçado exílio ideias de mudar o mundo. Confesso que ainda não sei nada sobre o sucesso ou o total fracasso da alternativa poética. Sei somente que agora sou refém da poesia e não imagino mais o mundo sob tutela exclusiva do utilitarismo, do fatalismo dos que veem só rancor, tudo em fatias, a realidade mutilada por olhares estreitos e temerosos juízos. (Há aqueles que pensam ser a ironia uma sofisticada forma de demonstrar conhecimento. A ironia disso é que o recurso exagerado e bonachão à ironia só desnuda fragilidades e tagarelices, preconceitos e insubstâncias, a absoluta pobreza do espírito.)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma linda mulher percebeu e me disse que eu tenho visto as coisas com mais encanto e otimismo. É verdade. Nesse período de tanta busca pelo verso perfeito, amei quase todas as mulheres do mundo; fantasiei futuros e arrisquei presentes, os do tempo e os da sedução. O rock, o blues e o soul me deram muitas trilhas, românticas e dançantes, alegres e também de muita saudade e desejo proibido, completamente censurado. A linda mulher, contudo, estava correta: o mundo me era novo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Num verão em que perguntas para temas difíceis não largavam minhas horas, por mais que eu nada quisesse com elas – as perguntas -, as luzes vieram do inusitado: três lindas cores passaram a compor a orquestra de uma graça que antes não havia. Na bandeira tricolor das Laranjeiras vi refletido o universo de respostas que a vida esperava de mim. A beleza de tudo passou, repentinamente, a fazer todo o sentido. Naqueles dias quentes, numa premonição em plena calmaria envolvente do Arpoador, eu soube, de uma vez por todas, que teria uma companheira feliz imensidão do mundo afora – e adentro, principal e dialeticamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com alma e mãos tricolores, entendi que eu havia perdido Marx para reconquistá-lo mais tarde, quando a maturidade pudesse me cobrar a autocrítica e me ensinar a não viver de frustrações e arrependimentos. Na contramão do entristecido e esvaziado óbvio dos trânsfugas, reassumi minha história e, de lá para cá, venho passeando por trechos muitas vezes doloridos e espinhosos. Na feira da vida, onde todos vendem e compram de tudo, eu ofereço, no entanto, paz de espírito, coerência e muita, muita honestidade àqueles que me veem, que me acenam com fé, que me querem por perto, inventariando a tradição da mudança. Acima de tudo, busco ser diligente diante dos meus sonhos e das promessas que me fiz nas passagens da vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De rock, belas mulheres, escritos e imagens em movimento, vou vivendo, tocando meio desajeitadamente a carroça da resistência. Descobri que o reacionarismo se esconde alhures e lança aqui, ali e acolá santos nomes em vão (e que em suas versões mais desonestas proferem palavrões terríveis e depois rezam a Deus, cheios de cegueira religiosa). Na loucura dos que se acreditam sóbrios e reinventados pelo absurdo, o amor virou conclamação ao &lt;i&gt;solipsismo &lt;/i&gt;e a fé se converteu em refúgio de condenação da verdadeira liberdade, aquela que se faz diante de um irmão, olho no olho, sempre de mãos dadas. Num mundo tão impiedoso e desigual, cruento e mesquinho, dizer que o indivíduo é a única referência possível (e dizer isso em nome de Deus, perdido entre orações e um estranho jeito de amar) é a síntese desnuda da própria &lt;i&gt;desreferencialização&lt;/i&gt;, essa coisa cega, surda e muda atravessada por cinismos e má-fé.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Do meu cantinho, proclamo Pasárgadas, novas rosas do povo, a formosura de uma renovada São Bernardo, a terra em miniatura da utopia que desta vez vencerá. Sigo em companhia dos velhos amigos e festejo a certeza de que desconjurados profetas do lugar-comum que alardeiam humildade em prosa trivial não têm o que temer: &lt;i&gt;ninguém nunca traiu aquilo de que jamais realmente fez parte&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu, ainda e de novo, sou parcela fixa e fiel da esperança.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-1762348627303476802?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/1762348627303476802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/1762348627303476802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/10/meu-mundo-hoje-e-tricolor.html' title='Meu mundo hoje é tricolor'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-0N2shplFFsg/ToyLBjkLQxI/AAAAAAAAAzA/PO1LxB2-NLQ/s72-c/flu.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-5847284050119457792</id><published>2011-09-28T12:48:00.000-03:00</published><updated>2011-09-28T12:48:53.409-03:00</updated><title type='text'>A Greve</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-17xscdJ9vTc/ToNAUCd9EQI/AAAAAAAAAy8/1nSqu9UOi10/s1600/a_greve.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="241" src="http://1.bp.blogspot.com/-17xscdJ9vTc/ToNAUCd9EQI/AAAAAAAAAy8/1nSqu9UOi10/s320/a_greve.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #274e13;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #274e13;"&gt;Fotograma de "A Greve", de Sergei Eisenstein (1924)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando penso na palavra greve, duas coisas me vêm imediatamente à cabeça: o filme de Eisenstein, de 1924, uma das grandes obras-primas do cinema mundial, e o fato de a minha geração (das mais novas, nem se fala...) não ter quase nenhuma familiaridade com esse tipo de acontecimento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mudaram muito as configurações do universo do trabalho nos últimos vinte ou trinta anos. A precarização aliada à automação, a qualificação sempre exigida lado a lado com os baixos salários, os poucos empregos disputados por multidões jogaram ao pó os grandes movimentos contestatórios. A individualização cega e a hipercompetição praticamente soterraram a solidariedade de classe e a consciência do humano para além de sua minúscula parcela naufragada e impotente. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse sentido, diante de uma greve, rara e invariavelmente mal interpretada por seus agentes e por quase toda a sociedade, nossas emoções e pouca razão se dividem entre a total indiferença e a indignação por atrapalhar questões pessoais, caminhadas e projetos individuais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não obstante o direito de greve estar inscrito na Constituição Federal, de 1988 – um avanço democrático que levou décadas para nos abraçar -, muitas dessas formas coletivas de insatisfação e inquietude podem ser declaradas abusivas, inconstitucionais, por se tratar de “interrupção de serviços essenciais”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em verdade, declarar que uma greve é ilegal por paralisar práticas mais substantivas do que outras é admitir que uns são essenciais, outros, superficiais. Mais: que as pessoas atingidas direta ou indiretamente por greves serão unanimemente contrárias às demandas dos trabalhadores que se veem obrigados à suspensão de suas atividades cotidianas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A greve não é dessas coisas que se fazem por aí porque não há opção ou porque reina a absoluta falta do que fazer. Ela se refere a descontentamentos, a ferimentos que doem na dignidade de quem trabalha e deseja uma vida melhor para si e para seus filhos e netos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes de julgar de modo apressado e, por extensão, equivocado uma ação grevista, procure refletir sobre quantas reivindicações gostaria de ter feito, partilhado; reflita sobre quantas vezes quis gritar e ter um mundo inteiro para ouvir os ecos da indignação, da rebeldia, da vontade de mudar a vida, o curso da história. Se a resposta provável for "&lt;i&gt;muitas, muitas vezes"&lt;/i&gt;, celebre um gigantesco &lt;i&gt;viva&lt;/i&gt; a quem ainda tem coragem de levar suas dores e delícias às últimas consequências.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-5847284050119457792?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/5847284050119457792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/5847284050119457792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/09/greve.html' title='A Greve'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-17xscdJ9vTc/ToNAUCd9EQI/AAAAAAAAAy8/1nSqu9UOi10/s72-c/a_greve.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-4266952643621745712</id><published>2011-09-20T11:52:00.000-03:00</published><updated>2011-09-20T11:52:38.501-03:00</updated><title type='text'>Conhecer é sempre mais</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-4Fy3W1v-l60/Tnioatn3dCI/AAAAAAAAAxg/zx_6njVQj_8/s1600/lago+ness.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="212" src="http://1.bp.blogspot.com/-4Fy3W1v-l60/Tnioatn3dCI/AAAAAAAAAxg/zx_6njVQj_8/s320/lago+ness.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #38761d;"&gt;Lago Ness, em Highland, na Escócia. Todos reconhecem o mistério do monstro que vive em suas águas. Alguém o conhece?!&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Reconhecer é menos do que conhecer. Ainda que o prefixo “re” carregue a ideia de mais, de novo, outra vez, o fato de eu reconhecer algo ou alguém não garante que eu saiba do que ou de quem se trata. Dizer que reconheceu alguém na rua, por exemplo, é atestar que viu, lembrou-se de um rosto, de uma personagem, de uma figura pública ou simplesmente familiar. Afirmar que se conhece alguém é algo bem mais complexo, definitivamente embaraçoso para nossas pretensões tão fragilmente humanas, belamente imperfeitas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;De quando em vez, defronto-me com ideias que sou obrigado a reconhecer como válidas, não obstante não as conheça muito bem. Em reuniões, aqueles encontros entre tipos humanos aturdidos pelo desejo de demonstrar poder ou prepotência pura e simples, reconheço a abrangência de muitos argumentos, embora eu não possa conhecer, naquele instante, suas origens, suas verdadeiras intenções. Em momentos diversos, reconheço sons e sinais, mas sou incapaz de conhecer a música ou a questão em voga – ou a voga em questão, como poeticamente ouvi de um irmão potiguar muitos anos atrás.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;A bondade humana, inquestionável em face de atos genuínos de generosidade e altruísmo, pode ser reconhecida. Já a condição humana, desafio filosófico e locus do suposto bem maior, não pode ser, por um esforço isolado e pessoal, conhecida, esmiuçada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Esmiuçar, destrinchar, escarafunchar são verbos que se aproximam do conhecer. De longe refletem algum conhecimento, um fenômeno dado a brevidades, imagens e sensações. Reconheço que o amor, mistério-mor, é essencial para a verdadeira autoestima e para a tão sonhada felicidade. Mas posso afirmar que o conheço em toda a sua sinuosidade?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Minha profissão é reconhecida pela sociedade, inclusive do ponto de vista legal (lei nº 6.888, de 10 de dezembro de 1980). A sociedade sabe o que de fato fazem os sociólogos em seu saber/agir? Reconheço muita gente por aí. Conheço os poucos sujeitos que vivem próximos a mim? Sei muitas coisas, reconheço. Mas será que conheço mesmo as coisas que julgo saber?!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Reconheço países no mapa e monumentos históricos. Conheço-os? Reconheço ainda hoje os objetos de antigas e intensas paixões. Conheci-os alguma vez? Reconheço letras, palavras, expressões, parágrafos, versos e até prosas inteiras. Posso acreditar que conheço tudo isso na profundidade necessária de suas histórias, buscas e inquietudes? Reconheço que me especializei em reconhecer passos e caminhos. Não conheço, contudo, meu próprio destino – jamais o conhecerei!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;A formação de uma pouco santa cruzada para perscrutar e condenar ideias, fatos e sujeitos que causaram arrependimentos é um reconhecimento de que se errou, sem dúvida. Daí, no entanto, vaticinar lá e acolá que se conhecem os alvos da fúria e os males reais do passado, seus agentes e circunstâncias, é dar provas resolutas de que pouco se conhece da complexidade histórica. Andar atrás do ontem feito sombra para legitimar que agora se é diferente – evoluiu, desenganou-se, sublimou o equívoco ou a morte – é triangular entre o vazio, o desnecessário e o absurdamente ridículo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;A mudança é elemento alienável da vida, reconheço. (Tão indissociável uma coisa da outra quanto o são a democracia e a vontade geral, em Rousseau.) Apregoar que mudanças pessoais traduzem a realidade elevada de todos os sujeitos é desconhecer a pluralidade de experiências que habitam a vida; é negar que somos, de um modo sempre dinâmico, tenso e cheio de idas e vindas, a unidade na diversidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Perceber que o mundo é de muitos e que muita coisa pode permitir crescer sem ódio nem rancor é a única coisa que reconheço e julgo conhecer ao mesmo tempo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-4266952643621745712?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/4266952643621745712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/4266952643621745712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/09/conhecer-e-sempre-mais.html' title='Conhecer é sempre mais'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-4Fy3W1v-l60/Tnioatn3dCI/AAAAAAAAAxg/zx_6njVQj_8/s72-c/lago+ness.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-5738039816664695060</id><published>2011-09-16T17:00:00.000-03:00</published><updated>2011-09-16T17:14:21.785-03:00</updated><title type='text'>Outras torres</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: #fafcff; color: #2a2a2a;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-2vI48jNXmgY/TnOp8enciBI/AAAAAAAAAxY/4GOr8F-XR8E/s1600/klee.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="267" src="http://1.bp.blogspot.com/-2vI48jNXmgY/TnOp8enciBI/AAAAAAAAAxY/4GOr8F-XR8E/s320/klee.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #38761d; font-size: small; font-weight: bold;"&gt;"Castle and Sun", de Paul Klee&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;h5 style="margin-bottom: 0.18cm; margin-top: 0.18cm; text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: maroon; font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h5&gt;&lt;h5 style="margin-bottom: 0.18cm; margin-top: 0.18cm; text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: maroon; font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;“&lt;span style="text-decoration: none;"&gt;Não vou renunciar! Colocado nesta encruzilhada histórica, pagarei com minha vida a lealdade do povo. E lhes digo que tenho a certeza de que a semente que foi plantada na consciência digna de milhares e milhares de chilenos não poderá ser ceifada definitivamente. Eles têm a força, poderão nos avassalar, porém não se detêm os processos sociais nem com o crime nem com a força. A história é nossa e a fazem os povos". (Presidente chileno Salvador Allende, na manhã de 11 de setembro de 1973, dia em que militares chilenos, com amplo e efusivo apoio estadunidense, depuseram um governo democrático e deram início a mais sangrenta ditadura latino-americana no século XX)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h5&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color: maroon; font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="text-decoration: none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nunca foi surpresa saber que a ideia segundo a qual a guerra traz a paz encanta muitas cabeças por aí. &amp;nbsp;Na velha Roma, na locução latina atribuída a Publius Flavius Vegetius Renatus, a cantilena já estava dada: “Se queres a paz, prepara-te para a guerra”. Meio mundo, senão mais, nasceu, cresceu, viveu e morreu acreditando nisso. (Boa parte desse quase todo o mundo morreu, aliás, em guerras e derivações.)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Diante da queda das torres gêmeas na Nova Iorque do início deste século, muitas lágrimas demonstraram ódio ao terrorismo internacional e aos inimigos estadunidenses. Olhos e sentidos programados para não ver, não perceber, na cintilante força da história, eventos e políticas que, se não justificam, explicam parte do horror que o mundo alimenta contra a chamada “América”. (Alguns amantes incondicionais da terra de George Washington debocham da expressão “estadunidense”, uma vez que imaginam ser os irmãos do norte os verdadeiros “americanos” – nada de dividir tão vasto e diversificado continente com mexicanos, cubanos, uruguaios, brasileiros... São os mesmos “americanófanos” que batizaram a Primeira República brasileira de “Estados Unidos do Sul”.)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nunca fui antiestadunidense. Ao contrário. A música e as letras dos nossos irmãos do norte são um primor em sua própria historicidade: de lá vieram, entre outras maravilhas, a literatura de Hemingway e o cântico sofrido das plantações de algodão, o blues. Desnecessário falar do cinema, das tecnologias de ponta, da contracultura e dos ícones que contestaram, de muitos modos e desde sempre... as intempéries e as arrogâncias do Império.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Consta que Max Weber (1864-1920), o maior sociólogo do século XX, viajou para fora da Europa uma única vez. Foi conhecer as badaladas ex-colônias inglesas na América, que haviam produzido, nos termos de sua luta por independência, uma das três decisivas revoluções que deram empuxo à modernidade. (Ao lado de ingleses e franceses, estadunidenses contribuíram decisivamente na edificação do mundo moderno. Enquanto ingleses e suas transformações no universo do trabalho industrializavam e urbanizavam nosso tempo; enquanto franceses decapitavam reis, dividiam o poder político e definiam um sem número de novas instituições que trariam vida às subjetividades humanas, os estadunidenses se incumbiam de dar ao mundo um ideal de nação, um forte espírito comunitário, capaz de trasladar desenvolvimentos efêmeros e personalistas e atingir um corpo unificado, um país de cada um e de todos.)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Weber, autor, em 1904, de “A ética protestante e o espírito do capitalismo”, um dos mais influentes livros de todos os tempos, assombrado com o regime de trabalho extenso dos trabalhadores estadunidenses, a insalubridade dos ambientes de produção, os parcos salários, a decrepitude de moradias e condições de vida, a cultura do “salve-se quem puder” que já hegemonizava a mentalidade ianque, afirmou que, se aquele fosse o futuro do capitalismo e o verdadeiro ensejo para práticas de liberdade e democracia, o amanhã seria sombrio e aterrorizante. Mestre Weber era, por isso e um pouco mais, um “liberal em desespero”. Acreditava no livre empreender, mas perdia-se nas incertezas trazidas à luz por uma realidade que abrilhantava a vida de tão poucos, amesquinhando o presente e o porvir de multidões.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Weber, bem ao contrário dos novos cristãos do liberalismo e da cultura conservadora de nossos dias – muitos deles envoltos por discursos preconceituosos e estúpidos, blindados por palavras de bom-mocismo e pura dissimulação – tinha em seu espírito tão iluminado algo que faz falta demais às esvaziadas não reflexões que tomam os espaços públicos da vida analógica e digital: &lt;i&gt;autocrítica&lt;/i&gt;. Ele nunca mudou de lado, mas soube como poucos praticar o verdadeiro sentido da palavra &lt;i&gt;evolução&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-5738039816664695060?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/5738039816664695060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/5738039816664695060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/09/outras-torres.html' title='Outras torres'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-2vI48jNXmgY/TnOp8enciBI/AAAAAAAAAxY/4GOr8F-XR8E/s72-c/klee.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-3014151654479290030</id><published>2011-09-13T14:29:00.000-03:00</published><updated>2011-09-13T14:29:45.115-03:00</updated><title type='text'>Um banquete de Walter Benjamin</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-LlYv8P7TOBc/Tm-R5QL--gI/AAAAAAAAAxU/vL_JF0v-408/s1600/benjamin.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-LlYv8P7TOBc/Tm-R5QL--gI/AAAAAAAAAxU/vL_JF0v-408/s320/benjamin.jpg" width="241" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É belíssima a parábola de Walter Benjamin intitulada &lt;i&gt;"O rei e a omelete"*&lt;/i&gt;. Na pequena história de um rei em conversa com seu dileto cozinheiro, Benjamin investiga os perigos da memória, o assalto que algumas equivocadas sensações praticam contra a consciência humana. Se recordar é viver, convence-nos o autor das&lt;i&gt; "Passagens"&lt;/i&gt;, prender-se a lembranças congeladas é caminho certo para o erro e a infelicidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sentindo-se solitário e tomado por uma estrondosa melancolia, o rei pede ao cozinheiro que lhe prepare uma omelete de amoras, igual a uma que experimentou na infância, ofertada por uma velha e nunca encontrada mulher que deu guarida a ele e a seu pai, durante uma fuga, nos momentos subsequentes a uma derrota em batalha contra o exército de um reino vizinho. Ao solicitar o prato simples à base de amoras, cujo sabor era mais vivo à ideia do que ao paladar, o rei julgava trazer de volta grandes sensações vivenciadas naqueles momentos de repouso e aconchego na casa da generosa senhora. Em meio a medos, incertezas e frustrações, a omelete, acreditava o rei, devolvera-lhe o sentido da vida, a paz ao coração. Era hora de sentir tudo aquilo de novo. Emblemática, contudo, foi a sentença dada pelo rei ao cozinheiro: &lt;i&gt;se conseguir uma omelete como aquela, viverá rico, feliz e será meu herdeiro; se falhar, morrerá.&lt;/i&gt; Ainda mais radiantes e contundentes foram as palavras imediatas do cozinheiro em resposta à ameaça real: &lt;i&gt;traga logo o carrasco, meu senhor, chegou a minha hora de morrer.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entre muitas incríveis lições, o mestre-cuca real afirmou que até saberia fazer uma saborosa omelete, igual ou melhor àquela sorvida pelo rei em seu tempo de criança. Não obstante conhecer a técnica para o fazimento de uma inesquecível omelete de amoras, o cozinheiro não lograria êxito algum em devolver ao rei uma experiência única, marcada pelo alívio, pelo alerta picante do perigo, pela mão estendida e o oferecimento de tranquilidade num instante de perseguição e temeridade. Mais: a omelete de hoje não reproduziria a delícia inusitada de um presente-enigma e de um futuro completamente aberto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Admirado com as palavras do cozinheiro - e convencido de sua impressionante vitalidade -, o rei recompensou-o com uma imensa fortuna e a liberdade plena em relação às obrigações reais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Walter Benjamin foi um pensador único, original, intuitivo, marxista de um jeito muito próprio e autêntico. Ao passo que se tornou convicto muito cedo da abrangência do marxismo para explicar as espoliações levadas a cabo pelo grotesco do capital, cercou-se também da certeza de que as artes e o universo cultural mereciam destaque contundente nas tarefas a que se lançavam os revolucionários. Em seus escritos, a fotografia, o cinema, o brinquedo, a literatura e o olhar inquieto do homem diante da realidade ilustram o mundo dos seus leitores. Benjamin, provavelmente para muito além de qualquer outro grande pensador, soube reunir a força de seus amores - depositados em conflito no seu coração - e a eloquência de seus posicionamentos críticos e invariavelmente inteligentes e sensíveis. Dessa amálgama tão complexa, nasce a conturbada melancolia &lt;i&gt;benjaminiana.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Razão e emoção, essa diáde tão controversa, recebe da vida e da obra do alemão Walter Benjamin sua mais bem acabada, aclamada e inquestionada síntese. O rei provavelmente teve em seu arguto cozinheiro o alter-ego desse incrível gênio das ideias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;* No Brasil, o miniconto está publicado no volume III das Obras Escolhidas de Walter Benjamin, "Rua de Mão Única", publicado pela Editora Brasiliense (2009, quarta reimpressão).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-3014151654479290030?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/3014151654479290030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/3014151654479290030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/09/um-banquete-de-walter-benjamin.html' title='Um banquete de Walter Benjamin'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-LlYv8P7TOBc/Tm-R5QL--gI/AAAAAAAAAxU/vL_JF0v-408/s72-c/benjamin.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-5640610614005767068</id><published>2011-09-05T14:16:00.000-03:00</published><updated>2011-09-05T14:16:17.074-03:00</updated><title type='text'>Pequena crítica prosaica</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-UEv_W3SIGxI/TmUDYBlncfI/AAAAAAAAAxQ/qJNVP2J8w0I/s1600/scarlett-johansson-under-the-skin.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="248" src="http://3.bp.blogspot.com/-UEv_W3SIGxI/TmUDYBlncfI/AAAAAAAAAxQ/qJNVP2J8w0I/s320/scarlett-johansson-under-the-skin.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;A atriz Scarlett Johansson, uma poesia nova-iorquina nascida em 1984.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cresci acreditando numa máxima cuja autoria desconheço por completo: &lt;i&gt;"A prosa está ao alcance de todos; a poesia é privilégio de poucos, daqueles que possuem aguda sensibilidade humana"&lt;/i&gt;. Eu permaneço fiel à segunda parte do vaticínio. Olhar poeticamente a vida e seus afluentes, afetos e acontecimentos, razão e insensatez, é de fato um monopólio de almas que conquistaram a chance de se elevar, "sair do chão", como cantam ídolos populares em seus espetáculos sem poesia alguma. Dar a um mundo tão duro e reificado (para usar uma expressão &lt;i&gt;lukacsiana&lt;/i&gt;&amp;nbsp;tão &lt;i&gt;démodé &lt;/i&gt;em tempos de utilitarismo exponenciado e esvaziamento reflexivo) poemas, versos, cor e brisa em forma de letra, é mais do que um privilégio; é uma plena graça. Poetas, sem sombra de dúvida, são sujeitos que se fabricam em máquinas raras, artesanais, com um impetuoso quê divino.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A prosa eu via como uma habilidade mínima de integrar e dar sentido a ideias e escritas, por mais simples que pudessem ser. Na oralidade, a prosa me aparecia como transmissão imediata de saberes. Na historicidade, a prosa era investigação, crítica, registro, feitura da memória: interagiam nela o ontem, o hoje e o amanhã, esboçando-se um certo desejo de civilização.Na cotidianidade, a prosa já me foi receita, recado, crônica da vida, uma impressão do mundo, uma singular e singela rubrica do ato inexorável e universal de pensar, julgar, agir, tudo a um só tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em tempos de tão escasso conteúdo humano e proliferação descontrolada de imagens e códigos tribais, inacessíveis ao &lt;i&gt;outro antropológico&lt;/i&gt;, sinto, hoje, na carne, que a prosa é o grande equivalente geral da sensibilidade poética: para ser clara, bonita e envolvente, a prosa requer capturar a rara máquina em que são fabricados os poetas. Até lá, de modo bisonho e até melancólico, permaneço ressentido das palavras vivas, fortes, apaixonadas e apaixonantes. Sigo só, aprisionado à poesia do mundo que já acabou.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-5640610614005767068?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/5640610614005767068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/5640610614005767068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/09/pequena-critica-prosaica.html' title='Pequena crítica prosaica'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-UEv_W3SIGxI/TmUDYBlncfI/AAAAAAAAAxQ/qJNVP2J8w0I/s72-c/scarlett-johansson-under-the-skin.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-7569882112045805405</id><published>2011-08-24T12:14:00.000-03:00</published><updated>2011-08-24T12:14:28.076-03:00</updated><title type='text'>Nada como um clássico</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Rq4YVAFuBYw/TlUU28mD1iI/AAAAAAAAAxM/GDLAFMohDgI/s1600/consciencia.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="258" src="http://3.bp.blogspot.com/-Rq4YVAFuBYw/TlUU28mD1iI/AAAAAAAAAxM/GDLAFMohDgI/s320/consciencia.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;Fui aprender algo sobre Durkheim muito tempo depois da graduação em Ciências Sociais. Nos tempos de universidade, aprende-se realmente pouco, apenas pistas, orientações. No caso do pensador francês, tive o azar de ser apresentado a ele de modo muito precário, numa disciplina pouquíssimo profícua, bizarramente ministrada. Hoje sei de sua importância metodológica e de todos os seus esforços para tornar a Sociologia uma ciência com jeito próprio, estilo definido, razão esclarecedora. Mais do que isso: surpreendo-me sempre com as contribuições que sua verve eminentemente conservadora empresta a minha visão progressista do mundo. Como diz o título deste texto, nada como um clássico. Eles nos salvam do desespero e do desconforto por tão pouco saber desta vida.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O francês Émile Durkheim (1858 -1917), um dos precursores da reflexão sociológica no século XIX, sempre me intrigou. Apesar de sua clara filiação metodológica ao positivismo – doutrina segundo a qual a sociedade seria regida por leis naturais, indeléveis - e seu franco testemunho em favor de um conservadorismo moral e atitudinal, o autor de “As regras do método sociológico” cede pistas a uma interpretação mais refinada e enriquecedora da realidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Durkheim é essencialmente positivista em muitos aspectos: crê em forte naturalização das relações humanas (com funções particulares a ser desempenhadas num organismo vivo de partilha do bem comum), credita aos fatos sociais, ingredientes da vida coletiva, um status socializante, exterior e, principalmente, repressor (ou se cumpre, ou se paga por descumprir) e insiste numa absoluta prevalência da consciência coletiva, um tipo de “cérebro do mundo”, sobre todas as existências individuais. Nesses termos, fatos cumpridos e bem seguidos, geração após geração, seriam a matéria-prima da consciência coletiva, que, por sua vez, seria endossada pelas vivências familiares, religiosas, produtivas, educacionais, governamentais e comunicacionais. Numa palavra, e num esboço ultradidático, eu poderia dizer que para o autor da cidade de Epinal, na relação entre o todo e as partes, a sociedade seria nota dez e o indivíduo, isolado, nota zero.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É precisamente no refletir sobre a elaboração da consciência coletiva que Durkheim se afasta do positivismo, da tentativa histórica de engessar o real, e rompe com o viés marcadamente conservador de sua interpretação da modernidade. Preocupado em estabelecer parâmetros para uma coesão social, um harmônico estado social de partilha e colaboração entre todos, em nome do todo, o autor de “As formas elementares da vida religiosa” assevera seu otimismo, aposta no equilíbrio entre as partes (daí seus detidos estudos sobre a divisão do trabalho social, mola propulsora do capitalismo industrial) e entende que é pela educação – e não pela repressão, pelo encaminhamento à boa conduta com base no medo da punição – que se constrói uma consciência coletiva que persuada o indivíduo, convença-o de sua abrangência e importância. Da mais tenra idade à vida adulta, o ambiente educativo deveria fornecer os códigos da experiência conjunta, a matriz de todos os valores, o mapa dos prejuízos possíveis numa sociedade sem coesão, sem propósito e destino comuns. A deseducação, o “salve-se-quem-puder”, seria para Durkheim o ponto de partida para a anomia social, um processo degenerativo que conduziria o tecido social ao caos, à inevitabilidade do projeto modernidade. Bloquear o caos é tarefa, portanto, de portentosos investimentos nas consciências individuais, as quais, "fabricadas" em uníssono, criariam o espírito ideal de um novo tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há em Durkheim, contudo, um ponto ainda mais progressista em relação ao típico e conservador pensamento funcionalista e organicista. Por investir esforços no poder gerador da educação, o autor de “O suicídio” – um fato social que revela em maior ou menor grau o descolamento entre as aspirações do coletivo e as percepções individuais – acaba por permitir uma reflexão em busca da ideia de totalidade, tão cara à investigação dialética da História. Para que uma criança possa de fato aproveitar a vida escolar, dela participar e nela aprender acerca dos componentes da consciência coletiva, é indispensável atribuir à família papel preponderante. Em sendo assim, para que a educação logre êxito como conjunto quase infinito de fatos sociais, é preciso que haja investimentos em emprego e renda para as famílias, segurança, moradia, espaços de lazer e atividades em dias de descanso, confraternização. Mais: eleger a educação como base de sustentação da crença numa possível e bem-sucedida sociabilidade é dedicar, de modo bastante direto e estreitamente vinculado, atenção ao trabalho, à cultura e às diversas funções sociais de governos e instituições públicas e privadas. Nesse sentido, a solidariedade orgânica, complexa e integrada, deve instar reunir, como frisado, a atuação de cada parte em convergência às necessidades e expectativas do todo, do real em si.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um derradeiro ato &lt;i&gt;durkheimiano &lt;/i&gt;torna o sociólogo francês um autor contemporâneo e indispensável para pensar nosso tumultuado universo (pós)moderno. Trata-se do destacamento da responsabilidade social sobre a formação e a atuação dos indivíduos. Se foi negado a um jovem de treze ou catorze anos um núcleo familiar estruturado, uma escola decente, uma sociedade realmente solidária, é possível criminalizá-lo por uma atitude corrosiva, agressiva, violenta? Para Durkheim, não. Antes, faz-se necessário imputar culpa à sociedade, sua debilidade em definir caminhos, criar métodos de convencimento e persuasão, investir maciçamente na elevação da vida individual sintonizada com os desejos e necessidades da consciência coletiva. O preço a pagar é do todo, muito mais de todos, muito menos de cada um. &amp;nbsp;Deve-se cobrar, segundo Durkheim, de quem recebeu da sociedade as regras e os meios, os frutos e as fórmulas. Do contrário, a &lt;i&gt;mea culpa&lt;/i&gt;&amp;nbsp;é social.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Driblar as chances da inviabilidade de um forte grau de coesão social é tarefa dos esforços que atuam conjuntamente na trama da partilha social, dialeticamente, se assim posso dizer ao me referir a Émile Durkheim, um clássico entre os bons clássicos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-7569882112045805405?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/7569882112045805405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/7569882112045805405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/08/nada-como-um-classico.html' title='Nada como um clássico'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Rq4YVAFuBYw/TlUU28mD1iI/AAAAAAAAAxM/GDLAFMohDgI/s72-c/consciencia.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-8509969785815973567</id><published>2011-08-18T14:16:00.000-03:00</published><updated>2011-08-18T14:16:39.230-03:00</updated><title type='text'>Meu beijo da madrugada II</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-lVWNQGJl3WQ/Tk1IzwND7UI/AAAAAAAAAxI/dW_ocNAdTAI/s1600/mulher+mar.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="217" src="http://2.bp.blogspot.com/-lVWNQGJl3WQ/Tk1IzwND7UI/AAAAAAAAAxI/dW_ocNAdTAI/s320/mulher+mar.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A única coisa que restou da última madrugada foi um canto de arrepios que, de hora em hora, religiosamente, entoa uma melodia cheia de saudade. Deus, como é possível sentir tanto a falta do que nunca houve? Aquele beijo que acalma, aquele abraço que protege, aquele olhar que inspira, aquele calor que fortalece... Toda madrugada é a mesma coisa: uma única mulher, única também na capacidade de reunir tudo de que preciso, invade o percurso sinuoso de meus sonhos e, feito uma vampira, suga todas as minhas fantasias, apropria-se do meu querer, de todas as coisas que guardo no peito, em silêncio. Já não sei mais se as madrugadas me fazem bem ou mal. Desconfio do amor perfeito, ao passo instantâneo que não imagino acordar sem sonhar dormir de novo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;[...]&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O sonho atravessou parte da manhã desta vez. Durante a noite, levantar para beber água repetiu-se três vezes. Apesar de a temperatura ser amena, a alma exalava calor, temperatura escaldante. Entre uma praia e outra, nas madrugadas já rotineiras de devaneios sem fim, caminhávamos em paz, sorridentes, trocando juras infinitas de paixão. Nos momentos de calmaria e reserva, o amor era impressionante: nada em nós se mantinha distante por mais do que um ou dois milímetros. Corpos fundidos, ardência d'almas. Já de pé, a segunda-feira cobrava seus tributos e minha mente sonegava tudo, desconcertadamente. A mulher mais bonita do mundo, de nome novo, tudo novo, havia invadido minhas horas de sono para bradar: "EU TE AMO!". Ainda agora, pronto para caminhar pela tarde e pela noite, sinto seu cheiro e as consequências de suas palavras. Estou flanando pelo meu futuro neste exato momento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;[...]&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na madrugada de ontem o beijo foi um escândalo. Era manhã, céu lindo, tempo de luz. O Sol resolvera mesmo protagonizar um pouco minhas noctívagas passagens de desejo e fantasia. À entrada do mar, na praia em que aprendi a sonhar, viver e me reconhecer como sujeito na História, acompanhei seu caminhar rumo aos ensolarados raios do horizonte. Já na água, ela se refastelava com as ondas do Rei Netuno, feito menina, sapeca de tudo. Do real, nada me lembro. Sei apenas que acordei num pós-luau, estremecido pelos beijos mais intensos que troquei na vida. Ainda que nunca tenha existido, a mulher mais bonita do mundo, de nome completamente desconhecido, havia deixado seu cheiro e seu amor em mim. Naquele dia e na prova das primeiras horas do dia seguinte eu tive certeza de que conheci a minha PRINCESA do mar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-8509969785815973567?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/8509969785815973567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/8509969785815973567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/08/meu-beijo-da-madrugada-ii.html' title='Meu beijo da madrugada II'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-lVWNQGJl3WQ/Tk1IzwND7UI/AAAAAAAAAxI/dW_ocNAdTAI/s72-c/mulher+mar.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-7594186568440331009</id><published>2011-08-16T12:42:00.000-03:00</published><updated>2011-08-16T12:42:47.070-03:00</updated><title type='text'>Classes, desejos e reparações</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-HFIUi6JSjpk/TkqLAd5RD_I/AAAAAAAAAxE/eTwRAUAsF_I/s1600/carrinho.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://4.bp.blogspot.com/-HFIUi6JSjpk/TkqLAd5RD_I/AAAAAAAAAxE/eTwRAUAsF_I/s320/carrinho.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na História sempre houve classes sociais. Entre os gregos, na Antiguidade Clássica, Aristóteles dividia a sociedade em escravos e homens livres. Mais do que isso: em sua boa obra, &lt;i&gt;Política&lt;/i&gt;, o filósofo dividia os cidadãos atenienses entre pobres, classe média e ricos: nos governos, afinal, prevalecia a presença dos mais ricos nos postos de tomada de decisão. Entre os egípcios já havia documentos que comprovavam a existência da noção de classes, da divisão da sociedade em tipos humanos diferentes, com distintos créditos e papéis sociais. Na Idade Média e no universo árabe, tradições culturais e religiosas diversas refletem as classificações sociais e as separações entre indivíduos e grupos humanos. Para partir deste plano e encontrar uma vaga à porta do Céu, a classe a que se pertencia era uma condição definitiva para a felicidade, neste e noutro mundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No capitalismo, no tempo-síntese das transformações nascidas do Renascimento, da Reforma e das Revoluções Francesa, Inglesa e Estadunidense, a novidade é que essas classes são colocadas em movimento; surge a promessa de dinamismo econômico e ascensão social àqueles que trabalham. De um mundo fechado, fixo, em que se nasce, cresce e morre no mesmo lugar e da mesma forma, a realidade passa a abraçar uma sociedade aberta, em que tudo deixa de &lt;i&gt;ser&lt;/i&gt; para &lt;i&gt;estar&lt;/i&gt;. A perspectiva da mudança dá nova configuração às classes sociais, que agora se movimentam sobre uma economia "livre" e por condições sociais sem amarras nem impedimentos. Em síntese, as classes sociais no capitalismo ocupam um espaço na vida econômica e levam a cabo lutas políticas que as identificam com determinadas visões de mundo. Karl Marx escreveu que coube ao economista escocês Adam Smith, um pensador liberal, verificar a existência das classes na sociedade hegemonizada pelo capital. A ideia de classe e sua existência não são, portanto, um complô diabólico da esquerda ou dos marxistas. Antes, trata-se de um apontamento simples de quem vê o mundo pela sempre tensa e volátil relação entre o homem, a natureza e suas condições concretas de reprodução da vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há algum tempo li o resultado de uma pesquisa que constatou que o brasileiro não sabe a que classe pertence. Hoje, quando se fala nas tais classes sociais, elas logo vem acompanhadas por isoladas letras maiúsculas: classes A, B, C, D, E... O critério é renda. De tanto a tanto, classe X; de outro tanto a outro tanto, na soma dos rendimentos familiares, classe Y...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Penso eu que também não saberia dizer a que classe alfabética pertenço.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ora, numa sociedade aberta - não obstante os grandes capitais sempre pretendam fechá-la para si mesmos -, a dinâmica salarial é constante e varia de região para região do país. Além disso, é imperativo que se analisem não apenas &lt;i&gt;os padrões de consumo&lt;/i&gt;, mas, principalmente, &lt;i&gt;as prioridades de consumo&lt;/i&gt;. Uma família que prefere investir em educação e cultura, ainda que ganhe menos dinheiro que outras que optam por roupas de luxo e joias, não pode ser vista com uma letra menos engrandecedora do que aquelas conferidas às famílias que não dedicam um real a livros, viagens, cinema... O consumo cultural, por exemplo, que está diretamente relacionado à vida escolar, às preferências que se elegem para a vida dos filhos e netos, não é um item exclusivo e derivativo do tamanho da renda familiar. Não. Na complexa estruturação das classes sociais, umas se rendem à conquista do dinheiro e do conforto material; outras, sabedoras dos limites espirituais dessa escolha, abrem-se para alternativas radicalmente diferentes e passam a consumir os bens imateriais, que, paradoxalmente, se eternizam como valor e herança da vida. Se é de fato preponderante a realidade econômica - a qual limita ou expande acessos aos bens do mundo, tangíveis ou intangíveis -, a própria organização das classes e a sua luta política podem corroer a inevitabilidade de uma vida marcada pela carência monetária e recheá-la de outros e mais humanos sentidos. É nisso que está a luta ideológica por hegemonia e pela efetivação do &lt;i&gt;bloco histórico&lt;/i&gt;, como tão bem definiu Antonio Gramsci. Há brilho, luz, potência criadora e revolucionária na cultura - e é por meio dessa pesagem cultural que se pode enfrentar a força destruidora do olho do furacão capitalista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bom, nesses temos, a questão por detrás das letras que adjetivam as classes hoje em dia é mais simples do que aparenta: como o objetivo dos apoiadores desse tipo de classificação é "controlar" hábitos e tendências exclusivamente de consumo, orientando pesquisas de opinião, consultores empresariais e estratégias de marketing, dá-lhe reducionismo. A simplificação e a desistoricização de um conceito, aliadas à oferta de pertencimento ao mundo mediante a capacidade de endividamento, pagar mais contas, comprar mais e viver menos, são o elixir da existência desses recursos metodológicos e distintivos mercadológicos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu sonho um dia integrar a classe "L", a da livre existência, sem rótulos nem pré-determinações. Uma classe em que dinheiro e poder de aquisição material tenham bem menos valor que ideias, princípios e práticas de afetividade e enaltecimento do ser humano. É isso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-7594186568440331009?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/7594186568440331009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/7594186568440331009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/08/classes-desejos-e-reparacoes.html' title='Classes, desejos e reparações'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-HFIUi6JSjpk/TkqLAd5RD_I/AAAAAAAAAxE/eTwRAUAsF_I/s72-c/carrinho.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-3037471099833566648</id><published>2011-08-13T15:11:00.001-03:00</published><updated>2011-08-14T19:20:21.563-03:00</updated><title type='text'>Memórias de um amigo invisível</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Rg-MWD1Y7i8/Tka87Me0BuI/AAAAAAAAAww/q_YMI7HH6r8/s1600/alimenta%25C3%25A7%25C3%25A3o.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-Rg-MWD1Y7i8/Tka87Me0BuI/AAAAAAAAAww/q_YMI7HH6r8/s400/alimenta%25C3%25A7%25C3%25A3o.jpg" width="248" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #38761d;"&gt;"A alimentação dos cinco mil", óleo sobre tela de Daniel Bonnel&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;i&gt;Dedico esta memória ficcional de um amigo invisível - tão caro ao sujeito visível que sou - ao meu pai, o bravo Osmar Rossi. Agora longe de sua presença física percebi quão imensa era sua fome de vida, quão simples e generosa foi sua maneira de me preparar para a vida, colocando-me perto dos livros, longe das dores do mundo e ao lado da luta mais humana e &lt;b&gt;socialista &lt;/b&gt;que existe: a luta por justiça, paz e liberdade.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desde criança ouvi minha avó dizer que eu tenho os pés na Lua. E a cabeça também. Ela se divertia muito com o que julgava ser&amp;nbsp;&lt;i&gt;minha fértil imaginação&lt;/i&gt;. Num e noutro caso, mais que fértil, dizia que minha capacidade de criar histórias era algo um tanto quanto sobrenatural. Cresci estigmatizado, tido por excêntrico, meio maluco mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A vida, quis seu &lt;i&gt;script&lt;/i&gt;, acabou reiterando muitos dos temores e dizeres da mãe de minha mãe. No lugar da infância trivial, optei por ler tudo que se dispôs a parar diante de mim. Entre gibis e livros de séries juvenis, agucei a imaginação, tratei de me aproximar muito mais dos mundos fictícios do que da realidade desta Terra. Na problemática e irritante fase adolescente, apaixonei-me por quadrinhos adultos de super-heróis e me entreguei completamente ao universo do &lt;i&gt;heavy metal&lt;/i&gt;. A explosiva combinação de literatura, quadrinhos &lt;i&gt;cults &lt;/i&gt;e música pesada intensificou a tal imaginação de pés na Lua: criei histórias, escrevi milhares de poesias, idealizei pessoas, edifiquei um mundo muito meu, rico, povoado de toda a sorte de personagens, amigos, gente admirável. A cada dia tornava-se menos necessário, para mim, pisar o mundo real.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Após um tempo de descobertas, leituras e viagens pelo mundo das ideias, por tudo que fosse parte, fragmento, instante, concluí que carreiras tradicionais não abraçariam meus anseios. Até hoje - apesar de ter a imaginação que tanto encantava/assombrava minha avó materna - nunca pude me ver num escritório, num banco, numa sala comercial; menos ainda numa clínica ou atrás de uma mesa com telefone, computador e um porta-retratos exibindo uma família sorridente, plástica, tipicamente pequeno-burguesa. Arredio e de espírito em permanente estado contestatório, fui viver de utopias cinematográficas, embrenhar-me por vistas do mundo que pudessem me ofertar a liberdade dos heróis, o poder dos imortais, as paisagens e as mulheres dos romances policiais que sempre amei. (Era um ponto de honra sentir, ao menos por alguns momentos na vida, um pouco do efeito &lt;i&gt;blasé &lt;/i&gt;de um detetive à la Hammett, deliciar-me nas curvas perigosas das mulheres que enlouqueceram os anti-heróis de minha predileção.) As imagens intensas da vida e o charme que a utopia lhes dava, um vir-a-ser marcado pela força de uma cidadania-mundo, agraciaram-me muitas vezes com esses enredos heroicos e fabulosos. Antes mesmo de ingressar na vida adulta, em meio a destemperos e alguns bailes de loucura e razoável insensatez, eu já havia definido a maior parte dos ingredientes de minha incondicional alma libertária.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Participei como espectador inquieto e dialogante de momentos cruciais do mundo real: vi cair o Muro de Berlim, fotografando n'alma cenas que grudariam na retina da História e instariam o redesenhar dos desejos humanos; acompanhei os últimos e delicados atos de uma geração militante que se fragilizou diante da perda do sentido da História, da derrota inequívoca de seus ideais; caminhei lado a lado com muitos daqueles que até hoje insistem num mundo novo, outro, diferente, descapitalizado da usura e das leis de troca que só almejam acumular coisas sobre o cadável dos sonhos e o semblante um pouco pálido da resistência; assisti a muitas capitulações, muitas transfugagens - e diante de cada ação de deliberada covardia ideológica, incapaz da necessária e hominizadora autocrítica, rangi dentes, cerrei punhos e... chorei... copiosamente... apenas chorei. Adulto, colecionador de sonhos e articulador de ideias que inspiram cuidado, sinto-me mesmo um menino crescido, carente, e mantenho de pé (na Lua?) a convicção de que fui derrotado, mas não estou liquidado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A História, reunião dos plurais do presente e do passado, prossegue e leva em sua bagagem muitas das cenas e milhares dos personagens que estiveram em meus caminhos, em minha fértil e engajada sobrenatural imaginação.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-3037471099833566648?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/3037471099833566648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/3037471099833566648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/08/memorias-de-um-amigo-invisivel.html' title='Memórias de um amigo invisível'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Rg-MWD1Y7i8/Tka87Me0BuI/AAAAAAAAAww/q_YMI7HH6r8/s72-c/alimenta%25C3%25A7%25C3%25A3o.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-8092736383772924779</id><published>2011-08-09T13:35:00.000-03:00</published><updated>2011-08-09T13:35:50.760-03:00</updated><title type='text'>Meu beijo da madrugada</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-lqWoeXq6hQo/TkFhjuDL1gI/AAAAAAAAAws/K-FI5qMxE_U/s1600/o+beijo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://4.bp.blogspot.com/-lqWoeXq6hQo/TkFhjuDL1gI/AAAAAAAAAws/K-FI5qMxE_U/s400/o+beijo.jpg" width="332" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;"O beijo", óleo sobre tela do artista plástico José Silva&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há dias em que as perdas vêm me visitar. Ficam de um lado para o outro, fazendo de tudo para me chamar à atenção. Trazem as belas imagens dos nossos melhores momentos e, de quebra, insistem em demonstrar que, se ainda vivas, me desconcertariam muito mais que no passado. Dessas sombras acaba ficando a clara sensação de que havia muito desejo, muita fantasia, muita paixão para dividir, mesmo depois do momento em que partiram.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;[...]&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nunca pude, olhando para mim mesmo, para os esconderijos do meu querer, entender o que de fato se passa comigo. Do amor, lembranças me escapam, insistem na permanência somente do ausente e do incansável desejo. Há indubitavelmente em mim uma alma que só é feliz quando transcende o real, o imposto, o desgosto. Tantas vezes quis ter um mundo só meu onde eu pudesse chorar... sorrir... morrer de amor. Sou composto por esse desejo. No corpo, na alma, em cada mínima fração de mim, só sei ser mesmo aquele que sonha, extenso ser, dinâmico e inacabado vir-a-ser. Minha fonte é meu exclusivo devir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;[...]&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por mais que sejam chamadas a dar respostas, as sensações mais confundem e iludem do que clareiam ou permitem ver. O coração, esse amontoado de experiências que nos toma dos pés à cabeça, até insiste: quer da razão um pouco mais de piedade, poder decisório. A briga, inevitável, é também um caso perdido. Toda vez que se procura entender o que se passa, entende-se ainda mais que as fissuras da vida existem tão somente para ser mistério. A ideia da dor é ganhar tempo: ou se enfrenta com coragem absurda sua covardia, ou se cai para sempre em suas espinhosas armadilhas. Além de viver muito tudo isso, andei observando que o mundo é meu parceiro de guerrilha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;[...]&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembro-me de uma canção da banda Azul Limão (pioneiros do heavy metal carioca nos anos 1980') que versava: "Dias e noites passam / e eu sempre a procurar / alguém que possa ver ou entender o que vou tocar / Às vezes me sinto tão só / ao lado da hipocrisia / Virei um homem de metal / perdi a noção de gostar / Somos o corte profundo / Luz do sol". Acredito que a lembrança se deveu a essa sensação enlouquecida de pontuar vazios existenciais, desejos pulsantes de mudar tudo, radicalizar a vida e suas experiências sempre surpreendentes. É possível que minha peregrinação pelas músicas de juventude - o metal, em particular - tenha provocado o sinuoso e arriscado voo. Aliada ao meu momento atual de bicho em completa mutação (absolutamente necessária à sobrevivência num tempo de tanta insensatez teórica e prática), a música pesada oitentista está sendo lida de uma nova maneira por mim. Importa-me menos a atmosfera da época, com suas tensões entre estilos e tendências - e muito mais a força viva das temáticas e de tudo que nela havia que influenciou minhas ideias e visão de mundo. Outra canção do Azul Limão vaticinava: "Se num mar de estrelas / Nós vamos deitar / Com o mais lindo sonho / Nós vamos sonhar / Ver a liberdade fatigando a mente / Entrando num mundo que tudo é diferente". O impressionante ímpeto em direção à origem, o ORI dos gregos, totaliza a disposição e move corpo, mente e coração. Dos livros que li, dos discos que ouvi, dos filmes que vi ficou muito, tudo o que sou e a base do que ainda insisto ser.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;[...]&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um ponto mínimo de inflexão, ou dois pontos, no máximo três ou quatro. Qual o limite disso tudo que não para de gritar dentro de mim?! Eu só queria dizer a ela que há um traçado em minha vida, uma rua de mão única para o futuro. Eu teria de dizer também que esse futuro depende de ela aceitar me beijar escandalosamente, por horas a fio, ainda que seja somente um vez, uma única e necessária vez... Ela fugiu, assustou-se comigo. Disse que preferia guardar o que era bom, apagar o resto... Entendeu tudo errado, a louca! Agora fico eu aqui, tomado por uma ansiedade que mistura palavras, canções, vestígios de um poema em permanente esboço. Perdi-me na vontade de nela me perder. Com a partida definitiva da musa dos meus contos - e cantos-, algo em mim se partiu (definitivamente?). E agora é preciso continuar, habituar-me ao beijo que nunca houve, não obstante permaneça imprescindível.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;[...]&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na escuridão, com medo e sem nenhuma coragem de olhar para trás, percebi que havia uma luz que não me agredia: ela era maior que o manto tricolor, poderosa como o sorriso do meu filho, sedutora como as palavras de Rubem Fonseca, flutuante como as guitarras do Saxon. Uma luz intensa, estranhamente branda em toda a sua potência. Num domingo estranho até os tubos, encontrei o garoto que se perdera de mim havia uns vinte anos. Sorri e tive a certeza de estar, enfim, no caminho certo - que não sei aonde me levará, como cantava mestre Raul, mas sei que é o meu caminho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;[...]&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Novamente sonhei com o beijo perdido. Real à flor da pele - e de tantos outros pontos do corpo e da alma -, o beijo sonhado pautou os enigmas da minha manhã. Entre um local e outro da cidade, entre uma atividade e outra, os lábios macios que pude experimentar na madrugada estiveram comigo até há pouco, quando tive de recordar também sua doce textura e substituí-los por um cerrar de olhos ao sol do meio dia. Encorajado como só os grandes beijos podem ser, aquele que invadiu meus sonhos me é de rosto conhecido, corpo acalantado, viver desejado. Agora é esperar a tarde cair, a noite chegar, o beijo voltar a bater à minha porta: ele será bem-vindo também esta noite!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;[...]&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela não vai sair mais de lá. Bateu o pé, fez cara de mulher brava e disse, contundentemente: "Vou morar nos seus sonhos, dia e noite, para sempre!". Já faz semanas que o beijo dela me visita pelas madrugadas. De dia, acordado, fazendo o que quer quer seja, sinto o gosto dos lábios dela, a presença pausada da respiração muito próxima de mim, dando sinais de uma paixão que será eternamente possível. Eu viro os olhos, afasto as sombras - amigas inseparáveis -, e coloco uma música do Pearl Jam. "Oceans" canta para mim que o beijo, o desejado beijo, beijo dos beijos, que ele não pode ser descartado. Ele ainda pode vir. Eu aguardo, menino que sou, criança em meus ideais, a boca-fonte da minha vida. Venha logo, amor. Venha logo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-8092736383772924779?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/8092736383772924779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/8092736383772924779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/08/meu-beijo-da-madrugada.html' title='Meu beijo da madrugada'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-lqWoeXq6hQo/TkFhjuDL1gI/AAAAAAAAAws/K-FI5qMxE_U/s72-c/o+beijo.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-5168306861035446677</id><published>2011-08-02T14:34:00.000-03:00</published><updated>2011-08-02T14:34:50.729-03:00</updated><title type='text'>A Era do Preconceito</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-FxI_wHHSJjU/Tjg0v_NGtLI/AAAAAAAAAwo/bxnySmEpe5o/s1600/latuff.gif" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="315" src="http://4.bp.blogspot.com/-FxI_wHHSJjU/Tjg0v_NGtLI/AAAAAAAAAwo/bxnySmEpe5o/s400/latuff.gif" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;Charge do cartunista Carlos Latuff, de 2001, no ápice do desejo estadunidense de "praticar a guerra para promover a paz".&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O tempo presente, midiático e espetacular, tecnologizado e esvaziado de ideários, vem se caracterizando por apressadas maneiras de responsabilizar estereótipos e caricaturas por tudo que de ruim acontece mundo afora. Explicações grosseiras e&amp;nbsp;enviesadas&amp;nbsp;por um reenergizado conservadorismo moral correm facilmente os trechos entre as consciências individuais. Num certo sentido, assiste-se a uma conversão generalizada ao templo das reduções: tornou-se mais cômodo apostar no velho como solução para dilemas inéditos. Negar o ontem, desdizê-lo e até ridicularizá-lo, converteu-se na única autocrítica possível - pobre, mesquinha e incoerente por natureza....&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Alguns percursos dos últimos trinta ou quarenta anos ajudam a desvendar o milagre dessas conversões.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos anos seguintes à crise internacional do petróleo, deflagrada na primeira metade dos anos 1970', Hollywood reinventou a Guerra Fria e ergueu novos muros para bem além da linda cidade de Berlim. O cinema estadunidense, poderosa força ideológica nos quatro cantos do globo, colocou Reagan, Tatcher e o neoliberalismo como a grande aposta do bem contra o mal comunista. Nos anos 1990', quando o fim da União Soviética e a queda efetiva do muro que dividia a Alemanha em metades díspares e antagônicas precipitaram as declarações de que a História havia terminado e o capitalismo triunfado, o inimigo passou a ser a emergente economia japonesa de mercado. Nas grandes lojas de departamento dos EUA era possível encontrar cartazes com a inscrição &lt;i&gt;"Japans Out"&lt;/i&gt;, com letras desavergonhadas e garrafais. Os bandidos da TV e do Cinema que corriam o mundo deixaram de ser vermelhos e passaram a ser amarelos - a nova cor da ameaça à avareza imperialista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Num rápido manuseio dos registros da história estadunidense, tornam-se saltitantes os episódios de&amp;nbsp;espoliação&amp;nbsp;e dominação contra etnias e povos, próximos e distantes. Sabe-se que indígenas, africanos, negros e latinos - esses últimos do México à Terra do Fogo - já protagonizaram o mal do mundo nessa estreita visão dualista e empobrecida da realidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desde a derrubada do World Trade Center, no décimo primeiro dia de setembro de 2001, árabes e muçulmanos são a &lt;i&gt;bola demoníaca&lt;/i&gt;&amp;nbsp;da vez. Máfias islâmicas, conspirações de Alá, terroristas iraquianos, facções afegãs ocupam o primeiro lugar na produção da indústria cultural do medo e na banalização do mal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na recente tragédia na Noruega, em que o ultradireitista Anders Behring Breivik ceifou setenta vidas no intuito de &lt;i&gt;"exterminar o marxismo e a invasão muçulmana em seu país"&lt;/i&gt;, houve quem de pronto defendesse que a autoria intelectual dos assassínios fosse iraquiana, afegã, iraniana... No limite da loucura, foram disparadas acusações até contra os norte-coreanos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fato é que, época após época, renovamos a categoria social que será a vítima preferencial das perseguições e da insensatez: operários, imigrantes, comunistas, negros, orientais e islâmicos fazem a grande lista, mas não a finalizam: virão outros. Em todas as sociedades, a&lt;i&gt; era do preconceito e da intolerância&lt;/i&gt; resolveu oxigenar os ânimos e defender que existem mal e bem puros, o que, em qualquer sentido, é falso e burro, quando não, tantas vezes, cruel e covarde.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-5168306861035446677?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/5168306861035446677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/5168306861035446677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/08/era-do-preconceito.html' title='A Era do Preconceito'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-FxI_wHHSJjU/Tjg0v_NGtLI/AAAAAAAAAwo/bxnySmEpe5o/s72-c/latuff.gif' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-2450692958574812495</id><published>2011-07-26T12:06:00.000-03:00</published><updated>2011-07-26T12:06:31.732-03:00</updated><title type='text'>A autonomia crítica</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-1Hlnl-DF6sg/Ti7V4EpW0ZI/AAAAAAAAAwk/WVlaufccAh4/s1600/emile-zola.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-1Hlnl-DF6sg/Ti7V4EpW0ZI/AAAAAAAAAwk/WVlaufccAh4/s320/emile-zola.jpg" width="234" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;Ao denunciar pelo artigo J'acusse, publicado no jornal francês L'Aurore, a injusta condenação do oficial &amp;nbsp;Alfred Dreyfus, acusado de traição ao corpo militar pelo poder de Estado na França, em 1898, Émile Zola (1840-1902) conquistou a simpatia de centenas de artistas e homens de letras, que, pelos apoiadores da França, foram chamados, pejorativamente, de intelectuais. Estava criado um termo que, doravante, passou a definir reflexividade, crítica e coragem para a independência.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um dos requisitos básicos da crítica é a autonomia. O crítico da arte, da política, da filosofia, ainda que tenha preferências e até as defenda em termos ideológicos e partidários, não pode se fechar em esquemas prontos, &lt;i&gt;seminarizar &lt;/i&gt;sua atuação. É inevitável ao bom pensamento manter-se aberto ao dinamismo do tempo e de seus agentes sociais. A possibilidade de voltar no túnel da História não existe e os grandes nomes da reflexão mundial devem tão somente orientar, dar pistas, colaborar na sustentação dos argumentos. Deve-se, contudo, identificar todo sujeito como alguém preso às suas circunstâncias e realidades. Assim, para viver, compreender e mudar o mundo de hoje, faz-se imprescindível recrutar aqueles que pensam e interagem no presente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ultimamente, descolados do passado (sem raízes, portanto) e estranhados no presente (perdidos, pois), muitos movimentos têm aberto mão da autonomia crítica: misturam-se a governos e governantes; aliam-se a pensamentos muito mais&amp;nbsp;condizentes&amp;nbsp;com o mundo medieval do que com a complexa e plural atualidade; acumpliciam-se a impropérios, falas baixas, ditos nada razoáveis... Fica, diante disso tudo, a pergunta: onde está o desejo do futuro?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O velho e louco Thimoty Leary, nos gloriosos anos 1960', já alertava para essa fusão promíscua de interesses e dizia: &lt;i&gt;"Saiam dessa. Caiam fora enquanto é tempo"&lt;/i&gt;. Falta-nos um pouco dessa lucidez embriagada de um Leary da vida...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A geração &lt;i&gt;beat &lt;/i&gt;de Jack Kerouac, o autor do indispensável &lt;i&gt;"On the road"&lt;/i&gt;, também apostava na autonomia. Para tanto, a crítica deveria se apoiar na rebeldia e no inconformismo.. Suas viagens literárias estão recheadas de personagens inquietos, sempre indispostos à conciliação fácil e forçada. A crítica requer ser muito resistente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sérgio Paulo Rouanet, escrevendo sobre a crise dos valores universais, destaca que o intelectual é aquele que, abrindo mão de seu papel técnico e pragmático, volta-se contra o peso das situações reais, indispondo-se contra a ordem e suas contradições. Ele é um profissional, cheio de obrigações, prazos e demandas institucionalizadas, mas só se faz um intelectual, um crítico autônomo, quando denuncia o viés de exploração dessa mesma ordem, a qual muitas vezes se vê impelido a rubricar. A autonomia, nesses termos, é também coragem, coerência e honestidade do pensamento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje em dia, contudo, devastadores do meio ambiente frequentam congressos ecológicos, votam, dão receitas de sustentabilidade. Investidores de grandes capitais especulativos financiam a educação, pautam ações de Estado, discursam sobre liberdade e qualidade acadêmica. Burocratas e radicais de direita se infiltram em movimentos sociais e espalham grosserias e pouca rebeldia. Em suma, em toda parte vem reinando o terrível &lt;i&gt;"tá ruim, mas tá bom"&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem autonomia, a razão perde força para discernir quem é quem, o que é o quê. Sem poder crítico, o pensamento se enfraquece e cai nas mais absurdas histórias e conversões hipócritas e tidas por milagrosas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É hora de inquietar o mundo e promover juízos rebeldes, como defende o sociólogo Boaventura de Sousa Santos. Juízos que estejam aptos e a fim de mudar tudo, inclusive a si mesmos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-2450692958574812495?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/2450692958574812495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/2450692958574812495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/07/autonomia-critica.html' title='A autonomia crítica'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-1Hlnl-DF6sg/Ti7V4EpW0ZI/AAAAAAAAAwk/WVlaufccAh4/s72-c/emile-zola.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-7927084743849745548</id><published>2011-07-19T13:23:00.000-03:00</published><updated>2011-07-19T13:23:56.648-03:00</updated><title type='text'>A última lembrança</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-imdVxXa5exQ/TiWvJn2aNoI/AAAAAAAAAwg/4iYWsrrn2RU/s1600/grace+_kelly.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://4.bp.blogspot.com/-imdVxXa5exQ/TiWvJn2aNoI/AAAAAAAAAwg/4iYWsrrn2RU/s400/grace+_kelly.jpg" width="323" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #38761d;"&gt;Grace Kelly, a musa da beleza eterna, a mulher mais bonita do mundo&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nunca me perguntei se havia necessidade de apresentar razões para amá-la. Na verdade, embora seja puro lugar-comum, está enraizado em mim que paixões e amores abrem mão de formalidades, explicações, registro em ata, testemunhas oficiais. Quando proibido (e lá longe se vão milhares de circunstâncias que podem ou devem ser consideradas proibidas), o tal amor, sublime ato descontínuo - a nada pode ligar-se, de ponto algum deve advir -, converte-se em vontade, ansiosa força humana. Amantes acometidos pelo proibido quebram tabus, rompem fronteiras. O antiquado mundo do pecado transforma-se em algo a ser desmoralizado, completamente destruído.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Refletindo sobre a forte pulsação que a lembrança dela dispara em mim, sobre todos os pecados que junto dela desejei cometer e, principalmente, acerca da grandiosa aventura que mais do que tudo ansiei realizar com ela, fui invadido pela necessidade de pensar o amor, problematizá-lo, torná-lo protagonista de uma história entre mim e aquela mulher, a que considero a mais bonita do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembro que disse a ela uma ou duas vezes que a considerava a mais bela mulher do mundo. Não éramos nada mais que amigos, presos a uma relação que se institucionalizara, perdera-se em posturas desejáveis e cínicos decoros. Não obstante, trocava o beijinho no rosto e emendava: 'A mais linda mulher!' Era evidente a delícia do ouvir; ela se sentia contemplada, agraciada por meus elogios, todo meu derretimento. Penso, contudo, que não via nada de mais em minhas palavras: não supunha, jamais supôs, que havia por trás de cada letra, da simples entonação, um homem incendiado por paixão, desejo, incontrolável (em verdade, continuo controlando...) desespero de amar. Eu era, da cabeça aos pés, segundas, terceiras, múltiplas intenções.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo nela existia para me provocar: os olhos escuros, levemente aprofundados; as pernas perfeitas, costuradas na perfeição de cada sinuosa passagem, incomparáveis mais ainda por promoverem um rebolado único, chamariz, fonte de tudo que quis, mais quis, sempre, calado, quererei. O corpo dela, a cada centímetro, fazia jorrar em mim a latinidade da dança, da cópula. Sem jamais ter sentido, eu podia saber que o perfume natural do corpo dela era o complemento sem igual de todas as minhas sensações. Ora, meu Deus, nada ocorria para mim, se, nas manhãs em que pudesse vê-la, ela se ausentasse. Qual fortuna poderia haver em palavras de amor que, elaboradas para uma mulher, não encontrasse seu destino para induzir os olhos a uma declaração venturosa? Por meses aguardei um sinal, embrenhei-me na tortuosa espera de ouvir, capturar uma deixa, uma esperança. Tudo que queria era tocá-la, encontrar seus lábios, conhecer, enfim, o cheiro, a batida do coração, a ebulição dos hormônios, o modo como o desejo nasce, cresce e explode em sue corpo. Ah, eu queria amar, pura e simplesmente, aquela mulher.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje, completamente apartado do convívio dela, debruço-me sobre as imagens e sensações que a memória arquivou: a pela morena, o alegre e doce sorriso das manhãs, o caminhar que roubava o caminho que tomava meu olhar, a voz rouca que me confundia as têmporas, os tornozelos e pés, um fetiche que não pude&amp;nbsp;experienciar... Dela ainda brotam momentos muito meus, nos quais canções e breves instantes de repouso se reúnem para, em meio ao silêncio da chuva, resgatá-la no tempo, esboçar algo que não houve, embora tenha sido o mais querido de todos os mundos, real na sua estrondosa irrealidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para ser sincero, em algum momento, não sei bem qual, imaginei que teríamos a chance de amar um ao outro. Minha estranha e telúrica ingenuidade das ideias bem que tentou me convencer de que a mulher mais bonita do mundo seria minha, intensamente minha, ao menos uma vez na vida. Nos estados de maior euforia, vi-me grudado a ela existência afora, feliz, completo, legítimo conhecedor do amor e de suas poéticas e tão anunciadas promessas de eternidade. Hoje, no entanto, sentencio-me a esta última lembrança.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-7927084743849745548?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/7927084743849745548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/7927084743849745548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/07/ultima-lembranca.html' title='A última lembrança'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-imdVxXa5exQ/TiWvJn2aNoI/AAAAAAAAAwg/4iYWsrrn2RU/s72-c/grace+_kelly.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-8124241953576763524</id><published>2011-07-06T13:57:00.000-03:00</published><updated>2011-07-06T13:57:51.380-03:00</updated><title type='text'>Gramscianas IV: o indivíduo</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-MECN5DM6BAA/ThSTnDnFkuI/AAAAAAAAAwc/aFUZfZU9l38/s1600/peregrino.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://4.bp.blogspot.com/-MECN5DM6BAA/ThSTnDnFkuI/AAAAAAAAAwc/aFUZfZU9l38/s400/peregrino.jpg" width="313" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #38761d;"&gt;"O peregrino sobre o mar de brumas" (óleo sobre tela), de Caspar David Friedrich&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;Acredito firmemente que a liberdade para todos depende de certa paridade nas condições sociais, econômicas e culturais asseguradas às pessoas. Se permanecem condições privilegiadas (de concentração de poder e riqueza para uns, em detrimento de pobreza e ignorância para outros), a liberdade se degrada. [...] Estou convencido, igualmente, de que a luta permanente pela democratização depende da participação ampliada, do aumento da participação dos explorados no combate à exploração e do aumento da participação dos oprimidos no combate à opressão. (Leandro Konder, em suas "Memórias de um intelectual comunista")&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No melhor da já longa e clássica tradição socialista, há uma preocupação permanente em desenvolver condições reais para um equilíbrio entre as liberdades individuais e a experiência comunitária. No mesmo sentido, a luta socialista quis criar uma realidade paritária, nos níveis econômico, político, social e cultural, para TODOS, e não apenas para uns poucos e alguns outros, sazonalmente. Foi Marx quem definiu a sociedade futura - aquela de pescadores, poetas e amantes sintetizados na figura concreta do homem sem adjetivações - como a livre associação de indivíduos livres.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dos utópicos do século XVIII ao pensamento crítico e dialético dos marxistas do século XX, o alvo socialista não mudou: no fundo, o desejo era transformar o mundo para que ele pudesse ofertar circunstâncias mais favoráveis ao surgimento de um novo tipo de indivíduo, resultado da delicada simetria entre a metade parcial e a metade social, dupla sempre dinâmica que fundamenta o humano.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os utópicos, como Fourier e Owen, os "científicos", Marx e Engels, em espeical, e os dialéticos, Benjamin e Gramsci, notadamente, todos indicavam no mercado capitalista um sem número de contradições e estratégias para dominar a consciência, escravizar o corpo e controlar o destino dos trabalhadores. Ao mesmo tempo que era obrigado a vender sua força de trabalho a quem quisesse e precisasse comprá-la, o indivíduo se via atormentado pela inquestionável urgência de conter os ímpetos mercantis exclusivamente voltados para o lucro capitalista (costumeiramente calculado por escalas geométricas). À proporção que crescem as forças de mercado, comprando e vendendo tudo que veem pela frente, a porção comunitária dos&amp;nbsp;indivíduos&amp;nbsp;se esvazia e se perde, o que acaba por identificá-los tão somente por sua nada generosa fatia parcial: a competição por salários, status, reconhecimento coloca todos contra todos. Na guerra mercadológica por mais dinheiro, conforto e prestígio, a subjetividade abdica da solidariedade de classe, apaga do horizonte a luta por emancipação humana e restringe a existência a tentar ser "melhor", mais apta, admirada etc. É daí que surgem por exemplo, as noções desconfortáveis de "vagabundo", "subversivo", "imprestável" e toda a escala burguesa de mensuração e classificação daqueles que não se ajustam à lógica capitalista de mercado. Ou se é do bem, ou se é do mal; ou se está ajustado, ou se é pura e simplesmente um "desajustado".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se as relações generalizadas baseadas no valor de troca permitiram o aquecimento da vida econômica e o aumento da atividade produtiva do trabalho humano, contra o qual as máquinas de indisporiam mais e mais no correr do tempo, o mundo do livre mercado mediado pelas instâncias de interesse do capital não cessou de distribuir distorções, injustiças e desigualdades no interior da vida social. Com a medição monetária e quantitativa de tudo e a batalha imoral entre todos, os valores qualitativos perderam autossignificação. &amp;nbsp;Os princípios éticos - honestidade, hombridade, coerência entre o dito e o feito - passaram a ser atributos raros e divisórios, em vez de se generalizarem como itens da própria condição humana, elixir do &lt;i&gt;viver junto&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Despedaçada, a comunidade humana não tem como definir os valores que irão orientar as práticas individuais. Preceitos morais e condutas éticas dependem do encontro intersubjetivo, do interesse comum em criar os porquês do convívio, normas e balizas. Isolados e temperados na crença da autossuficiência (falsa dos pés à cabeça), os indivíduos, no capitalismo, se desencontram de si mesmos, na medida em que vivem pela metade, dissociados de sua porção &lt;i&gt;socializante&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A filósofa Agnes Heller foi oportuna ao definir o homem como um ser cindido: toda vez que o pêndulo de sua humanidade recai para um dos lados, causando desequilíbrio, há o desdobrar de muitas inumanidades. Se mais &lt;i&gt;indivíduo &lt;/i&gt;do que &lt;i&gt;ser social&lt;/i&gt;, o sujeito pode vir a ser um poço de egoísmo, possessão e passionalidade, capaz de articular o que lhe houver de racional apenas na obtenção de vantagens intransferíveis. Se mais &lt;i&gt;ser social&lt;/i&gt; do que &lt;i&gt;indivíduo&lt;/i&gt;, a carência o torna suscetível à absorção por ondas de fanatismo e extremada intolerância, o que desintegraria de uma vez suas chances de autonomia, discernimento e espontaneidade. As liberdades individuais, conquista dos séculos atravessados pelas lutas populares, requerem o fortalecimento da dinâmica social para que no interior das experiências comunitárias possam ser delimitados os pilares de sua defesa e de sua ampliação. Nesses termos, descobrir alternativas para um cruzamento profícuo e abrangente entre as liberdades individuais e o necessário exercício conjunto dos elementos constitutivos do mundo da vida, referendando a união das metades do humano, permanece tarefa socialista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Reinventar instituições e mediações; recriar formas de comunicação e promulgação das conquistas técnicas e científicas; repactuar arte e cultura, ofertando-lhes novos papéis e significados; tudo isso corrobora o enigma de Che: como, afinal, construir o "homem novo"? É o que temos de descobrir - e fazer!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-8124241953576763524?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/8124241953576763524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/8124241953576763524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/07/gramscianas-iv-o-individuo.html' title='Gramscianas IV: o indivíduo'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-MECN5DM6BAA/ThSTnDnFkuI/AAAAAAAAAwc/aFUZfZU9l38/s72-c/peregrino.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-6347357262621849325</id><published>2011-07-05T14:40:00.000-03:00</published><updated>2011-07-05T14:40:23.394-03:00</updated><title type='text'>Gramscianas III: a contradição</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-4-GrzlWrhaE/ThNMR2oKFTI/AAAAAAAAAwY/e-ghDYoW5GE/s1600/contradi%25C3%25A7%25C3%25A3o.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="298" src="http://3.bp.blogspot.com/-4-GrzlWrhaE/ThNMR2oKFTI/AAAAAAAAAwY/e-ghDYoW5GE/s400/contradi%25C3%25A7%25C3%25A3o.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;O modo de pensar dialético - atento à infinitude do real e à irredutibilidade do real ao saber - implica um esforço constante da consciência no sentido de ela se abrir para o reconhecimento do novo, do inédito, das contradições que irrompem no campo visual do sujeito e lhe revelam a existência de problemas que ele não estava enxergando. (Leandro Konder, em "A derrota da dialética")&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Marx aprendeu com Hegel que, no plano da reflexão lógica e formal, toda contradição é uma manifestação de defeito. Hegel asseverava que, sendo limitada, a lógica formal não era capaz de abarcar todos os problemas da humanidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na vida concreta, naquele inevitável encontro de sujeitos que partilham impressões e ações em face da realidade diária, a contradição é um elemento essencial, inalienável. Mais do que um limite ou uma imperfeição, a contradição é algo que se renova: não há, nunca houve, jamais haverá realidade e presença humana que, defronte uma da outra, intercaladas, não produzam e façam emergir contraditoriedades.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com essa percepção da vida social, Marx se opunha radicalmente às intenções metafísicas, para as quais tudo se relaciona somente pela superfície, uma vez que a essência de todas as coisas - inclusive a "coisa humana" - será sempre imutável. Dessa resolução, observou Marx, nasce a associação imediata entre o pensamento metafísico e as questões meramente quantificáveis. (Se as coisas não mudam, como tão bem apoiavam os positivistas do século XIX, não haveria por que atribuir ao humano habilidades para empreender transformações qualitativas em sua existência.)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hegel, contudo - ainda que nos limites do idealismo e da especulação da consciência como sendo o verdadeiro "espírito do mundo" - percebia que tudo só podia existir em movimento, e que todo movimento se embebia de muitas contradições. Como tudo muda o tempo todo, todas as coisas - humanas e inumanas - estão inter-relacionadas: as partes que compõem a tensa relação entre o homem e a natureza possuem historicidade, têm início, desdobram-se no tempo, vivem a se metamorfosear, adquirindo novos papéis, funções, representações do real. A reciprocidade entre os fragmentos que totalizam o mundo, cada qual com suas particularidades e características muito distintivas, ligam as fissuras do tecido da vida. Para entender o mundo, portanto, dirá Marx mais tarde, é imprescindível "quebrá-lo", analisá-lo em suas partículas e recompô-lo. Através desse exercício de montar e desmontar realidades, apreende-se que o todo é indefinidamente maior que a soma das parcelas que o constituem, tomadas isoladamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse sentido, uma família é mais do que cada um dos seus membros reunidos; uma instituição educacional é mais complexa e dinâmica do que as atividades integradas de seus dirigentes, professores, funcionários e aluno; uma cidade ou um país, enfim, não se reduz às suas realidades imediatas, ainda que fosse possível aglutinar o econômico, o cultural e o político numa comunidade ilusoriamente integrada e internamente coerente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se apenas reunidos, somados ou integrados, os instantes particulares de uma determinada experiência concreta não apresentam claramente suas contradições essenciais. No plano do contínuo movimento que aproxima e ao mesmo tempo distancia as particularidades e suas múltiplas relações entre si, as quais revelam lacunas, imponderados, rupturas etc., a contradição se autoanuncia - a evidência do conflito (ou ao menos do confronto) só se faz no mesmo espaço em que sua negação também pode se elevar. É assim que a dialética, num infinito proceder de afirmações e negações, conservação e sublimação, define toda realidade como sendo composta por elementos constituintes e não definitivos dessa própria constituição, ou seja, o belo está no feio, o certo cutuca internamente o errado, o justo possui predicados de injustiça, o perfeito resvala sempre no medíocre, face a face. A essência desses pólos contraditórios em sucessivas e inefáveis articulações impede que o todo seja tomado por suas partes, todas elas, em si, resguardadas das contradições que só se põem a nu quando em situação de movimento, integração e partilha.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-6347357262621849325?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/6347357262621849325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/6347357262621849325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/07/gramscianas-iii-contradicao.html' title='Gramscianas III: a contradição'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-4-GrzlWrhaE/ThNMR2oKFTI/AAAAAAAAAwY/e-ghDYoW5GE/s72-c/contradi%25C3%25A7%25C3%25A3o.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-5855819552253493446</id><published>2011-07-05T13:36:00.000-03:00</published><updated>2011-07-05T13:36:03.938-03:00</updated><title type='text'>Por um único segundo</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-lESjLGQ47qo/ThM9DlYJHGI/AAAAAAAAAwU/BZiGv3v0eJ0/s1600/abraco_mar.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-lESjLGQ47qo/ThM9DlYJHGI/AAAAAAAAAwU/BZiGv3v0eJ0/s400/abraco_mar.jpg" width="220" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;"O abraço do mar III", uma arte de Ricardo Paula&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De soslaio, completamente envergonhado sei lá por quê, eu a vi passar por um único segundo.Seria bem honesto que eu dissesse: mal a vi. Assim mesmo, com apenas um instante da sua presença a metros de mim, voltei a não esquecê-la sob hipótese alguma.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A mulher mais bonita do mundo estava ali novamente, ao alcance reprimido do olhar, a mil léguas submarinas do meu verdadeiro desejo de surpreendê-la por abraços, beijos, todas as poesias que pudesse lhe dedicar. Não sei - alguém sabe? - o que é o amor. Sinto, no entanto, que, se o amor é&amp;nbsp;magnânimo, tenho-o em mim, tamanha a grandeza da imagem dela nos rabiscos do meu pensamento.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Toda vez que me disponho a esquecê-la, o movimento de minhas ideias me conduz de fato pela contramão: seus olhos escuros e profundos, suas curvas perfeitas, o indefectível rabo-de-cavalo, o sorriso anestesiante, o perfume que só sei imaginar bem perto, o calor que chego a me permitir quando cerro os olhos e me entrego a sonhar... toda ela me atropela&amp;nbsp;desprevenido, absorto em instantâneos de uma pura paixão que nunca existirá, nem por um único segundo...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando quis homenageá-la, tornando-a musa das letras mais inspiradas que já grafitei nas paredes do delírio, ela optou por me esquecer para sempre. Despediu-se por meio de uma pergunta que me vi obrigado a fazer, dado o colossal desespero de perdê-la antes mesmo de a possuir. O verbo possuir, aliás, quando se associa a ela em meus devaneios, brinca com meu equilíbrio emocional, me arrefece, tortura para liquidar de vez o que eu julgava melhor em mim: essa grandeza que pode ser o tal amor, talvez seja o humano em busca e si mesmo, certamente sou eu subvertendo a condenação ao exílio d'alma.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por um único segundo - o último, não sei -, a mulher mais bonita do mundo bateu à porta da imaginação. Por toda uma vida, se apenas isso me contemplar, serei um pouco daquele instante, sempre hesitante, gigante.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-5855819552253493446?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/5855819552253493446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/5855819552253493446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/07/por-um-unico-segundo.html' title='Por um único segundo'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-lESjLGQ47qo/ThM9DlYJHGI/AAAAAAAAAwU/BZiGv3v0eJ0/s72-c/abraco_mar.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-327693306851468364</id><published>2011-06-24T12:48:00.000-03:00</published><updated>2011-06-24T12:48:01.458-03:00</updated><title type='text'>Gramscianas II: a velocidade</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-aEHUpH9fwxA/TgSw9D-7gaI/AAAAAAAAAwM/hf0YODUZUcE/s1600/mercurio.jpeg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-aEHUpH9fwxA/TgSw9D-7gaI/AAAAAAAAAwM/hf0YODUZUcE/s320/mercurio.jpeg" width="271" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #274e13;"&gt;&lt;i&gt;"Mercúrio", entre os gregos, deus do comércio, arquétipo da velocidade do lucro capitalista&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;&lt;i&gt;Ernesto Sabato, nas belas reflexões centenárias de &lt;/i&gt;&lt;u&gt;A resistência&lt;/u&gt;&lt;i&gt;, escreveu: "Nosso tempo conta com telefones para suicidas. De fato, é possível dizer alguma coisa a um homem para o qual a vida deixou de ser o bem supremo. Eu mesmo muitas vezes atendi pessoas à beira do abismo. Mas é muito significativo que se tenha de procurar um gesto amigo por telefone ou por computador, e não se encontre nada parecido em casa, no trabalho ou na rua, como se vivêssemos confinados numa clínica-prisão que nos separa das pessoas ao nosso lado. E então, privados do contato de um abraço ou de uma mesa partilhada, restam-nos os meios de comunicação".&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;&lt;i&gt;Sabato refletia sobre as inconstâncias de nosso tempo, no qual amores e ódios trocam repetidamente de lugar e de função. Ama-se brevemente, torce-se por algo de modo sempre provisório. Os sonhos se concretizam e matam o real, já que são sonhos possíveis somente no mundo virtual... Numa época de valores todos mediados pelo mercado (todos especulados previamente pelas elites econômicas), parar, olhar, ponderar, agir (numa unidade dialética coerente e pertinente) tornou-se raro, senão totalmente obsoleto. Responsabilizar a &lt;/i&gt;&lt;u&gt;velocidade&lt;/u&gt; &lt;i&gt;talvez seja um caminho para diminuir a dor daqueles que insistem fazer tudo novo pelo lado humano do planeta. A missão já não é apenas impossível: ela se revela de uma ingenuidade cada vez mais urgente.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Muita gente pede explicações sobre o que vem a ser a propalada pós-modernidade. Afinal, o que a difere da modernidade? Em que, de uma vez por todas, poderíamos envolvê-la para defini-la por uma só palavra?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Confesso que sempre escorrego diante do desafio de definir nosso tempo. O problema não é dificuldade para debater. Ao contrário: tenho dedicado o melhor de todas as minhas energias na aventura pelos trechos da tal pós-modernidade. Aliás, prefiro, de verdade, a caracterização &lt;i&gt;modernidade líquida&lt;/i&gt;, como bem a define Zygmunt Bauman - para ele o que emblematiza nossos dias são a incerteza e o viés movediço do conjunto das relações humanas. E é exatamente por essa pouca solidez que a pós-modernidade me escapa diariamente. É provável, então, que a palavra que melhor a traduza em termos culturais e de experiência concreta no mundo cotidiano seja &lt;i&gt;velocidade&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda vivemos todos nas fronteiras da modernidade como tempo histórico. Os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade continuam a conduzir lutas e os desejos humanos. A questão do pós-moderno reside precisamente em tornar mutantes essas categorias e seus valores associados: relativizar os conteúdos de todos os conceitos, de todas as orientações, premissas e atitudes é a essência da velocidade pós-moderna. Nunca foi tão perfeita a máxima &lt;i&gt;"Tudo que é sólido se desmancha no ar"&lt;/i&gt;, que já foi de Shakespeare, Marx e Berman, em três séculos diferentes, sempre intuindo demonstrar que tempos velozes e turbulentos predizem e antecipam a imagem que se possa ter do futuro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Inequívoco é assentir que as novas ferramentas tecnológicas, as revoluções nas ciências, nos transportes e nas comunicações adicionaram nitroglicerina ao tempo, que ficou curto e bem ligeiro, e mergulharam o espaço em algum recipiente com líquidos encolhedores: o ontem já era para sempre, o hoje é ontem, o amanhã já chegou e se faz aqui e agora. É quase real a sensação de o mundo caber na palma da mão, num &lt;i&gt;tablet&lt;/i&gt;, num &lt;i&gt;notebook&lt;/i&gt;, nas nossas tolas presunções virtuais e de absoluto declínio do conhecimento robusto, humano e abrangente. O pós-moderno é como uma vinheta de poucos segundos que pretende explicar o mundo, validar todas as opiniões individuais, desqualificar as utopias coletivizantes, a crença numa liberdade universal, numa igualdade de fato, numa fraternidade incondicional. A descrença em projetos de longo prazo e a redução de quase tudo aos ditames do mercado (quem ainda resiste a tornar-se mercadoria?!) dão mostras de como, de modo rápido e avassalador, somos atropelados diariamente por novidades às vezes chocantes, mas quase sempre previsíveis, tristemente previsíveis...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não há uma &lt;i&gt;era &lt;/i&gt;pós-moderna, como houve entre gregos, romanos, reis e burgueses. Nosso mundo ainda é hegemonicamente composto pela burguesia e seus (des)valores. O tempo pós-moderno é uma aceleração da cultura capitalista, seu acabamento mais formidável até aqui. Todos compram, vendem, trocam, fazem isso a vida toda; creem cegamente nisso como a única verdade imune ao relativismo. Nesse quesito, a velocidade é trôpega e sem horizontes para a ruína da egolatria contemporânea.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-327693306851468364?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/327693306851468364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/327693306851468364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/06/gramscianas-ii-velocidade.html' title='Gramscianas II: a velocidade'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-aEHUpH9fwxA/TgSw9D-7gaI/AAAAAAAAAwM/hf0YODUZUcE/s72-c/mercurio.jpeg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-4228735468529737729</id><published>2011-06-08T14:45:00.000-03:00</published><updated>2011-06-08T14:45:39.218-03:00</updated><title type='text'>Gramscianas I: la dolce vita</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-cUb_C0_-TkE/Te-xuOd7qTI/AAAAAAAAAwI/tLCyvUQOkIw/s1600/ladolcevita02.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-cUb_C0_-TkE/Te-xuOd7qTI/AAAAAAAAAwI/tLCyvUQOkIw/s400/ladolcevita02.jpg" width="290" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;Anita Ekberg, em fotograma do belíssimo e obrigatório "La Dolce Vita", filme de Federico Fellini, produzido em 1959.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu realmente não consigo. Não posso me conter. A acusação de covarde, contudo, não me cai bem. Eu tenho tentado. Não obstante as boas ideias e os sonhos ricos, eu tenho perdido tudo entre um calafrio e outro, entre o desejo que não se insurge e a necessidade de estancá-lo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A felicidade (um estado imaginário?) promete mundos e fundos, exige foco, disciplina, mais espiritualidade. O corpo, num movimento que conduz o pensamento ao gozo paralisante da inércia, reclama o tempo, a dor, o repertório acumulado. O corpo não aceita partilhas: quer tudo ao mesmo tempo e sempre. É um bicho quase incontrolável. Força-me por curvas, trilhas sonoras, uma busca sei lá muito bem pelo quê... Sinto - e as sensações trespassam o órgão designado à razão (um pobre ingênuo batalhador) - que a vida me escapa, me provoca, acena de longe com um sorriso irônico. Escancara, &lt;i&gt;la dolce vita&lt;/i&gt;, a crueza de suas prerrogativas. Ela só quer me namorar, incestuosamente, parte de mim, e rejeita toda forma de poder ser mais, por mais, quanto mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao tentar ser útil, vejo-me na inutilidade pragmática de um ser que só pode ser útil se for capaz de matar suas fantasias. De que vale a vida se a obrigação de apagar o delírio pelo cheiro e a ânsia pelo toque fizer-se inapelável, inadiável, puro encurralamento? Tenho feito tantas perguntas, amado tanta gente, partejado ideias que se esfarelam, desmancham pela ar... No turbilhão do novo tempo, tão meu, arrependido de não levar a sério a aventura de &lt;i&gt;Berman &lt;/i&gt;(pelo menos não tão a sério quanto deveria), receio, angústia, total inabilidade, esses desesperados sintomas de uma vida em estrada errada, me tomam, transformam, afobam. Só sei que o centro, espaço de equilíbrio entre extremos que se ameaçam, desafiam, agridem, subjugam quando podem, é um ponto invisível, inaudível, desprezível. Ouço velhas canções crente por completo de que o amanhecer clama por vir. Já existe, há horizonte e luz, mas não ganha o mundo (ou seria o mundo a ser presenteado por sua chegada?), meu pobre mundo, congelado, refém de uma ousadia poética que me emprestou os tempos jovens e tornou imprestáveis os tempos de uma maturidade paradoxalmente pueril.&amp;nbsp;Choro também por ter ensinado tão bem os labirintos espelhados de &lt;i&gt;Baudrillard &lt;/i&gt;e, obsessivamente, buscar suas improbabilidades. Como me perder para, triunfante, reencontrar meus sonhos?&amp;nbsp;Vejo, aturdido, que as estatísticas do assombroso mundo de &lt;i&gt;meu Deus&lt;/i&gt; me pegaram, acumpliciaram-se de meu transtorno pelo prazer - maldito, de fúria incontrolável, que me impede de ser eu, comigo, por mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A bela das manhãs foi-se embora para sempre. Respondeu, curta e grossa, que sentiu nojo da minha poesia; que viu, nas canções que ilustravam minha imaginação amorosa, cenas repugnantes, paisagens obscuras e doentias. Desfez homenagens, esqueceu-se do herói; preferiu viver do ontem que será um amanhã insosso. Ao menos no meu &lt;i&gt;tempo-ontem&lt;/i&gt;, que está num passado que o alcance da memória já se revela quase incapaz de penetrar, as recordações tem brilho, balanços coloridos, energia - uma energia que fará da fraqueza da memória coragem para prosseguir. Com a morena antes perfeita, que detestou &lt;i&gt;Thundersteel &lt;/i&gt;(e por isso mesmo já não é em mais nada perfeita), desenho uma ultrajante expressão na areia, sem censura: &lt;i&gt;foda-se! &lt;/i&gt;Livre, enfim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não posso me esquecer que dancei com uma loba durante muitos dias. Era uma loba tricolor, embora ela nunca venha a descobrir o que isso de fato significa. (Se soubesse que tinha as três cores da paixão depositadas no fundo dos olhos, teria se refugiado nas diabruras do amor, das rupturas improváveis.) No fim de todas as contas, tenho sido tão somente um sujeito moderno entre a pré-modernidade rejeitada e a pós-modernidade tão acalantada. Resisto entre o ontem que não me satisfaz e o amanhã que não me seduz. Peito guerreiro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Incorrigível, alio-me ao pessimismo exagerado da análise de mim mesmo. De modo contíguo, insisto no otimismo da vontade, a qual prezo em nome do que virá, certamente virá. Como negar a beleza das listas grenás, verdes e brancas que vivem a enriquecer minhas horas e criações? Como não ver esperança nas palavras do pequeno sardo, que hoje é meu mundo inteiro de teorias e ações? Em meu frágil universo, potente de cor e ideias, mantenho acesas todas as chamas. O entardecer que leva à escuridão é a indispensável passagem para o amanhecer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-4228735468529737729?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/4228735468529737729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/4228735468529737729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/06/gramscianas-i-la-dolce-vita.html' title='Gramscianas I: la dolce vita'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-cUb_C0_-TkE/Te-xuOd7qTI/AAAAAAAAAwI/tLCyvUQOkIw/s72-c/ladolcevita02.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-4988442202400910219</id><published>2011-05-25T12:06:00.000-03:00</published><updated>2011-05-25T12:06:05.478-03:00</updated><title type='text'>A língua é de todos nós</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-0Mr6Yha4W78/Td0aNqmCbGI/AAAAAAAAAwE/HQQZ7s4GJPo/s1600/favela_cristo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="268" src="http://4.bp.blogspot.com/-0Mr6Yha4W78/Td0aNqmCbGI/AAAAAAAAAwE/HQQZ7s4GJPo/s320/favela_cristo.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;"Favela com o Cristo Redentor" (Acrílica sobre tela), de Vanessa Lima&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #38761d;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #38761d;"&gt;Na última terça-feira, 24/05, resolvi fazer minha coluna no CBN Cidadania sobre o debate em torno da polêmica despropositada que tem agredido a atitude do Ministério da Educação de aprofundar enfim o debate sobre os usos&amp;nbsp;plurais da língua portuguesa. Entre farpas e desatinos, o livro de Heloísa Ramos vem sofrendo obnubilados ataques (adorei&amp;nbsp;a adjetivação de Maurício Dias, na Carta Capital desta semana, dirigida aos rancorosos críticos da temática), a ponto de ser açoitado como manual de ignorâncias e impropérios linguísticos. Bom, abaixo meu comentário agora redigido - creio na língua escrita como documento da eternidade!&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O tiroteio contra Heloísa Ramos e seu livro, "Por uma vida melhor", distribuído em seiscentos mil exemplares pelo Ministério da Educação em escolas públicas de todo o país, é mais um triste sinal de como esperneiam nossas carcomidas elites em tempos democráricos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A língua é um patrimônio vivo, que muda e altera regras,&amp;nbsp;interpretando e compondo&amp;nbsp;cenários históricos e paisagens socioculturais. Nesse sentido, os tantos brasis que por aqui existem, como já ensinou Darcy Ribeiro, vivem contribuindo para novas falas e, no tempo das ciências, dando sinais para novas formalidades e registros linguísticos. Para nossas elites, contudo, não é concebível que &lt;em&gt;rappers&lt;/em&gt; e caboclos, negros e caipiras, &lt;em&gt;índios&lt;/em&gt; das tribos da mata e&amp;nbsp;da urbe possam ser sujeitos do português que se pratica no Brasil, seja escrito, seja dito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Heloísa Ramos sabe disso tudo e deixa claro em apresentação a sua obra que a língua é um espaço de luta política e disputa pelo poder. Como questão de classe, a língua pode vir a ser - e eu penso que sempre tem sido! - um instrumento para criar, difundir e consagrar preconceitos, formas renovadas de exclusão e ódio à diversidade. Heloísa Ramos, contudo, faz o certo: trabalha as variantes todas de nossa língua, da rua humilde ao palácio iluminado, e aponta onde cada qual tem seu devido e desejado lugar. O resto é pura bobagem, reverberação esvaziada de sentido e pertinência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não se quer acabar com&amp;nbsp;a norma culta/padrão. (Acredito que Drummond não teria desejado isso ao escrever que &lt;em&gt;tinha&lt;/em&gt; uma pedra no meio do caminho, em vez de afirmar que &lt;em&gt;havia&lt;/em&gt; a tal pedra. Penso também que o genial Adoniram Barbosa não tenha intuído o fim da linguagem clássica ao cantar "fumo" a uma casa e não "encontremo" ninguém.) Quer-se, pelo contrário, reavivá-la no confronto diário com a língua do povo, submetendo-a a História.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É lamentável perceber como ilustrados e descoloridos debatem ranços, medos, ojerizas e covardias valendo-se de um patrimônio que é indígena, que é negro, que é das ruas do mundo, uma vez que tanto os brasileiros da periferia das nossas cidades, das picadas das nossas matas e dos horizontes do&amp;nbsp; nosso sertão quanto os estrangeiros de todo o planeta vivificam diariamente a língua portuguesa pelos usos que dela fazem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Transformar a língua em estátua que evidencie a face dos vilões que viraram heróis ao massacrar inocentes barbaramente silenciados é missão de nossas envelhecidas e descompassadas elites. Quem é mesmo o ignorante nesse ataque a nossa sempre inculta e bela língua portuguesa?!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-4988442202400910219?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/4988442202400910219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/4988442202400910219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/05/lingua-e-de-todos-nos.html' title='A língua é de todos nós'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-0Mr6Yha4W78/Td0aNqmCbGI/AAAAAAAAAwE/HQQZ7s4GJPo/s72-c/favela_cristo.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-6944480064725859364</id><published>2011-05-11T12:43:00.000-03:00</published><updated>2011-05-11T12:43:15.524-03:00</updated><title type='text'>Ingênua, solitária e embriagada lucidez</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-RcB2HQQyCT0/TcqsMYLkRgI/AAAAAAAAAwA/78Kqi52_hkw/s1600/icarus+lights.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-RcB2HQQyCT0/TcqsMYLkRgI/AAAAAAAAAwA/78Kqi52_hkw/s400/icarus+lights.jpg" width="232" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #274e13;"&gt;"The Icarus Light", arquitetura em flores do designer Tord Boontje&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Às vezes demora, mas chega um dia em que a velha e já tão desabonada razão esclarecida dá as caras. Privado de luz pelos instintos e pelas expectativas de um futuro que nunca chega, agi de modo egoísta, mesquinho em muitos momentos. A certeza de haver por perto uma alma gêmea, sexualmente arrebatadora, cegou-me, a ponto de permitir que uma mulher fabulosa - uma das mais incríveis que tive o privilégio de conhecer - sofresse, fosse privada de sua própria existência. Por achá-la disponível, eu a maltratei sem querer, sem saber, imatura e prolongadamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Num cair da tarde próximo ao final de semana, em meio a caixas fechadas e toda a minha vida esparramada pelo chão - tendo sob os olhos a malsucedida tentativa de ler sobre o &lt;i&gt;anarquismo &lt;/i&gt;- admiti que era preciso dar vez à lucidez, a minha sempre ingênua, solitária e embriagada lucidez. (Lembrei-me naquele instante de uma belíssima introdução que o genial e saudoso Hélio Pellegrino dedicou a uma edição de "A Metamorfose", de Kafka, na qual ele afirma que a transformação de Gregor Samsa em um inseto gigante nada mais era do que a metáfora ideal do mundo capitalista, um mundo sem amor.)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Combatente desde cedo deste mundo sem amor, que produz "inseticídios" cotidianos contra o humano, desgastado e atropelado por duras circunstâncias, esqueci-me de atentar aos indivíduos que necessitam do amor, desejam-no transgressoramente para afirmarem sua esperança, sua crença em que o impossível é apenas uma péssima e desastrada interpretação da vida. Confortável por imaginar um belo corpo, dócil e útil (Foucault me apareceu ajuizando negativamente meus atos), à minha eterna espera, afastei-me de meus princípios humanistas de fidelidade e coerência. Errei, persisti no erro, quase contagiado pela covardia daqueles que se acomodam e se reproduzem diante da dor dos outros. (Agora o trabalho magistral de Susan Sontag sobre a "arte" em fotografias de guerra se convertendo em espetáculo midiático de desumanização me congela completamente o pensamento...)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse percurso meio ególotra, meio triste por natureza - sempre inconsciente, entretanto -, despenquei em momentos&amp;nbsp;intermitentes&amp;nbsp;sobre minhas angústias, a sombra de fantasmas que, de tão antigos em mim, assumiram a forma assustadora de meus demônios. Como nunca antes na vida, atestei que, de todos os males que posso provocar, os piores sempre seriam cometidos contra mim mesmo. E apenas quando me vi amargurado por não conseguir enfrentar meus anjos negros é que notei ser patrono da infelicidade de quem só fez e só soube me amar, eloquente, genuína e frondosamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na bela tarde de chuva e calor em que me dei conta de ter me convertido no mesmo inseto que havia aterrorizado o protagonista de "A Metamorfose" e, por extensão, o conjunto de suas relações sociais, veio-me à memória o intranquilo romance de Marcos Fábio Katudjian, "Snuff Movie", que eu lera numa tarde muito chuvosa no perdido ano de 2003. Cheguei a publicar aqui no blog uma resenha do livro e a entrar em contato com o seu autor, tamanhos os desdobramentos da leitura em minha alma. É provável que o livro me tenha chegado à lembrança por causa do subtítulo: &lt;i&gt;depois do fim do mundo&lt;/i&gt;. Eu sempre dizia a essa mulher:&lt;i&gt;&amp;nbsp; te amo até bem depois do fim do mundo.&lt;/i&gt;&amp;nbsp;No livro de Katudjian, o amor não existia bem antes dos eventos ue sugeriram o fim dos tempos. Como sobreviventes, alimentávamos a ilusão de que nem após o final de tudo teríamos fim em nossos desejos. E, ao insistir nisso, fiz a linda mulher cansar, cansar, cansar, por tanto ouvir e quase nada sentir desse "amor sobrevivente" dos tempos para além da História.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando atinei com a imbecilidade e a estupidez do meu involuntário comportamento irracional, animal, pedi desculpas e desapareci. Entreguei a ela toda a razão do mundo e afirmei que equívocos seriam julgados pelo tempo histórico, pelas paredes sempre tão rígidas da memória. Retraí-me, acusei a mim mesmo de injusto e, decididamente, egoísta. Não pude encarar-lhe os olhos - e tampouco tive essa oportunidade: é certo que teria me atirado sobre ela movido a beijos e hormônios... Teria mais um rompante de delírio instintivo, para, depois, isolar-me em meu comodismo, no conforto açucarado de uma covardia&amp;nbsp;despretensiosa. Condenei-me virtualmente, atormentado por soluços e choro destruidores - em seguida, sublinhando o pós-humano em mim, entrei em sala de aula para uma longa noite de dor, descoberta de vazios que nunca mais serão preenchidos. Inaugurei a &lt;i&gt;vacuidade &lt;/i&gt;permanente de meu espírito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fiz-me, enfim, homem, humano, sujeito decente. Minha autoatribuição de culpa e total responsabilidade por inoperância e acuamento diante da força do fato amoroso não me isenta de pena, mas abranda o castigo diário que minha consciência, tão tardia e deletéria, me impunha instante a instante, mensagem a mensagem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A linda mulher será feliz - ela me fez o homem mais feliz do mundo em tantos inesquecíveis momentos. Ela irá voar, como Ícaro, livre, deslumbrada, mas, ao contrário do destino do mito grego, pousará alegre em lugar tranquilo. A felicidade dela será minha verdadeira e definitiva redenção, a dialética do meu amanhã - e ainda mais do meu aqui e agora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-6944480064725859364?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/6944480064725859364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/6944480064725859364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/05/ingenua-solitaria-e-embriagada-lucidez.html' title='Ingênua, solitária e embriagada lucidez'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-RcB2HQQyCT0/TcqsMYLkRgI/AAAAAAAAAwA/78Kqi52_hkw/s72-c/icarus+lights.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-3540358117210714112</id><published>2011-04-29T14:37:00.001-03:00</published><updated>2011-04-29T15:56:36.724-03:00</updated><title type='text'>A tal coisa certa</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-HTYc87kXJYw/Tbr26UfGNwI/AAAAAAAAAv8/P_uXPQCFKOI/s1600/Kremlin_russia.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://4.bp.blogspot.com/-HTYc87kXJYw/Tbr26UfGNwI/AAAAAAAAAv8/P_uXPQCFKOI/s400/Kremlin_russia.jpg" width="362" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #660000;"&gt;Bela imagem compacta do Kremlin, da Praça Vermelha e da Catedral de São Basílio, que integram as maravilhas do mundo moderno e simbolizam a força do povo russo e sua orquestra histórica sempre revolucionária.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Fazer a coisa certa!", o que é? Passo a vida defendendo que, não importa como nem por que, devemos fazer &lt;i&gt;a coisa certa&lt;/i&gt;. Alio a essa crença pressupostos éticos, senso de proporção e valoração estética. De muitas maneiras e de forma quase inconsciente atribuo muito do ideário e do legado socialista a essa minha tão propalada e impenitente visão do mundo. De fé e peito aberto, acredito na tal tal &lt;i&gt;coisa certa&lt;/i&gt;. Entre roubar e ser feliz e não roubar e sentir-me feliz por isso; entre mentir e obter vantagens e não mentir e crer nisso como a grande vantagem; entre gastar agora e pagar vida afora e poupar já para ter o que gastar sempre... fico sempre com o conjunto das segundas opções. Aliás, como adepto fiel às segundas opções, mantenho-me alegre por contrastar, prever o novo, jamais calar-me diante do horror e das mentalidades caducas - despertar em mim e nos outros os sinais da rebeldia tem sido meu passo, um itinerário louco, por vezes arriscado, lindo se visto pela contramão da História, via retrovisores do tempo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-3540358117210714112?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/3540358117210714112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/3540358117210714112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/04/tal-coisa-certa.html' title='A tal coisa certa'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-HTYc87kXJYw/Tbr26UfGNwI/AAAAAAAAAv8/P_uXPQCFKOI/s72-c/Kremlin_russia.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-3906124934810335895</id><published>2011-04-27T14:13:00.000-03:00</published><updated>2011-04-27T14:13:29.950-03:00</updated><title type='text'>Fran III</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-DodwtMeQUEA/TbhOSuGo0aI/AAAAAAAAAv4/NR2o6PeFNIk/s1600/dunes.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="292" src="http://2.bp.blogspot.com/-DodwtMeQUEA/TbhOSuGo0aI/AAAAAAAAAv4/NR2o6PeFNIk/s400/dunes.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;"Dunes", fotografia de Ana Martins&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #274e13;"&gt;"Fran III" encerra a trilogia em homenagem a morena mais desejada do mundo. Após "A melhor manhã de sábado da minha vida" e "A bela da quinta", é hora de me despedir de Fran e dos contos eróticos. Resolvi me aposentar dessa bela vertente literária. Acredito que o momento seja o de me dedicar a outros escritos, novas praias, areias, águas, sóis... Confesso que escrever sobre Fran foi muito mais que dar asas à imaginação: foi uma forma inventiva e saudável de lidar com minhas ideias,meus desejos e até minhas frustrações (quem não as tem?!). De uma certa maneira, Fran já vive em mim e é o maior amor da minha vida - literariamente, pelo menos.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Não sei bem de onde surgiu a obsessão. Culpei Lourenço Mutarelli e seu doentio personagem de "O cheiro do ralo". Responsabilizei a cultura brasileira e suas odes carnavalescas às curvas femininas. Em momento de provável desatino acusei a coisa em si, paradoxal por natureza, enigmática, bela, aconchegante, destino de tanta fantasia. O fato é que bunda de mulher mexe demais comigo. Por tudo quanto é canto, vivo a admirá-la, cobiçá-la, imaginá-la travesseiro de minha loucura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembro que, quando vi Fran pela primeira vez, soube que estava a vislumbrar a mais linda, perfeita, desejada bunda do mundo. O tamanho, o rebolado, o modo insinuante como se encaixava dentro de um jeans justinho combinavam maravilhosamente com coxas, pernas e calcanhares torneados em linha artesanal de montagem. Mais: a cintura e o movimento das ancas, rígidas e suculentas, permitiam ao olhar cotejar a delícia do sulco, o calor do rego, a aventura delinquente por um universo que se encerraria definitivamente no momento em que a língua se perdesse naquele volume todo bem dosado, feito para a perdição. A bunda de Fran provocou minha paixão por aquela jovem jambo, de sorriso reluzente, de semblante ingênuo, nitidamente a esconder estrepolias de uma mulher que sabia fazer uma sacanagem como nenhuma outra. Um anjo moreno, uma fêmea intensa, uma máquina de amor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fran namorava havia bastante tempo o mesmo sujeito, um cara que, de tão papalvo, "de série", instigava em mim uma onda torturante de perplexidade. Como, eu perguntava a mim mesmo, uma bunda dessas pode se oferecer a um indivíduo tão sem graça?! Por que, meu Deus - e isso me perfurava a alma -, um sujeitinho tão tãozinho tem o privilégio de foder um traseiro como o da Fran?! As revoltadas autoarguições caminhavam disso para mais, muito mais. A grande porcaria era imaginar Fran gozando naquele bosta, sendo gozada pelo cacetinho de um indivíduo quase nulo... Enquanto isso provavelmente ocorria, eu me matava de tanto bater punheta pensando na buceta de Fran, na bunda dela rebolando e esporrando no meu pau. No limite, eu estava realmente pirando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Numa quarta à tarde, após ter ido buscar um livro encomendado na &lt;i&gt;megastore &lt;/i&gt;do &lt;i&gt;shopping&lt;/i&gt;, resolvi tomar um café para relaxar e pensar na vida. Depois de dois cafés, que em vez de me acalmarem, óbvio, me exclamaram ainda mais, fato que conflitava com a preguiça que parecia gritar dentro da minha cabeça, vi Fran passar. Instantaneamente, dirigi os olhos para o seu rebolado. De calças brancas e &lt;i&gt;semibags, &lt;/i&gt;a bundinha ainda despontava, dessa vez leve, libertada dos apertos criadores de formas e silhuetas. Solta e à vontade, a bunda de Fran era ainda mais atraente e sedutora. Senti, em segundos, que meu pau desejava estourar a cueca...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao apontar no corredor que levava aos toaletes, provavelmente querendo retornar à loja em que trabalhava, Fran me avistou e percebeu que eu a fitava de modo paralisante - e isso ela já prenunciara havia algum tempo. Caminhando em minha direção, seus passos me aterrorizaram. Quando, a dois instantes de mim, puxou a cadeira a minha frente, sentou-se e disse &lt;i&gt;"Posso tomar um café aqui com você?"&lt;/i&gt;, principiei a pensar que teria um derrame, um &amp;nbsp;infarto definitivo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A mulher decidida, voluptuosa e inesquecível que iria conhecer surgia ali, naquele momento arrebatador.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Você tem algum problema com bunda? - perguntou Fran, meio irônica, meio desavisada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Hã?! - juro que não dissimulei. Eu havia mesmo sido flagrado de modo surpreendente. De onde teria vindo a matéria-prima da questão? Por que, depois de meses - eu sempre soube que ela sabia de mim! -, ela resolveu perguntar aquilo e daquele jeito?!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mulheres percebem, homem, quando são observadas. E percebem ainda mais quando são observadas de um modo particular. Sinto faz tempo que você é aficionado pela minha bunda. Sinto mesmo que você come meu traseiro com os olhos - ela esboçou um sorriso maroto, no canto esquerdo da boca estonteante...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É... é... eu... bom... - perdi as palavras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Você é bobo, homem. Mas consigo entender de verdade que sua doideira por mim não é nada desonesta, que você realmente vê algo especial em mim, de modo cativante, meio romântico, sei lá.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A surpresa, digna do próprio nome, não me impediu de dizer a ela que o que eu sentia era&amp;nbsp;inexplicavelmente&amp;nbsp;gigante e complexo. Pressenti que nunca teria uma oportunidade como aquela. Pedi um café para Fran (eu não toparia uma terceira xícara da minha bebida favorita) e me pus a falar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não sou mais um garoto Fran. Você, sim, é uma menina, uma linda, misteriosa e deliciosa menina. Eu não deveria sentir nada por você. Eu não deveria congelar meu corpo e meu espírito cada vez que fito você e sua bunda, em particular. No entanto, enlouqueço, me&amp;nbsp;desconcerto, fico à deriva só de pensar em você e nessa sua bunda deslumbrante. Você nem precisa estar por perto, eu nem preciso ver você. Minhas retinas já fotografaram seu corpo e meus pensamentos já eternizaram você em todos os meus delírios. Quer saber? Daria metade da vida que devo ter pela frente para foder você sem parar, entregar-me insaciavelmente a sua bunda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- ...&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela é que naquele momento perdeu qualquer ideia, todas as palavras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes de o café chegar à mesa, ousei segurar-lhe o braço. Ela não resistiu. Trouxe-a ao encontro de mim. Ela até facilitou. Beijei-a. Ela correspondeu de modo abertamente interessado. Entre línguas que digladiavam, um calor crescente e movimentos que já não conseguiam se conter. Nossos olhares se convidaram para sair, ir para muito longe dali. Convite reciprocamente aceito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A caminho do estacionamento, entre o frenesi de mãos e bocas que se buscavam&amp;nbsp;atabalhoadamente, disse a ela que tornaria tudo inesquecível, que iria fodê-la de modo implacável e definitivo. Ela, meio dispersa, ensaiou uma pequena gargalhada e disse: &lt;i&gt;"Estou pronta!". &lt;/i&gt;No carro, levemente molhados por uma garoa que não cessava havia três dias, aproveitamos um pátio quase vazio num meio de semana sem muitos atrativos festivos ou comerciais. Em minutos os vidros embaçados impediam que imagens do interior do carro fossem vistas por improváveis pedestres no estacionamento. Meu carro, transformado em confortável cenário de nossa delirante insensatez, mudara nossos planos: não iríamos mais a lugar algum. Estávamos no lugar certo, pleno, perfeito para a imperfeição de nossos tão humanos instintos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto nos beijávamos de modo incontido e impetuoso, Fran arriscou o aparelho de som. Na gaveta fazia semanas, o álbum "Thundersteel", dos novaiorquinos do Riot, gravado em 1988. Eu me apressei: &lt;i&gt;"É um disco clássico do heavy metal, Fran. Não ando por aí com trilha sonora para fodas dentro do carro. Infelizmente, não há outro CD por aqui... "&lt;/i&gt;. Mais uma vez, o sorriso de Fran me fez desabar: &lt;i&gt;"Amo metal. Sempre quis transar ouvindo um bom disco de metal. E esse aí parece muito bom. Vamos que vamos!"&lt;/i&gt;. Enquanto rolava "Fight for all", música de abertura do disco, Fran abria a braguilha da calça e jogava lá dentro minhas mãos, pedindo que a penetrasse bem devagar com os dedos. Ao mesmo tempo, ainda em estado de choque, percebi que ela lambia fervorosamente meus mamilos, alternando pequenas mordidas e potentes chupadas. Eu estava condenado a não voltar para a Terra depois daquela tarde.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A guitarra de Mark Reale e a voz de Tony Moore casavam como luvas, e "Fight for all" rolava solta quando Fran começou a chupar meu pau. Pela primeira vez na vida soube o que era garganta profunda. Fran levava o pau até a ponta da garganta, mexendo, mexendo, quase precipitando tudo e me fazendo gozar. Contive a fúria de Fran e voltei a beijá-la. Empurrei-a para o canto do banco traseiro, puxei suas calças e retirei-lhe a calcinha, rosa, linda e perfumada. Mordiscava-lhe os grandes lábios e a penetrava veementemente com a língua, na indubitável certeza de estar a degustar a mais deliciosa buceta do planeta. Quando já me sentia impregnado do gosto de Fran, Tony Moore arrebentava com "Bloodstreets", a minha dileta canção do Riot, uma injustiçada e quase desconhecida banda de metal. (Engraçado é ressaltar que, não obstante o esquecimento do público, a crítica especializada sempre reelege "Thundersteel" como um dos melhores álbuns do estilo em todos os tempos. Incongruências do real.)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O ritmo da guitarra de Mark Reale e a cozinha direta do baixista Don Van Stavern e do baterista Bobby Jarzombek não permitiam muitas firulas e condescendências. Fran e eu trepávamos com gosto, tesão arrebatador. No momento em que a penetrei, com todo o carro a exalar sexo, ela, em vez de gritar, suspirou, &amp;nbsp;fixou-me o olhar e repetiu três vezes: &lt;i&gt;"Come!"&lt;/i&gt;. Confesso que foder ao som de um puro e bom metal é algo quase inenarrável. Os sentimentos se animalizam, os desejos se transformam em pedra bruta, absolutamente indisposta à lapidação. Fran e Riot formavam um par perfeito: a melhor bunda e o melhor disco de metal. Uma experiência verdadeiramente marcante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando o CD alcançou "Run for your life", virei Fran de bruços e a coloquei bem estendida sobre o couro do banco. Com muita ansiedade e, a um só tempo, certa vontade de prolongar a visão de sua bunda até o infinito, beijei-lhe nádegas, lambuzei seu rego com minha saliva, apertei-lhe freneticamente o traseiro. Muito mais linda do que pude supor, a bunda de Fran era convidativa. Parecia de fato me chamar para sorvê-la, perder-me em sua imponência, perfeição. Com as mãos firmes a segurar-lhe pela cintura, encostei a cabeça do pau à entrada de sua vagina, enterrando-lhe o membro até o fim, de uma só vez. Em instantes, debruçado sobre seu corpo, senti que Fran, enfim, estava a delirar, gozar seguidamente. Enquanto os belos riffs de Mark Reale ganhavam a atmosfera úmida do interior do carro, cheguei a sentir que minha vida era tragada pela buceta de Fran; que eu seria prisioneiro permanente daquele corpo, daquele prazer imensurável.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De surpresa, como havia sido cada gesto e cada palavra de nosso encontro, perfurei o cu de Fran com o dedo médio,&amp;nbsp;festivamente. Percebi um recuo, mas só. Talvez um pouco renitente, Fran empinou um pouco mais a majestosa bunda. Senti que era a deixa. Retirei o pau de sua buceta e o enterrei no cu, apertado, indescritivelmente apetitoso. Durante os pouco mais de três minutos e meio que preenchem o tempo da canção-título do álbum do Riot, um petardo rápido e avassalador, confrontei meu pau com o rabo de Fran, intercalando suavidade e truculência, de acordo com as variações das guitarradas de Reale. Como que ensaiado, gozei no derradeiro e épico segundo da canção. "Thundersteel", o álbum, e Fran e eu, a foda, encerrávamos juntos o &lt;i&gt;show&lt;/i&gt;. Um senhor &lt;i&gt;show&lt;/i&gt;, frise-se.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tocou o celular de Fran, perdido no bolso da calça branca que, àquela altura, estava no banco da fente do carro. Era a chefe, dona da loja. Preocupada, resolveu ligar para saber o que estava a acontecer. Fran, meio sorridente, visivelmente cansada, disse que havia tido uma forte indisposição, que havia saído para tomar água e ar, que logo voltaria a loja. Frisou que tudo estava bem naquele momento. Fran pediu que eu ficasse no carro, descansasse, fosse embora mais tarde. Ela teria de retornar ao trabalho. Chegou perto de meu ouvido e sussurrou, lânguida: &lt;i&gt;"Tesudo safado!".&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma ou duas vezes por semana, sempre à tarde e dentro do carro, em lugares sempre novos, Fran e eu transávamos ao som de algum clássico do heavy metal. Combinávamos banda e álbum pelo telefone, escolhíamos o figurino e dávamos à bunda de Fran o protagonismo absoluto do encontro vespertino. A louca aventura durou uns três anos, até Fran se casar com o namorado e ir viver numa cidadezinha perdida do interior do país. Depois disso, passei a ouvir nossos discos em homenagem a ela, a mais linda bunda do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-3906124934810335895?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/3906124934810335895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/3906124934810335895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/04/fran-iii.html' title='Fran III'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-DodwtMeQUEA/TbhOSuGo0aI/AAAAAAAAAv4/NR2o6PeFNIk/s72-c/dunes.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-2893542714008279499</id><published>2011-04-22T11:51:00.000-03:00</published><updated>2011-04-22T11:51:19.436-03:00</updated><title type='text'>Verás que um filho teu não foge à luta!</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-1DP6_RRlIFM/TbGVHqSBDxI/AAAAAAAAAvU/XjLlpATv060/s1600/flu_veras.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="195" src="http://3.bp.blogspot.com/-1DP6_RRlIFM/TbGVHqSBDxI/AAAAAAAAAvU/XjLlpATv060/s400/flu_veras.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;Mariano, com a camisa 2, Marquinho e Fred, com a braçadeira de capitão, logo após o quarto gol do time, marcado por Fred, no finalzinho do jogo que classificou o FLUMINENSE para as oitavas-de-final da LIBERTADORES 2011 e para o LIVRO ETERNO DO FUTEBOL MUNDIAL!&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Fluminense viajou para a Argentina nesta semana levando na bagagem, segundo os impressionantes matemáticos midiáticos, oito por cento de chances de se classificar para as oitavas-de-final da Taça Libertadores da América. O glorioso clube das Laranjeiras levou também, um oferecimento de seus dez milhões de torcedores, cem por cento de esperança, vigor e espírito guerreiro. Em vez de acomodar esses ingredientes tão indispensáveis ao sucesso nas malas, posicionou-os no peito, na raça, na linda faixa verde que corta o uniforme número três do time, vermelho-grená em sua quase inteireza.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com quatro gols, dois de Fred, um de Júlio César, outro de Rafael Moura, o incansável He-Man, o Fluminense obteve em Buenos Aires, na noite da última quarta-feira, 20 de abril, uma vitória épica, heroica. O clube argentino tentou, empatou o jogo duas vezes, mas sucumbiu à superioridade tricolor, a qual se fez evidente desde o início da partida. Para completar a vitória mágica, o América do México, que disputava com o Nacional do Uruguai o outro último jogo da rodada e do grupo, empatou em Montevidéu, sepultando o time uruguaio e, de brinde, o argentino. Avançam agora os times mexicano e brasileiro - o mais brasileiro de todos os times de futebol, frise-se! Como tão bem destacou Rica Perrone, em adágio quase cântico... &lt;i&gt;"Se futebol é paixão, ninguém mexe nisso mais com seu torcedor do que o Fluminense. Ele não ganha, não perde, nem empata. Ele faz história."&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Telê Santana, o eterno Fio Maravilha, um tricolor apaixonado, costumava dizer que preferia que seu time jogasse bem, ainda que perdesse, a vencer sem méritos ou por razões acidentais. Ontem, na cidade portenha, quando tudo apostava em derrota, desclassificação e até vexame, o Fluminense venceu e jogou bem, dando mostras de que possui grande elenco, unidade, paixão à bandeira das mais belas cores do mundo. Mais: o Fluzão explicitou, em hostil campo argentino, que é capaz de sintetizar os desejos de Mestre Telê para um clube invencível: jogar bem, com coragem e emoção, e vencer, com brilho e espírito de intensa determinação. Na quarta-feira, entre suspiros e anseios fantásticos de sua torcida, a melhor e mais bonita do mundo, o Fluminense provou de vez por que é chamado de&lt;i&gt; "Time de Guerreiros!"&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vira e mexe, digo a todos que devo minha vida ao Fluminense. Paixão tardia (não a herdei de ninguém em casa nem vim ao mundo como um &lt;i&gt;stigmata&lt;/i&gt;), o tricolor do Rio (o único autêntico tricolor!) chegou a minha vida em momentos em que a graça e a vontade viver já não mais me preenchiam. Desde meu inesquecível time de futebol de botão, feito à mão com capinhas de relógio, goleiro de caixinha de fósforo e decalques do escudo do Flu, passando pelo meu intrigante amor pela Cidade Maravilhosa, suas praias, gente e sombras encantadoras (eu, um paulistano nascido e criado, um ser vivente no interior do Paraná!), até chegar à constatação de que a camisa tricolor me devolveu a alegria de viver quando nada me permitia sequer sorrir, o Fluminense e eu temos nos completado: hoje sei que ser tricolor é das magníficas coisas da minha vida; que ser tricolor está acima de outros "seres" meus - ao lado apenas do ser pai, ser sociólogo, ser um guerreiro em busca de liberdade e amor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na partida da última quarta-feira, o Fluminense me salvou DE NOVO, presenteando-me com os mapas para a festa da minha vida. Ainda de olhos marejando, decidi escrever o esboço destas linhas, no calor de uma vitória já eternizada no livro divino do futebol, por sentir e saber fervorosamente que o amor ao tricolor não se pode comparar o amor que se possa ter por outros clubes: amor com aura, alma, fé, milagre e explosão por viver só o Fluzão proporciona. Nelson Rodrigues, poeta e cronista do cotidiano das Laranjeiras e dos feitos mágicos do escrete tricolor, já havia confirmado o que hoje é verdade visceral: &lt;i&gt;"Pode-se identificar um tricolor entre milhares, entre milhões. Ele se distingue dos demias por uma irradiação específica e deslumbradora."&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É provável que todas essas minhas palavras sejam consideradas excessivamente apaixonadas, devedoras à razão e ao equilíbrio. Contra críticas ao meu senso de proporção, tendenciosamente branco, verde e grená, sempre me faço as mesmas questões. Há senso que possa envolver e conter uma paixão incontrolável? Há razão que sobressaia a um amor que salva uma vida e a alimenta diariamente? Com as respostas em mente, sigo amando, &lt;i&gt;tricolormente&lt;/i&gt;!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Numa quarta-feira de fim de bimestre, após dias e mais dias elaborando, aplicando, corrigindo e discutindo provas e trabalhos na universidade, a noite exalava cansaço e inspirava as semanas que ainda estão por vir. Confiante nos bons dias que me aguardam - e eu também os aguardo, ansiosamente -, pus-me diante da TV pedindo ao Flu que se mantivesse de pé até o fim, tocasse a bola, honrasse o manto tricolor e fizesse a bandeira do clube, soberana nas Laranjeiras (e em minha mesa de trabalho!), tremular feliz, orgulhosa, deificada. Fiéis aos predicados que fazem do clube o que ele é, mágico e para todo o sempre, os jogadores de campeão brasileiro dominaram tudo dentro das quatro linhas, inclusive a pressão e o nervosismo, péssimos acompanhantes em momentos delicados. Ao final do jogo, apesar de os heróis do Flu não poderem comemorar por conta da brutalidade de alguns policiais, jogadores e membros da comissão técnica da equipe argentina, eu me ajoelhei no centro da sala, levei a mão direita ao lado esquerdo do peito, memorizei a &lt;i&gt;Marcha Tricolor&lt;/i&gt; (o mais belo hino de um time de futebol, obra-prima do genial Lamartine Babo) e disse, a mim mesmo e ao mundo todo: &lt;i&gt;"Fluzão, verás que um filho teu não foge à luta!"&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já de pé, emocionado até não poder mais, julguei que havia rendido minha homenagem aos atletas e à nação tricolor em todo o planeta. Mais ainda: com sensação inequívoca de pertencer ao &lt;i&gt;Time de Guerreiros, &lt;/i&gt;imaginei-me ao lado de Nelson Rodrigues, repetindo-lhe uma de suas frases mais cativantes e verdadeiras: &lt;i&gt;"Ser tricolor não é uma questão de gosto ou opção, mas um acontecimento de fundo metafísico, um arranjo cósmico ao qual não se pode - nem se deseja - fugir."&lt;/i&gt; Afinal, Nelson... &lt;i&gt;"Grandes são os outros; o Fluminense é ENORME!"&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-2893542714008279499?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/2893542714008279499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/2893542714008279499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/04/veras-que-um-filho-teu-nao-foge-luta.html' title='Verás que um filho teu não foge à luta!'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-1DP6_RRlIFM/TbGVHqSBDxI/AAAAAAAAAvU/XjLlpATv060/s72-c/flu_veras.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-4034482365227943495</id><published>2011-04-16T15:01:00.000-03:00</published><updated>2011-04-16T15:01:39.339-03:00</updated><title type='text'>O beco das ideias</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-8hAKK9Hrfkw/TanXdYfhIPI/AAAAAAAAAvQ/-aPSGiGdyoY/s1600/casa_marx.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://2.bp.blogspot.com/-8hAKK9Hrfkw/TanXdYfhIPI/AAAAAAAAAvQ/-aPSGiGdyoY/s400/casa_marx.jpg" width="300" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;Casa onde nasceu Karl Marx, em 1818, em Trier, Colônia, velha Prússia.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ouvi algo interessante sobre a &lt;i&gt;maldade&lt;/i&gt;. Meu interlocutor, um jovem e talentoso professor, diferenciado, vocacionado &lt;i&gt;weberianamente &lt;/i&gt;ao trabalho acadêmico e ao ensino, relatava que sempre soubera da existência da inveja, da mentira, da conspiração maldizente. No entanto, disse que só soube como tudo era duro, difícil e destrutivo quando praticaram um pouco de tudo contra ele. Confessou que levara um bom tempo para se restabelecer, entender que a vida era mais, muito mais. Diante dele, refletindo sobre suas palavras de visível dor e prostração, entendi que o tema era válido, requeria, sim, meia dúzia de movimentos da minha inquietação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Leandro Konder atesta que num mundo marcado por quantificação e hipercompetitividade é complicado escapar à individualização egoísta, à tentação de juntar-se a grupelhos que existem e giram em torno de interesses mesquinhos, extremamente particularistas. Faz tempo que esses míseros interesses constituem as chamadas "panelinhas", clubinhos fechados que reúnem gente sem visão coletiva, sem olhar público, sem imaginação sociológica, uma gente contaminada pelo cinismo e pelas velhas concepções patrimonialistas da realidade - concepções essas que muitos membros do clubinho julgam odiar e combater.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando me dou a pensar sobre alguns meios acadêmicos, algumas rodas ocupadas por gente que diz brilhar, fazer pesquisa, ciência, construir saberes e conhecimentos, me vem forte à cabeça uma das máximas de Sérgio Buarque de Holanda, publicada no imortal &lt;i&gt;Raízes do Brasil (1936)&lt;/i&gt;, segundo a qual nossas elites dominantes sempre fizeram, no Brasil, a coisa pública se assemelhar ao quintal de suas fazendas e propriedades privadas, uma extensão de seus domínios, onde valem o arbítrio, a dissimulação, fuxicos e pequenezas. Eu acredito de verdade que a maldade a que se referia meu interlocutor ferido reside nesse vazio, nessa confraria de entulhos semifeudais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outra expressão que denota bem a maldade de que me falava meu cabisbaixo interlocutor é &lt;i&gt;mediocridade. &lt;/i&gt;Comparados a expoentes de suas áreas de conhecimento e atuação, os medíocres membros dos clubinhos da maldade nem embriões conseguem ser: não estudam, não publicam (a não ser textos sofríveis em periódicos de vigésima quarta categoria!), não frequentam os grandes encontros (nem convidados são!), não são quase nada mesmo. Diante de nomes de peso e de promessas no mundo intelectual, destilam sua venenosa inveja, manipulando números, favorecendo seus tristes laços de compadrio. Rejeitam os melhores e afastam perspectivas teóricas e profissionias que possam botar em xeque suas frágeis e melancólicas incompetências. Abortar o novo é o exercício predileto da mediocridade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Conheci, tal qual meu agora amadurecido interlocutor, muita gente assim, que se fez de modo estranho e suspeito, que adentrou todas as festas pela porta dos fundos, felicitados por parentesco, sentimentos de dó e altíssima comiseração. Gente ruim, esvaziada, que se repete década após década, obstruindo a novidade &lt;i&gt;agostiniana&lt;/i&gt;, aquela que dá esperança a cada nascer. Membros natos de grupelhos e conspirações fascistas - ainda, vale lembrar, que posem de democratas e arrotem uma postura ética absolutamente inexistente em seus passos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No instante em que pude perceber um breve porém profundo hiato nas palavras condoídas do meu interlocutor, pus-me, sem querer, a lembrar essas figuras, que sabem tão pouco, ostentam tanto, representam, nos mundos de que se gabam, uma micro partícula indiferente e desprezível.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Escapar à mediocridade é encostar-se nos melhores, manter a coerência, ser livre intelectualmente. Numa de minhas andanças pelos trechos de um desses clubinhos (não obstante eu estivesse realmente só de passagem), fui condenado por ser &lt;i&gt;marxista &lt;/i&gt;- nada disseram, camuflaram-se no palavrório elogioso e no ranger dos dentes à revelia da pertinência do meu trabalho (pertinente, julgo, porque franco, lapidado na lida, testado numa prática decenal de experiências múltiplas e verdadeiramente dialéticas, sempre reciprocamente referendadas).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minha opção, contudo, é mesmo a de frequentar o &lt;i&gt;beco das ideias&lt;/i&gt;. Lá, quis até dizer a meu interlocutor, convivem a genialidade de Einstein, a coragem de Gramsci, o coração de Benjamin, a decência de Weber, a grandeza de Arendt, a inquietude de Poulantzas, a generosidade de Lukács, a criatividade de Kafka, o ímpeto guerreiro de Marx, o sorriso de Konder. Em muitos momentos, a depender do papo das longas manhãs, tardes e noites, o eterno Jesus se senta à mesa e traz algumas palavras de amor, solidariedade, justiça e paz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No beco, fujo do medo, congratulo-me com o saber, com o princípio de irredutibilidade do mundo aos meus imperativos subjetivistas. Ao mesmo tempo, na doçura da dialética, aprendo a ser irredutível diante das determinações cruentas e desumanas do real. Por lá descubro que bom mesmo é aprender na diversidade, enfrentando as agruras da vida para compor uma rica unidade. No bom beco de mestres e referências, aprendi que a casa da vida tem múltiplas moradas, que o conhecimento é pluri, inter, multi, transdisciplinar, meio musical, inteiramente poético e cinematográfico. O conhecimento, ensinam-me os frequentadores do beco, é síntese de rigor e ensaísmo, pulso da responsabilidade e da certeza nada &lt;i&gt;feuerbachiana&lt;/i&gt;: entender já se entendeu, agora é hora de alterar o curso da vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só se conhece o que se persegue; só se substitui o que de fato está superado. No beco do mundo, enfim, obtive e estou sempre a renovar a chave de minha autossuperação, em busca de alguém em mim que valha a pena amar incondicionalmente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-4034482365227943495?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/4034482365227943495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/4034482365227943495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/04/o-beco-das-ideias.html' title='O beco das ideias'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-8hAKK9Hrfkw/TanXdYfhIPI/AAAAAAAAAvQ/-aPSGiGdyoY/s72-c/casa_marx.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-1485886121301939096</id><published>2011-04-16T12:11:00.000-03:00</published><updated>2011-04-16T12:11:42.225-03:00</updated><title type='text'>Um aperto de mão em C. Wright Mills</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-VDW7FWezygw/TamvaYuf7pI/AAAAAAAAAvM/TpeANdld59o/s1600/arpoador.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="298" src="http://1.bp.blogspot.com/-VDW7FWezygw/TamvaYuf7pI/AAAAAAAAAvM/TpeANdld59o/s400/arpoador.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;Pedra do Arpoador, no Rio de Janeiro, o lar do vento sudoeste (Fotografia: Remollido)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Publicado pela primeira vez em 1959, e rapidamente tornado indispensável na compreensão do saber nas ciências humanas e sociais, o livro "A Imaginação Sociológica", do estadunidense Charles Wright Mills, redefiniu toda a ecologia de saberes pertencente a Sociologia. Seu pressuposto central - o de que necessitamos mais de nós mesmos e de nossa articulação entre a consciência e o mundo - explicita-se muitíssimo bem na seguinte passagem...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;"A imaginação sociológica capacita seu possuidor a compreender o cenário histórico mais amplo, em termos de seu significado para a vida íntima e para a carreira exterior de numerosos indivíduos. Permite-lhe levar em conta como os indivíduos, na agitação de sua experiência diária, adquirem frequentemente uma consciência falsa de suas posições sociais. [...] A imaginação sociológica nos permite compreender a história e a biografia e as relações entre ambas, dentro da sociedade. Essa é a sua tarefa e a sua promessa".&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em busca da promessa da imaginação saí em busca de minhas conexões, tanto reais quanto imaginárias. Percebi que todas elas atiçam, permitem reluzir estradas e destinos, ampliar a criação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fiz viagens epopeicas: uma odisseia, outra ao centro da Terra e uma tamanha que durou quase quarenta anos, bem mais que os consagrados oitenta dias necessários para percorrer o mundo. Nesse tempo, percebi que o mundo todo estava aqui, perto, bem perto, dentro de mim, espremido entre demônios, lágrimas empoçadas, tramas e dramas hiperativadas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De repente - e realmente não mais do que de repente - de soslaio vi o ontem, o já, o depois-do-amanhã, esse tempo que às vezes se faz tão mais tarde, na fronteira perdida do quase nunca, do nunca, do nunca jamais. Havia lá um circuito poderoso de paixões: a bandeira do Fluminense Football Club a tremular, o rosto de meu filho sorrindo para mim e para a vida, a companhia esquecida, sempre aquecida, de todas as horas. Soube, num movimento de sensações um tanto quanto confusas, que a vida estava inteirinha aos meus pés, sempre estivera, à espera de meu entender, do estender de minha mão. A pergunta que me fiz, e que ressoou, ressoou, ressoou... &lt;i&gt;"Onde estava minha consciência em si?"&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Diante dos fatos e de tanta arguição autocrítica, acredito que inédita até então, inaugurei minha imaginação sociológica. Reuni minha biografia e a história à qual eu atribuí tão pouco sentido ao longo do tempo. Pesei suas inter-relações, desconectei o que era preciso desconectar, pluguei-me nas passagens do vento sudoeste, o sopro natural que anuncia mudanças. A nova direção era antiga, perfazia o trecho que já havia me feito, amadurecido, preparado para a batalha das ideias. O que agora me chegava era o carimbo do passaporte: &lt;i&gt;"Bem-vindo, senhor, ao deserto do real, onde tudo, se bem observado e trabalhado, pode voltar-se em seu favor!"&lt;/i&gt;. A voz, juro, não me era estranha. Preferi, contudo, atinar com sua excelente recomendação. Observar, &lt;i&gt;imaginar &lt;/i&gt;- sempre sociologicamente - e trabalhar a realidade!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Conectei-me ao passado, ao presente e ao futuro, reescrevi o poema que inaugurou minha revolução. Tirei do caminho a enorme pedra que lá estava, que eu mesmo havia posto por lá. Recordei Leandro Konder, que me ensinou que é no coração que vive o ímpeto revolucionário, o embrião subjetivo da mudança necessária. Novamente, uma pergunta cheia de arestas pontiagudas: &lt;i&gt;"E quem é mesmo que muda o coração?!"&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Somei, alinhei, organizei ideias, projetos e velhos programas de ação. Estava tudo pronto e ao ponto fazia bastante tempo, a aguardar o meu reencontro com a inevitável ponte do mundo - aquela que liga paisagens, pessoas, tudo que nos quer bem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cansado, porém inteiro e disposto para tudo o mais, esboço estas honestas e ainda tímidas linhas, avaliando o tom positivo de meu alívio e de minhas canções. Hora de perseguir o lugar e as circunstâncias em que tudo foi deixado, ir até lá, voando no tempo e no espaço, resgatar a semente de tudo. Agora, certeza, entendi o lindo texto do sociólogo de todas as gerações, o indispensável C. Wright Mills. Abro a janela da minha alma e lhe estendo a mão. Seu cumprimento é firme, convicto. Seus olhos brilham e um ensaio de contente sorriso se faz notar. Ele agradece a lembrança, acenando com a cabeça e praticando uma saída discreta. Seus passos o levam ao horizonte, até o mundo em que vivem os eternos. Está consumado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-1485886121301939096?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/1485886121301939096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/1485886121301939096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/04/um-aperto-de-mao-em-c-wright-mills.html' title='Um aperto de mão em C. Wright Mills'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-VDW7FWezygw/TamvaYuf7pI/AAAAAAAAAvM/TpeANdld59o/s72-c/arpoador.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-6164659019505812567</id><published>2011-04-09T20:21:00.000-03:00</published><updated>2011-04-09T20:21:10.733-03:00</updated><title type='text'>Terça-feira, cheiro e gosto do mar</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-_XInY4tJF2w/TaDpiaQ4GDI/AAAAAAAAAvE/ScfGjozybD0/s1600/mar.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-_XInY4tJF2w/TaDpiaQ4GDI/AAAAAAAAAvE/ScfGjozybD0/s400/mar.jpg" width="223" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #274e13;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;"Sea Dance One", fotografia de João de Castro&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Havia naquilo tudo algo de muito especial. Para mim, tratava-se de um ritual, uma rotina que tomava conta dos meus ânimos e ideias toda terça-feira. Saber que ela estaria lá, a dois passos, ao simples alcance do olhar, fazia uma diferença enorme. Não fosse por ela, pelo jeito de menina, a forma doce de quem espera amar, exala a transformação do sensato em loucura incontrolável, as noites daquelas hoje tão longínquas terças de três anos atrás não seriam vividas. Na verdade, pensando agora, acredito que elas não teriam sido nada, provavelmente nem possíveis. O lugar, o jeito como as coisas tiveram por imposição e burrice de ocorrer... Aquela menina, só aquela menina movia meus pensamentos, meu corpo. Naquele ano - de número par, para aumentar a contradição! - ela me permitiu imaginar um pouco mais, por um tempo a mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É da imaginação, por sinal, que ela tanto alimentou que nasce a história a seguir, misto do que eu quis, do que ainda quero e do que, é certo, jamais ocorrerá. É apenas o espectro daquelas terças se manifestando em voz alta, rondando meu desejo e se exclamando por meio de um elixir proibido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O nome dela me reaproximava do mar, fato que fazia tudo ficar ainda mais excitante. O mar, o rock, o bate-bola na areia, paixões que tenho carregado vida adentro, no peito e na raça, abraçando meu próprio tempo. Ali, na segunda fileira, disposta ao cair de meus olhos ao sudeste, canto manso, eu via o mar, sinais amendoados do ver, curvas sempre detidamente refeitas, perscrutadas pela visão de raio-x que seria incrível ter possuído naquela época... Naquele meio ano hoje perdido em minha biografia, se tivesse superpoderes, dedicaria todos eles a ela, ao desvendar da menina-mistério que enfeitava minhas fantasias, tirava meu sono, desequilibrava o professor por trás do homem sedento por paixão, desatino, prazer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Numa aula despretensiosa, cuidava de falar do conceito de ideologia. Retratei os elementos ideológicos de inversão da realidade, alienação e fetichismo da mercadoria através de exemplos tirados do dia a dia, dos programas televisivos, das baladas jovens. Acredito que não tenha exagerado ao banalizar por completo o cotidiano das novas gerações, consumistas, apáticas, desengajadas e agudamente ignorantes. Fora de seus microcosmos imediatos, não veem a ponta do próprio nariz. A indiferença da geração Z (já era o tal Y dos criativos seres do mundo virtual!), que nada tem da coragem de Don Diego de La Vega, exponencia os problemas sociais de hoje e lança para um futuro impenetrável até pela ficção científica espaços de solidariedade, justiça e paz que possam se generalizar. Ao fim da aula, como me é usual, saí meio baqueado, tocado pelas conclusões que a mim se repetem sempre, todos os dias, aula após aula, leitura após leitura dos livros e do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No balcão da cantina, entre um gole e outro de um refrigerante, ouvi a voz dela diretamente voltada para mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sua aula de hoje foi espetacular, professor. Vivemos tão depressa as coisas, tão desligados, que não vemos &amp;nbsp;tudo aquilo que você disse. Compramos, compramos, nos vendemos por tão pouco, para todo o mundo. Incrível como a ideologia nos deforma. Adorei a expressão que você usou, professor, &lt;i&gt;"pressões deformadoras de nossa visão de mundo"&lt;/i&gt;. Saio daqui muito melhor hoje, graças a sua aula!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O perfume daquela menina que me representava o mar era suave, quase pueril. Eu me arriscava a imaginar que havia algo de criminoso em meus pensamentos: sentia-me, de fato, a cotejar uma garota, que, apesar de maior de idade, cheirava a leite, meninice pura. Juro que fui capaz de perceber na ponta dos lábios, imaginariamente, é claro, a delícia e o calor da pele dela...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sabe, professor, todas as suas aulas têm me reinventado. Todos os outros professores e seus discursos de mercado me enojam. Tenho medo de ter escolhido uma profissão que não poderei seguir por constrangimento moral. Como ser publicitária depois de saber tudo que tenho aprendido com você?!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cada palavra que saía daquela boca tão bem desenhada, frágil, leve, rosa me dizia um pouco mais sobre o poder da minha vontade, do meu impulso freado de ter aquela mulher em meus braços. Refiz-me e lhe disse o que realmente ainda penso sobre o assunto em pauta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Nada a impede de ser publicitária e exercitar as coisas que julga estar a aprender. É possível, com ética e prioridades que não sejam exclusivamente mercantis, atuar no mercado de imagens e consumo com inteligência solidária, eficiência, sofisticação. Aliás é disto que se precisa tanto: saber vender o que deve ser vendido e convencer pela sabedoria, não pela ideologia das ocultações e meias-verdades. Essas coisas todo o mundo sabe fazer com maestria já.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela baixou os olhos, sorriu e me disse, erguendo lentamente a cabeça:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Quando for uma publicitária de sucesso, juro que vou fazer orgulhar-se de mim, dos meus trabalhos. Se eu só tivesse você como professor, eu já teria o que é preciso para ser gente e profissional. Muito obrigada pelas terças-feiras que serão inesquecíveis por toda a minha vida, professor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi a minha vez de baixar a guarda, disfarçar o movimento inicial de lágrimas a fugir dos olhos. A cantina estava fechando, já quase não havia alunos na faculdade. Eram quase dez e meia da noite. A van que levaria aquela menina-mulher de olhos cor de mel para sua cidade, na região metropolitana, a pegaria somente às onze e vinte. Ela era a primeira a chegar e a última a sair entre os colegas de turma. Meu horário também já estava vencido fazia tempo. A aula acabara às dez da noite.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Nossa, professor, como é chato ficar por aqui toda noite, sozinha por mais de uma hora até chegar minha van. Um verdadeiro saco. E com esse friozinho que está hoje então...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Verdade. Fazia um frio de doer naquela terça. O mês, acho, era julho, últimos respiros do semestre, pouca gente habitando corredores e dependências da instituição.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ao menos aqui dentro você está segura. Daqui a pouco sua van estará por aqui. Bom, vou ao banheiro e para casa, descansar. Foi uma noite exaustiva na sala, não? Até semana que vem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela dedilhou o ar me acenando um adeus com forte insinuação de que a coisa não pararia por ali...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Diante do espelho, torneira aberta, eu jogava água no rosto e na nuca, tentando diminuir o calor causado por aquela conversa. A presença daquela garota me desequilibrava mesmo. Eu permaneci excitado durante todo o momento em que ela esteve perto de mim. Cada olhar que ela me dirigia tornava meu tesão mais difícil de suportar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando enxugava rosto e mãos para pegar minha pasta e sair, ouvi a porta do banheiro bater. Ouvi também um incômodo&amp;nbsp;barulho&amp;nbsp;de trinco. Só de suspeitar que estava sendo preso àquela hora da noite no banheiro mais afastado do campus me deixou em pânico. Corri em direção à porta, queria evitar o pior, contar com a sorte de haver algúem no corredor ainda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às costas da porta, devidamente trancada, lá estava ela, guardando o celular na bolsa e sorrindo de um modo muito comprometedor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe, professor, disse ao motorista da minha van que iria para casa de carona com uma amiga. Ele não virá me buscar, e eu, na verdade, pretendo ficar por aqui com você. Quero mostrar na prática o que penso sobre os olhares que trocamos ao longo desses meses todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti um calafrio na espinha. Engoli a seco e percebi que gritar, resistir, argumentar, qualquer coisa, nada adiantaria. Diante de mim, já jogando bolsa e casaco no chão, havia uma fêmea que eu não descobrira nos meses de aula, nas terças de tantos devaneios. Olhos fixos, lançou seus braços atrás de mim, contraiu-me em direção ao seu corpo e mordeu com os lábios meu pescoço. Em segundos, sua língua preenchera cada poro de meu rosto, penetrando com intenso desejo minha boca. Nossas bocas passaram muitos minutos trocando fortes impressões, sussurros e algumas palavras bem sacanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Confessa, professor. Quantas vezes bateu punheta pensando em minha buceta, hein, hein?! Quantas vezes se imaginou me pegando de quatro, gozando em mim, comendo minha bunda, hein, hein?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre perguntas de respostas já bem conhecidas e salivas ardentes, fui me entregando aos movimentos de minha menina que lembrava o mar, cujo nome era parte da paisagem mais importante da minha vida. Sem que percebesse os caminhos que a levariam a tal feito, senti sua boca abocanhar meu pau. Primeiro, timidamente, apenas a percorrer a cabeça com a ponta da língua. Em instantes, atrevidamente, com a garganta a cutucar a ponta do meu pau, já em estado de erupção, pronto para o que desse e viesse. E deu. E veio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jogado ao chão, acompanhei os movimentos do quadril dela em direção a minha cabeça. Cavalgou a buceta em minha boca, gozando umas duas ou três vezes. Naquele instante, todos os corredores da faculdade eram escuridão e silêncio. Já não havia nada, apenas nós dois e as parcas luzes de emergência no interior do banheiro a ilustrar para cada um de nós corpo e sensações um do outro. Resolvi, então, virar o jogo. Livrei-me do corpo dela sobre meu olhos, deitei-a de bruços e me dobrei sobre seu corpo, enfiando com força meu pau em sua buceta. Úmidos e apertados para valer, aqueles lábios da buceta me fizeram libertar obscenidades...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora diga há quanto tempo sonha em ser currada por mim de bruços, há quanto tempo imagina meu pau perfurando com força sua buceta, há quanto tempo enlouquece só de imaginar meu pau desse jeito, socando feito uma metralhadora sua bunda... Diga!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela gemia, gritava e não parava de dizer: "Mais, mais, mais!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantei-a pelas ancas, deixei-de quatro, pedi que empinasse a bunda. Ergui meu corpo, fiquei de pé, só um pouco curvado pelos joelhos. Enfiei sem muita cerimônia (apenas com auxílio de alguns cuspes desbravadores) a cabeça do pau no cuzinho dela. O melhor cuzinho de todo o mundo, sem sombra de dúvida. Quando pressenti a entrada sem muita dificuldade e a resistência zero dela, cravei o resto até o talo. Aí, sim, ouvi um grito que não escondia a mistura perfeita de dor e prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Filho da puta!, ela exclamou com fúria. - Come esse cu, come, filho da puta, me faz sangrar de dor e tesão, caralho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucos minutos depois estava encharcando aquele cu maravilhoso de porra. Sentei-me, exausto, e ainda pude viver a delícia de ter aquele menina beijando minha boca, suavemente, e acariciando meu pau, destinatário das honras de um verdadeiro herói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enrolamo-nos em casacos, blusas, tudo que encontramos. O calor de nossos corpos e almas, contudo, já era suficiente para driblar o frio que viria madrugada adentro. Pela manhã, saímos quando os funcionários da escala abriram os corredores, antes de qualquer sinal de aluno, professor ou burocrata. De carro, levei a mulher com nome, cheiro e gosto de mar até sua casa, algumas cidades no percurso ao sul. Não trocamos uma palavra, apenas sorrisos, canções pelo rádio e a promessa, de nossos olhares, que outras terças-feiras agora poderiam se repetir às quartas, sextas, domingos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo dia seria terça-feira para nós. Todo dia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-6164659019505812567?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/6164659019505812567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/6164659019505812567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/04/terca-feira-cheiro-e-gosto-do-mar.html' title='Terça-feira, cheiro e gosto do mar'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-_XInY4tJF2w/TaDpiaQ4GDI/AAAAAAAAAvE/ScfGjozybD0/s72-c/mar.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-633059498675668690</id><published>2011-04-09T14:14:00.001-03:00</published><updated>2011-04-09T20:21:57.369-03:00</updated><title type='text'>Questão de Método</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-k55Wv2IPZzA/TaCTmPHbmhI/AAAAAAAAAvA/rTBnaFRMpUw/s1600/nanda.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-k55Wv2IPZzA/TaCTmPHbmhI/AAAAAAAAAvA/rTBnaFRMpUw/s400/nanda.jpg" width="266" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #38761d;"&gt;&lt;b&gt;A atriz Nanda Costa, em fotografia de J. R. Duran, para a Revista TRIP&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A paisagem, quando ainda inteira&lt;br /&gt;prendia meus sonhos, sufocando as energias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje a paisagem, não obstante olhos só a queiram bela&lt;br /&gt;é fragmentada, apresenta pontos de escuridão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre a luz que aprisiona e a treva que permite sonhar&lt;br /&gt;pinto de preto meu mundo&lt;br /&gt;observando o velho caminho&lt;br /&gt;lendo antigas pistas&lt;br /&gt;desejando mais um vez - e de novo!&lt;br /&gt;interrogar-me para de fato conhecer&lt;br /&gt;ser livre, viver&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém disse&lt;br /&gt;e estava mesmo coberto de razão&lt;br /&gt;que a ortodoxia é pura e duradoura questão de método&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora sim - e mais uma vez!&lt;br /&gt;estou de volta à negra e iluminada contramão&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-633059498675668690?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/633059498675668690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/633059498675668690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/04/questao-de-metodo.html' title='Questão de Método'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-k55Wv2IPZzA/TaCTmPHbmhI/AAAAAAAAAvA/rTBnaFRMpUw/s72-c/nanda.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-2443745726357015894</id><published>2011-03-21T13:50:00.001-03:00</published><updated>2011-03-21T14:00:16.307-03:00</updated><title type='text'>À la Matrix</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh6.googleusercontent.com/-VukDn7vSI88/TYeDvS9ZOsI/AAAAAAAAAug/pYrT6o3Ow-M/s1600/flor_da_pele.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="338" src="https://lh6.googleusercontent.com/-VukDn7vSI88/TYeDvS9ZOsI/AAAAAAAAAug/pYrT6o3Ow-M/s400/flor_da_pele.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #660000;"&gt;"À flor da pele", fotografia de M.C. Pial&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Jogaram os próprios pés para o arrepiante espaço entre o mar e o resto do mundo. Entregues à vida, perderam-se na embriagada, louca e sempre lúcida atmosfera da insensatez. Reconheceram-se apaixonados e puderam, enfim, transferir suas fantasias um para o outro. Eram agora um do outro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Clamaram pela firmeza dos olhares trocados que logo chegasse o ponto máximo do encontro. Sob a vigília atenta e permanente do Sol, naquele instante temperado por uma generosa primavera de leves ares, gozaram um no outro. Mais uma vez rubricaram a sentença: confirmaram ser mesmo um do outro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Horas depois, mãos dadas em passeio pela orla, momento maior do vento sudoeste, romperam silêncio e sorriso por meio de um beijo longo, intenso, divino. Em segundos, provocaram suspiros e uma jura surgiu no ar, voz calma e segura, absolutamente surpreendente: ela disse que o amava, para sempre e até bem depois do fim do mundo!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Preenchidos no espírito e no corpo, despediram-se na certeza de terem se encontrado um no outro. Perdidos em seus próprios pensamentos, sintonizaram as estações do coração: queriam muito mais para o dia seguinte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O vermelho e o rosa, a resistência a resignação, a esquerda e a direita fizeram juras de amor praticando o feito amoroso, proclamando o impulso de seus desejos à testemunha da acreditada eternidade. Um bom tempo se passou para que o vazio voltasse ao seu lugar. Fato é que, enamorados e sedentos de paixão, esqueceram-se de teorizar os percalços de tão contraditória união. Sem o cais, a brisa do mar, o amor a mil sóis, a paixão - que era prática pura - se apagou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Converteram-se em promessas que sabiam frágeis. Adiaram o &lt;i&gt;para sempre&lt;/i&gt; e não sobreviveram à ideia de permanecer vivos no mundo após o seu fim. Houve dois ou três ensaios antes da despedida. Duas ou três ilusões também foram responsáveis pelo querer tanto insistir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem o generoso Sol da calmaria de flores ou da lua cheia de belas noites de verão, disseram adeus em meio às tempestades de um cotidiano qualquer. Era hora, enfim, de recobrar o juízo e voltar a viver.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estavam de volta e foram acolhidos pelo deserto do real. À la Matrix, morreram sonhando durante um imenso e inesquecível sonho bom.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-2443745726357015894?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/2443745726357015894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/2443745726357015894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/03/jogaram-os-proprios-pes-para-o.html' title='À la Matrix'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh6.googleusercontent.com/-VukDn7vSI88/TYeDvS9ZOsI/AAAAAAAAAug/pYrT6o3Ow-M/s72-c/flor_da_pele.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-722554003871141161</id><published>2011-03-21T11:15:00.000-03:00</published><updated>2011-03-21T11:15:22.453-03:00</updated><title type='text'>Nela</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh4.googleusercontent.com/--HggBjzkWxY/TYddMjkGBTI/AAAAAAAAAuc/S9JiIeqMWX0/s1600/nela.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="https://lh4.googleusercontent.com/--HggBjzkWxY/TYddMjkGBTI/AAAAAAAAAuc/S9JiIeqMWX0/s400/nela.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;Fotografia de André Luiz Pires&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Faz tempo que não faço versos&lt;br /&gt;não proseio poemas&lt;br /&gt;não observo o mundo pelo olhar das palavras&lt;br /&gt;substantivas, intransitivas&lt;br /&gt;predicados de toda a sensibilidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz também muito tempo&lt;br /&gt;que desacreditei daquilo em que cria&lt;br /&gt;recria, inventa, ilumina o necessário &lt;i&gt;não&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há tantos negares em tantos lugares&lt;br /&gt;não-lugares vazios e intranquilos&lt;br /&gt;puro conformismo, medida da vida&lt;br /&gt;pelo pequeno molde dos breves mundos&lt;br /&gt;distante povoado, agora empoeirado&lt;br /&gt;fechado, alérgico à luz e ao amanhã&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem correntes por toda a parte&lt;br /&gt;danificando a resistência&lt;br /&gt;fragilizando o grito por liberdade&lt;br /&gt;fabricando a estupidez&lt;br /&gt;obstruindo a esperança&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o universo que não será nosso&lt;br /&gt;ainda que tudo começasse outra vez&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No horizonte, somente a compulsão&lt;br /&gt;o limite da minha humana instabilidade&lt;br /&gt;Pensamento fixo, ideia obsessiva&lt;br /&gt;Vivo pelo remelexo imaginário do corpo daquela mulher&lt;br /&gt;jambo, perfeita, intocada&lt;br /&gt;A mulher - nunca minha quanto nunca nada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autocontrole, não o possuo&lt;br /&gt;intuo, pontuo, circulo&lt;br /&gt;Sonho acordado perder-me nela, toda&lt;br /&gt;sempre, muito mais (hipérbole de meu risonho prazer ausente)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viro o mundo, se puder&lt;br /&gt;para debruçar-me sobre ela&lt;br /&gt;mexer, ensandecer, tardar-me nela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazia realmente bom tempo&lt;br /&gt;que não confeccionava versos&lt;br /&gt;Verso-me agora na imagem que se faz&lt;br /&gt;dela, nela, só por ela&lt;br /&gt;a distância&lt;br /&gt;em movimento&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-722554003871141161?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/722554003871141161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/722554003871141161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/03/nela.html' title='Nela'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh4.googleusercontent.com/--HggBjzkWxY/TYddMjkGBTI/AAAAAAAAAuc/S9JiIeqMWX0/s72-c/nela.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-3287163783506356184</id><published>2011-02-19T21:18:00.000-02:00</published><updated>2011-02-19T21:18:24.870-02:00</updated><title type='text'>A bela da quinta</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Tl20ohh-aFQ/TWBDFUzhW_I/AAAAAAAAAuY/hCOnatRRwmM/s1600/gotas.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-Tl20ohh-aFQ/TWBDFUzhW_I/AAAAAAAAAuY/hCOnatRRwmM/s400/gotas.jpg" width="276" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #660000;"&gt;"Gotas Atrevidas", fotografia de João Paulo Redondo&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu haveria de ler o bilhete todos os dias, anos a fio. A despedida à qual aquelas nunca negadas palavras se referiam marcara o melhor de todo o meu mundo. Depois daquelas linhas tão firmes e decididas, uma provocação ao futuro, passei a entender amor e loucura como sinônimos incontestáveis e bastante intransigentes.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eram aproximadamente sete da noite. A caminho de casa, esforçava-me para não me irritar com a lentidão do trânsito. Garoa fina, milhares de carros encavalados numa via estreita, único acesso ao bairro em que resido. Acostumado ao trânsito absurdo de uma cidade litorânea ainda não metropolitana, relaxei com fé dentro do carro e botei um CD do Gary Moore. Fran havia me presenteado dois dias antes com um álbum duplo daqueles, um&lt;i&gt; best of &lt;/i&gt;espetacular do mago celta da guitarra bluseira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desafeito à música em alto volume, ajustei o som do carro para que eu fosse o único a ouvir as canções de Moore. É detestável aquele tipo de sujeito que adora brindar os ouvidos alheios com música de questionável gosto. Enfim, Moore foi quem me congratulou com a empolgante "Cold Day in Hell". A música inteira não me viu percorrer mais de vinte metros naquele congestionamento absurdo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nove ou dez músicas depois, entre as quais "Still Got the Blues", linda e envolvente ao extremo, apontei o carro para a entrada do prédio em que moro. Irritante é saber que, aos domingos ou em horários menos concorridos de segunda a sábado, eu faço o mesmo percurso em menos de quinze minutos - naquela noite de quinta-feira, no&lt;i&gt; pós-rush&lt;/i&gt; infernal de sempre, eu levei mais de uma hora. É-me invariável a sensação, no tumulto urbano da modernidade tardia, de que possuo os olhos esbugalhados do &lt;i&gt;anjo da história&lt;/i&gt;, de Walter Benjamin, varrido pelo sinal do tempo que muitos estufam o peito para chamar de progresso...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao destravar a porta do apartamento, no vigésimo segundo andar - nunca entendi por que optei por morar no edifício mais alto da cidade, no penúltimo pavimento -, senti o perfume de Fran no ar. O delírio suave de sabê-la perto logo deu lugar a um calafrio paralisante na espinha. Simone, estagiária do instituto de pesquisas de opinião e estudos de mercado em que trabalho, havia passado a noite anterior, a de quarta-feira, em casa. Era provável que tivesse também passado algumas horas manhã seguinte, já que tive de sair cedo e a deixei, linda, nua e de bruços, sobre a minha cama. Crimes perfeitos? Decididamente, eles não existem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Desde quando arruma a cama pela manhã, Eli? - Fran escondia atrás de um nada dócil olhar de calmaria uma fúria prestes a se insurgir contra mim. Esqueceu-se dos sempre bem-vindos&lt;i&gt; olá&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;boa noite&lt;/i&gt;, coisa e tal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não arrumei a cama, Fran. Você sabe que quem faz isso aqui em casa é a Guta. - botei a culpa na empregada, imediatamente, sem pestanejar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E desde quando Guta aparece por aqui às quintas-feiras? Há meses durmo aqui toda quarta-feira e eu nunca a vi chegar na manhã seguinte. É coincidência ela ter vindo no único dia em que tive uma viagem apressada e de última hora para fazer? - a calmaria aparente dos olhos de Fran cedia espaço para um furacão iminente e devastador.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Fran, meu amor, quer a verdade? Acredita que ela possa nos fazer algum bem? O que está feito está feito. Deixemos esse papo para lá. - tentei dissimular e senti um gosto amargo na boca, sabor, provavelmente, de covardia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Verdade?! Você não vai me dizer que trouxe uma vagabunda para dormir no meu lugar, sob meus lençóis, vai?! Você comeu uma piranha enquanto eu estava viajando, Eli?! - fodia-se de vez a tranquilidade do olhar. Eu só podia ver ódio, ranço, desejo de me esganar...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Simone esteve aqui, Fran... Fizemos um jantar, ouvimos o álbum do House of Lords, o de 1988, que eu amo, você sabe disso, conversamos, rolou, rolou, Fran... E foi só. Nada de mais. Somente sexo, sem mentiras nem videotape. A coisa acabou em si mesma...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fran se sentou, apoiou os cotovelos sobre os joelhos e acomodou o rosto nas palmas bem abertas das mãos, cobrindo o rosto, tentando se esquivar da raiva, do eco do que eu acabara de dizer. Permaneceu na mesma posição por minutos que me pareceram horas, dias. Perplexo diante de minhas próprias atitudes - transar com Simone de modo fácil, meio leviano, e contar tudo a Fran quase sem pudor algum -, permaneci em silêncio, encostado a uma das paredes da sala, ao lado da janela principal. Aproveitei para descansar o olhar no mar, nas pessoas que caminhavam em paz pela orla, numa noite quente de verão, embelezada pela partida &amp;nbsp;da chuva fina.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Algum tempo depois, minutos que se converteram em intermináveis horas imaginárias, Fran, lentamente, se levantou. Passos leves, dirigiu-se até mim e, com força, abraçou-me pelas costas. Seu rosto, colado a meu dorso, contraiu-se tenazmente, declarando naquele abraço ternura e desejo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem muito mais, levantou minha camisa e começou a percorrer minhas costas, da cintura à nuca, com a ponta da língua. Ao mesmo tempo, com uma das mãos já dentro de minha calça, socava forte meu pau, numa masturbação vigorosa e enlouquecedora. Cruzando os braços em forte movimento, pôs-me de frente para ela, agachou-se a abocanhou meu pau inteirinho. Notei que, levemente engasgada, Fran sorriu desenvergonhadamente, fato que logo se juntou à bela imagem de sua mão esquerda a acariciar, também com ímpeto e velocidade, o clitóris. Segundos depois, vi que Fran havia enterrado três de seus dedos na buceta. Garganta profunda e buceta preenchida por movimentos de dedos ensandecidos: a imagem mais perfeita que conheci do prazer. Outro presente de Fran!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Morena de olhos profundos e perfurantes, dona de um corpo exuberante e esculpido por anjos, Fran se ergueu e se lançou ao sofá, onde, de pernas bem abertas, colocou-se de frente para mim. Indicou o caminho: &amp;nbsp;exigiu que lhe chupasse a buceta. Com as mãos de Fran segurando minha cabeça, fui completamente conduzido por ela no sexo oral. Foi ela que deu o ritmo e impôs a força de cada movimento de minha língua. Eram nítidos e fantásticos os vários gozos de Fran em minha boca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De repente, girou o corpo e se posicionou de quatro, empinando de modo impressionante e sedutor a bunda. Quando me preparei para penetrar-lhe a buceta ouvi um contundente &lt;i&gt;não&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Lambe meu cu, seu filho-da-puta!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fran nunca tinha se comportado daquele jeito. Não dizia palavrões, não se masturbava na minha frente. Até para chupar meu pau dava sinais de constrangimento e pudor exagerado. Como num passe de mágica, ali estava eu, chupando um cu delicioso e entalando quatro dedos de minha mão numa buceta que, frondosa, me parecia inédita, fabulosamente naquele instante descoberta...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minha transa&amp;nbsp;despretensiosa&amp;nbsp;e imatura com Simone, muito menos sedutora e bela que Fran, teria lhe despertado desejos reprimidos e guardados a sete chaves?! Toda aquela fúria sexual seria ódio ou a consagração de uma paixão arrebatadora por mim?! A essas perguntas, soube mais tarde, eu nunca obteria respostas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Úmida em excesso e inteiramente lambuzada por suor, saliva e secreções, Fran vaticinou que comesse seu cu. Muitas vezes, eu pedi a Fran que conversássemos sobre sexo anal, falei de meu desejo em relação ao assunto. Ela, contudo, não desenvolvia a conversa, travava, mudava de prosa. Eu sentia, portanto, que o tema era tabu e que ela, decidida, não falaria de sexo anal nem o faria comigo. Pus um ponto final na história. Pelo menos até aquela noite de quinta-feira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não quero nem a sombra do teu pau na minha buceta. Soca com raiva esse pau no meu cu e goza lá dentro que nem um cavalo! Vai, desgraçado!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela estava mesmo enlouquecida, completamente fora de si. Eu, no entanto, atendi criteriosamente seus pedidos e acatei diligentemente sues imperativos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem qualquer cerimônia, fui até o talo no cu de Fran. Aos gritos, ela chorou muito. Em alguns instantes, imaginei que ela fosse pedir para parar. Nada! Recitava feito um mantra:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Arrebenta meu cu! Arrebenta meu cu! Arrebenta meu cu!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O cheiro de sangue e a coloração vermelha em meu pau e no rego de Fran não demoraram a surgir. Em meio a dor compartilhada e a ações mutuamente descontroladas, gozei no fundo do cu de Fran, segurando-a firme pelas ancas, prendendo seu corpo ao meu de modo insolvente, delirante. Ao fundo, pude ouvir, do despertador musical do quarto, programado para me lembrar às 22 horas que precisava enviar relatórios por e-mail, a linda e nunca tão oportuna "Hearts of the World", do primeiro e eterno álbum do House of Lords.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando retirei meu pau de Fran, saciado e ferido à exaustão, ela desabou sobre o sofá, recolheu uma almofada junto ao peito e indicou as costas para que eu me deitasse também. De conchinha, dormimos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Horas depois, despertei por conta da forte luz solar que invadiu a sala. Eu tinha mesmo apagado completamente. Fran não estava em lugar algum do apartamento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em cima da mesa da cozinha, embaixo de uma garrafa com café quentinho, o bilhete:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Adeus, Eli. Por favor, não me procure mais. Se puder, conviva em paz com as lembranças quase surreais do que vivemos ontem à noite. Tenho certeza de que jamais você terá algo sequer parecido com aquilo! Daqui por diante, valorize o que tem, Eli!&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;Beijos,&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;Fran&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nunca mais vi Fran. Nunca mais tive uma bela e surpreendente noite de quinta-feira.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-3287163783506356184?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/3287163783506356184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/3287163783506356184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/02/bela-da-quinta.html' title='A bela da quinta'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Tl20ohh-aFQ/TWBDFUzhW_I/AAAAAAAAAuY/hCOnatRRwmM/s72-c/gotas.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-1303517737807351126</id><published>2011-01-08T15:08:00.001-02:00</published><updated>2011-01-10T19:21:39.145-02:00</updated><title type='text'>A melhor manhã de sábado da minha vida</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TSiXN5iAd9I/AAAAAAAAAsU/UvzIOOay5oQ/s1600/modigliani.gif" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="276" src="http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TSiXN5iAd9I/AAAAAAAAAsU/UvzIOOay5oQ/s400/modigliani.gif" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #38761d;"&gt;"Red Nude", obra de Amadeo Modigliani, de 1917&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os tempos eram outros, bem outros. Os velhos sabores da infância não passavam de poeira na memória, resquícios da ilusão de que a vida seria para sempre leve, plena de significados e infinitas conexões. O tempo passara, e eu já era um homem contagiado pelo mundo real, buscando na casa de praia de meus avós, talvez o único símbolo material que restara da unidade familiar e da aproximação entre parentes, um pouco de quietude espiritual para poder enfrentar mais um ano de existência adulta, com trabalho, dificuldades, cobranças, desafios, expectativas... Os dias por ali, portanto, eram muito menos por amor em família nas festas de fim e início de ano e muito mais para me afastar da loucura da assim chamada cidade grande.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Havia um ano que minha mulher deixara minha casa para viver com seu &lt;i&gt;personal trainer&lt;/i&gt;. As ginásticas matinais que sempre considerei estranhas e suspeitas tinham, enfim, provocado seu efeito desejado. A apatia e a distância entre nós, vidas quase paralelas, sem recheio nem substância de visões de mundo confluentes, anunciavam que isso aconteceria &amp;nbsp;a qualquer momento. Restava apenas saber quem teria coragem de dar o pontapé na já murcha bola, fixa e indelével na marca de nossos pênaltis conjugais. Ela correu, deu de bico e fez seu grande gol.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passada a véspera de Natal, mesa farta e dispendiosa, exageros pequenos-burgueses, a manhã seguinte revelava uma casa nua, com mínimos sinais de presença humana. O excesso de vinhos e licores iria mesmo colocar todos de molho até o início da tarde. Tios e primos de cidades distantes, namorados e namoradas absolutamente estranhos, sobrinhos adolescentes e suas gírias incognoscíveis, papos de outras galáxias, gente de outros mundos. Natal e Ano Novo em família traziam os personagens da mediocridade ultramoderna: palavras contadas e pensadas, gestos ensaiados, cinismo preparado ao longo de meses com finos ingredientes de nossa cultura ocidental de aparências e sombras. Eu, é claro, fazia jus à fama de "tio torto", "comunista", "artista exótico". Falava pouco, não me prestava a sorrisos amarelos, preferindo um livro a puxadas de papo meramente formais e que a nada levariam. Meu comportamento, entretanto, não espantava ninguém, uma vez que havia sido temperado ao longo de décadas pela imagem marginal de cineasta e fotógrafo. (&lt;i&gt;Como se vive assim, no Rio, de praia em praia, sem responsabilidades e coisa e tal? &lt;/i&gt;- essa era provavelmente a pergunta que faziam uns aous outros a toda hora.)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na manhã de desertos da alma, casa de corredores vazios e de bela luz matinal a atravessar as&amp;nbsp;venezianas&amp;nbsp;entrecortadas, optei por um banho no corredor de cima, onde ficavam os cinco ou seis quartos da morada litorânea da &lt;i&gt;família Rossi. &lt;/i&gt;É inegável o bom gosto arquitetônico e a inteligência para dispor cômodos à luz natural que tinha meu avô, provavelmente o último visionário desta família tão apagada, sem contrastes nem talentos. Filhos, filhas, netos e netas, todos burocratas, almofadinhas de escritórios de advocacia ou negócios imobiliários, com alguma bosta de&amp;nbsp;&lt;i&gt;MBA &lt;/i&gt;em uma merda qualquer de faculdade que existe aos montes por aí. O velho &lt;i&gt;Rossi&lt;/i&gt;, caso se importasse com essa porcaria toda, estaria triste. Como dava com os ombros para isso tudo - &lt;i&gt;"São uns cocôs"&lt;/i&gt;, dizia sempre -, segue feliz lá na eternidade, contaminando o céu com sua visão privilegiada de tudo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pelo meio do corredor, a caminho do banho, percebi que do terceiro quarto à esquerda saía uma canção suave, uma &lt;i&gt;baladinha hard&lt;/i&gt; só a voz e violão. Como a porta estava apenas encostada, deixando uma boa fresta para o entendimento do que havia em seu interior, arrisquei-me a saber quem dormia ali e quem era a pessoa com tão bom gosto para músicas de manhã de sol e numa casa de frente para o mar. De olhos fechados - bem fechados, não é, Kubrick?! -, lá estava ela, em leves remelexos corporais, embalada pelos dedilhados ao violão de Richie Kotzen e pela rouca voz de Bret Michaels. A linda canção do Poison, um acalanto àquela hora, me permitiu fantasiar a beleza em sua forma mais pura: de corpo escultural, Fran, a bela entre as belas durante a ceia de Natal, cobria-se apenas de uma delicada lingerie branca, parte de baixo, deixando desnudados seios perfeitos, em cor, medida, chances dadas à loucura. Pernas dobradas, pés dançantes, dava sinais de que já se anunciava à manhã do dia de Natal. Perdido entre sua dança e sua beleza, eu não percebi que me vira. Quando ouvi&amp;nbsp;&lt;i&gt;"Eli, que quer, tudo bem?", &lt;/i&gt;debrucei-me sobre a vergonha e a total ausência de desculpas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Bom dia, Fran! Feliz Natal! A porta estava aberta... a música... Poison...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- &lt;i&gt;Native Tongue&lt;/i&gt; é o álbum definitivo deles, não? - ela perguntou, com um sorriso explicitamente acolhedor. - Essa é uma versão acústica do CD, com essas baladas de arrepiar! - completou, feliz à exaustão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Fui chamado pela canção. É &lt;i&gt;Until You Suffer Some&lt;/i&gt;, não? - disfarcei, visivelmente encabulado. - Quando esse disco saiu, em 1993, você ainda era uma menina. Como passou a gostar desse tipo de música, de &lt;i&gt;hard rock&lt;/i&gt;? - dei meia volta na saia justa...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ah, foi com um namorado que tive na faculdade. Ele era desses roqueiros fora de moda, só ouvia música antiga, coisas &lt;i&gt;out&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As conclusões de Fran sobre o ex-namorado me deixaram duplamente perplexo: primeiro, senti-me velho, desses que estão fora de moda; segundo, me considerei ainda mais &lt;i&gt;out&lt;/i&gt;, um depravado à porta do quarto de uma ninfa de calcinha e peitos esculpidos em sonho. Quase saí correndo, mas uma atração inexplicável me manteve ali, parado, à espera sabia-se lá de quê.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O Poison é da última safra &lt;i&gt;hard &lt;/i&gt;dos 90'. E esse disco, o &lt;i&gt;Native Tongue&lt;/i&gt;, é um clássico, o único com as guitarras mágicas de Richie Kotzen. Depois de 93' e 94' o &lt;i&gt;hard rock&lt;/i&gt; americano foi atropelado pelo tal do &lt;i&gt;grunge&lt;/i&gt;. O bom &lt;i&gt;hard &lt;/i&gt;está em coma, mas ainda não está liquidado. Ouvir essa música numa manhã de Natal tão bonita me fez lembrar das boas coisas da vida... - esbanjei cultura &lt;i&gt;pop &lt;/i&gt;e, de certa maneira, dei uma cantada em Fran, aproximando a canção que ouvia e a glória de viver.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É verdade. Detesto &lt;i&gt;grunge&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;stoner&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;indie&lt;/i&gt;, essas coisas todas. Não têm substância, &lt;i&gt;feeling&lt;/i&gt;. O &lt;i&gt;hard &lt;/i&gt;oitentista era pura emoção um estilo de vida. Nossa, como é bom conversar sobre as coisas de que gosto, encontrar alguém diferente! O mundo é tão mais do mesmo, não? - perguntou, após demonstrar êxtase pela descoberta de um homem de quase quarenta anos a cultivar hábitos distintos dos da multidão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Concordo - as palavras já não me vinham mais...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fran, clicou o botão de pular faixas de seu som portátil umas duas ou três vezes e botou &lt;i&gt;7 Days Over You&lt;/i&gt; para tocar. Uma versão &lt;i&gt;unplugged &lt;/i&gt;extremamente intimista, que exalava sexo pelas ventas, ou melhor, pelas cordas vocais e do violão de Michaels e Kotzen.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vem aqui, vem - chamou, com lascívia transparente,&amp;nbsp;inescusável&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Magnetizado pelo olhar de Fran e atraído pelas chamas que seus seios lançavam em minhas retinas, dispensei o juízo e qualquer motivo que pudesse gritar um &lt;i&gt;não &lt;/i&gt;a minha consciência. Dei alguns passos e já estava com a boca em sua boca, num lânguido e excitado cruzar de línguas e lábios.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Chupa minha buceta! - imperativa, desde o início, a linda Fran.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto retirava minha bermuda e arrancava de qualquer jeito minha camiseta, mantive o cuidado, sei lá como, de não desgrudar minha boca do corpo de Fran. Percorri os seios demoradamente, mas demoradamente mesmo, à medida que meus dedos abriam caminho entre suas pernas, fazendo-lhe suave massagem nos grandes lábios e perfurando, com um dedo e tranquilamente, a buceta mais gostosa que tocara em minha vida. A essa altura o CD já tocava a comovente &lt;i&gt;Theatre of the Soul&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Absorto em pensamentos miraculosos, chupei com afinco e muita paciência a buceta de Fran. Ela ensejou que minha língua se movesse de todas as formas e em todos os sentidos. Entre um movimento e outro, enfiava-a bem fundo, a ponto de sentir toda a vibração interna do corpo de Fran na ponta de meus lábios, como um choque, uma correnteza de energias humanas mais vivas do que nunca. Senti que ela não teve cerimônia alguma para gozar umas duas vezes em minha boca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No momento em que Fran abocanhou meu pau, sustentando-o com as mãos em sua base, enterrando-o no fundo de sua garganta, Michaels e Kotzen me inebriavam com a inesquecível versão acústica de &lt;i&gt;Something to Believe In&lt;/i&gt;, do álbum &lt;i&gt;Flesh &amp;amp; Blood&lt;/i&gt;, de 1990, época em que o guitarrista da banda era o polêmico C.C DeVille. A calmaria da canção aliou-se às sensações impressionantes que vazavam de meu corpo. Sem recato nem limites, Fran sorvia meu pau com fúria, detonando-o numa maré de prazer incomensurável. Esforcei-me como um titã para não esporrar em sua boca...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em estado de pura transcendência, estava já em outro plano quando Fran engatou meu pau em sua buceta, iniciando uma série memorável de cavalgadas deliciosas. Tocando devagar o ritmo do sexo, Fran queria prolongar nosso prazer. Deitou-se de lado, virou-se de bruços, comandou o mais incrível &lt;i&gt;papai-e-mamãe&lt;/i&gt; da minha história. A cada nova posição, fazia questão de, diligente e carinhosamente, mostrar ao meu pau o caminho certo, da gruta fabulosa do delírio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Novamente sobre mim, rebolando como uma diva de contos eróticos, Fran vaticinou:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Goza na minha boca! - num outro imperativo incontestável.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Posicionei-me em pé, ao lado da cama. Enquanto preparava meu pau, com a mão direita, para a gozada da minha vida, a mão esquerda segurava Fran pelo rabo-de-cavalo, adereço potencial de parte substantiva de minha loucura naquela manhã de dezembro. Quando &lt;i&gt;explodi&lt;/i&gt;, toda a porra do mundo cobriu-lhe o rosto, bochechas, lábios, pescoço, parte do lindo nariz, empinado e delicado. Com estilo - mulher de requinte, Fran -, minha diva recolheu cada gota de esperma esparramada por seu rosto e encaminhou-as à boca, não se esquecendo de me deixar claro de que estava a engolir absolutamente tudo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O sorriso de satisfação de Fran, agora recostada em meu corpo, pernas entrelaçadas, a mordiscar meus lábios, era decorado por &lt;i&gt;Lay Your Body Down&lt;/i&gt;, que a dupla Kotzen e Michaels escolheu para encerrar a sessão acústica de suas belas canções oitentistas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- A melhor manhã de sábado da minha vida, Eli! - exclamou Fran entre suspiros e nítidas declarações amorosas de alegria, realização.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com o sol ainda mais intenso e frondoso a invadir o quarto pelas lâminas semiabertas da veneziana que nos protegia do mundo, intuí que havia encontrado o que tanto queria - e que começava também a entender a bobagem dos muito obscuros motivos que me fizeram acreditar que o amor não existia em lugar algum. Naquele momento, ainda a recuperar forças e a sorrir desconcertadamente para a minha própria alma, pude me virar para Fran e dela ouvir: &lt;i&gt;"Feliz Natal, Eli!"&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-1303517737807351126?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/1303517737807351126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/1303517737807351126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2011/01/melhor-manha-de-sabado-da-minha-vida.html' title='A melhor manhã de sábado da minha vida'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TSiXN5iAd9I/AAAAAAAAAsU/UvzIOOay5oQ/s72-c/modigliani.gif' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-8128797940427122572</id><published>2010-12-24T13:47:00.000-02:00</published><updated>2010-12-24T13:47:39.501-02:00</updated><title type='text'>Novo tempo</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TRTAMPP6U0I/AAAAAAAAAoY/QmQhBP4zXOA/s1600/ano_novo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="225" src="http://3.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TRTAMPP6U0I/AAAAAAAAAoY/QmQhBP4zXOA/s400/ano_novo.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #38761d;"&gt;"Feliz Ano Novo", fotografia de Maria Clara Eusebio&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Descobrir na curva sinuosa, penosa, um atalho tranquilo para a esperança.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Identificar nos acordes simples, nas melodias fáceis, o som perfeito para um encontro memorável.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Retirar da timidez das poucas palavras as letras ideais para compor o tempo sonhado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nutrir de paz a ventania cotidiana de toda manhã.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Buscar descanso sob copas frondosas e formosas, tão pouco vistas pelos indiferentes olhares sem poesia. Aliás, poetizar luzes e sombras, abraçar jovens e vividos, amar a todos, explosivamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contar números de toda a sorte, mas sempre oferecer destaque aos pequenos, aparentemente insignificantes. Não é recente a certeza de que nas pequenas somas residem as pistas para as fortunas incalculáveis, do espírito e da vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sentir o mar até onde ele não existe, degustá-lo com a palma dos pés, sorvê-lo com o maroto sorriso dos incansáveis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não cessar de repetir para si mesmo que a vida é um permanente porvir: será o que queremos que ela seja, desde que lutemos, brademos, façamos insurgir nossos desejos revolucionários.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Revolucionar tudo e todos. De lugar. De cor. De fonte e representação. De estados de espírito. Chorar alegrias, alegrar as indecifráveis tristezas humanas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Humanizar, percorrer, acreditar, fazer o que é certo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;FELIZ NATAL. GIGANTE 2011!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-8128797940427122572?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/8128797940427122572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/8128797940427122572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2010/12/novo-tempo.html' title='Novo tempo'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TRTAMPP6U0I/AAAAAAAAAoY/QmQhBP4zXOA/s72-c/ano_novo.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-5431836423425088259</id><published>2010-12-18T19:23:00.003-02:00</published><updated>2010-12-20T19:37:54.896-02:00</updated><title type='text'>Pós-modernidade: os intelectuais e o espírito de nosso tempo</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TQ_MmuKxWwI/AAAAAAAAAoM/BZmMi7FkoOY/s1600/grey.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TQ_MmuKxWwI/AAAAAAAAAoM/BZmMi7FkoOY/s400/grey.jpg" width="266" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #274e13;"&gt;Sasha Grey, atriz pornô estadunidense, que protagonizou "Girlfriend Experience", do cultuado diretor Steven Soderbergh, em 2009, e já desponta como musa pop e pós-moderna por seu declarado amor ao rock, à filosofia, à boa arte e à grande cultura. A bela Sasha sintetiza bem o atual tempo de ecletismos, fragmentos, diversidade e paradoxos: seduz, inquieta e causa todo tipo de polêmica, despertando paixões absolutas e confusas, labirínticas.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;Expus, em 21 de outubro, durante o &lt;b&gt;III Encontro Científico de Psicologia da Faculdade Pitágoras (Londrina/PR)&lt;/b&gt;, cujo eixo temático era "A Psicologia e as Demandas Atuais", uma palestra com o título "Pós-modernidade: mídias, violência e sexualidade". Entendo que esse seja um tema de abrangência infinita, capaz de abraçar a Deus e toda a sua época. É bem provável que por essa razão eu tenha me detido de modo mínimo às particularidades do subtítulo e buscado alargar minha fala em torno da própria ideia de pós-modernidade - ou de cultura pós moderna, posto que partilho da certeza de que não existe um tempo novo após a ainda inconclusa e desafiadora modernidade.... Hoje, editando meu texto para publicar aqui no "Espaço", pensei, pensei, e achei melhor mudar o subtítulo. Acredito que esteja mais sintonizado com o conteúdo - e não apenas a aparência - de minhas ideias sobre o tema.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No curso dos últimos trinta anos, a partir do conjunto de reformas liberalizantes e desregulamentadoras postas em acelerado movimento global por Thatcher e Reagan, na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos da América, respectivamente, a construção social da realidade vem se fragmentando, dispersando e enfraquecendo sujeitos, concentrando poder e riqueza material nas mãos das grandes corporações transnacionais. Para que essa nova configuração da ordem mundial reunisse forças e acumulasse as energias que a tornam hegemônica nos dias atuais, espraiando-se por todas as nações e unificando compulsoriamente a nova territorialidade planetária, novas ideologias e inéditas (ao menos no tom e na intensidade) práticas tiveram de vir à luz. Vamos lá ver.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em um plano bem geral, destaca-se na chamada pós-modernidade – um tempo histórico impreciso e escorregadio, mas, sem dúvida, palco de um momento novo da cultura e do comportamento humano – a primazia da estética sobre a ética. Aparências, mais do que nunca, contam e devem enganar, iludir, persuadir a esquecer conteúdos, denegá-los, desvalorizá-los. Reféns de uma realidade publicitária, imagética e hipertextual, os indivíduos mergulhados na liquidez contemporânea perambulam entre cores, sons, formas e seduções múltiplas que se metamorfoseiam a toda hora, impedindo solidez, durabilidade, lastro para nós firmes de sociabilidade e relacionamentos humanos. Nesse sentido, é importante destacar que o culto pós-moderno às mercadorias e aos novos fetiches da tecnologia e da comunicação acaba por revalidar o isolamento da estética atual: nos labirintos dinâmicos e irracionais de uma consagração individualista, consumista e egocêntrica da realidade, a posse – o TER – sobrepuja o SER, redesenhando as formas do viver junto. Como tão bem intuiu Eric Fromm, ter é algo que transcende o ser, posto que revela as urgências de um tempo voltado exclusivamente para o solipsismo das almas em busca inefável por prazer e delírio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De modo paradoxal, esse mesmo topos do consumo e do discurso que incita ao refúgio, ao isolamento do espírito, ao &lt;i&gt;salve-se-quem-puder&lt;/i&gt;, exige grandes multidões em trânsito, vias férreas, aéreas, rodoviárias, e também em corredores de centros de lojas e espaços de entretenimento fácil, descompromissado e quase sempre bestializante. Trabalhar muito para consumir e evitar a aproximação de coletividades críticas e contestadoras; ver pela TV e pela rede mundial de computadores imagens e &lt;i&gt;banners &lt;/i&gt;dos objetos que fecundam a felicidade individual e o status ilusório de socialização forçada e oportunista; aceitar passivamente a naturalização do mundo, dos negócios humanos, rendendo-se diante da inexorabilidade do mercado e do capital, agora deus único de duas cabeças... Tudo isso endossa o desperdício de todas as energias disponíveis na extensão da vida no planeta.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os passos que destroem o planeta, por esgotá-lo em seus recursos naturais e agravar a questão do nó de sua própria sustentabilidade, desperdiçam também as vidas humanas: trabalho, educação, lazer e conhecimento precários para um futuro em que a certeza, se houver, será a de que nada ficou, nada deverá perdurar. Trata-se, portanto, da morte da imortalidade, a qual havia se tornado possível aos humanos por meio de suas obras, lições e exemplos coletivos, altruístas, em favor de todos. O crime revolucionário de Prometeu, à porta da pós-modernidade, tornou-se ato praticado em vão, leviano até.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outra absurda contradição se evidencia no congraçamento do avesso pós-moderno, qual seja: aquela que revigora novas e variadas formas de exclusão. Na já antiga sociedade industrial – regulada pelo fordismo do pleno emprego e dos rigorosos acordos entre Estado, capital e sindicatos – as políticas públicas alcançavam muitos, quase todos, a depender do país e do estágio de desenvolvimento da agora considerada anacrônica e descontextualizada ideia de luta de classes. Na tradição clássica, onde havia forte organização operária, impactante pressão de diversos setores da sociedade civil, a sociedade política tornava-se agente de mudanças e transformações que desembocavam na satisfação de necessidades humanas básicas, elementares e até avançadas (em sentido lato!), como subsídios para a produção e recursos para educação, pesquisa, arte e cultura. Vale destacar que essa soma entre sociedade civil consistente e em permanente movimento e uma sociedade política atuante e caudatária dos movimentos nascidos e desenvolvidos na organização social resulta naquilo a que Gramsci chamou “Estado Ampliado”. E é desse conceito, em suas múltiplas determinações, que se trata a crise atual e a força emergente do pós-moderno: no lugar das velhas utopias e lutas políticas, convergentes e insurgentes, reina hoje a distopia singular da divergência e da resignação. Em meio a tanta cautela e toalhas úmidas diante do calor da realidade, as diferenças e resistências são criminalizadas, expurgadas, perseguidas, predatoriamente consumidas pela indiferença e pela brutal espoliação. Noutros termos, travestis, homossexuais, negros, mulheres, ativistas políticos etc. sofrem os apenamentos de um discurso que na prática detém e aprisiona aqueles que discordam, contestam, enfrentam, resistem. Apropriadamente, toda essa insensatez tem sido chamada de &lt;i&gt;era do pensamento único&lt;/i&gt;. Absortos e fragilizados, no contrapé de todas essas novas configurações do direito penal e do estado policial – que pune e responsabiliza os pobres por sua pobreza e persegue os excluídos que não compõem a sociedade de consumidores – milhões optam por recrudescer fundamentalismos e práticas violentas. Coletivizam-se na negação do humano, rivalizando, sem saber, com o mundo que querem negar, desconstruir. Outro sinal das contradições líquido-modernas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para muito além de temas sociopolíticos e culturais tão autoevidentes, o pós-moderno faz caminhar pelas sombras ameaças bem menos visíveis e aparentemente muito menos dramáticas. A derrocada ambiental é uma dessas questões despercebidas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O recente apelo a discussões em torno das mudanças climáticas e do aquecimento global, que trazem à galope o derretimento das calotas polares, o elevamento do nível das águas oceânicas etc., acaba por hegemonizar um debate de abrangência e conseqüências muito maiores. A crise nos modelos urbanos nascidos com o código moderno e proletário de ocupação do espaço faz transbordarem problemas como os do destino do lixo e as novas doenças e epidemias provocadas por um convívio cada vez menos planejado e sempre mais improvisado, insalubre. No mesmo ponto de inflexão, surge a temática das múltiplas formas de poluição – auditiva, visual, do ar, das águas – e de contaminação dos alimentos. Em direção ao campo, o agronegócio – que torna a vida campesina a atual vitrine do velho fordismo de serialização e desperdício de tempo e energia de vida – prolonga desertos verdes e se alia, como um irmão menor e aprendiz, aos latifúndios totalmente desproporcionais às atuais necessidades de produção de alimentos saudáveis, livres de pesticidas e defensivos (nomes eufêmicos para veneno!).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A título de arremate – num debate ainda indefinido, aberto e assediado por tantos saberes, disciplinas e formas de conhecimento -, um ponto de extrema importância para cercar o objeto pós-moderno é o da exaustiva e também progressiva banalização dos valores essenciais à urgência do quase esquecido mundo moderno.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A vida humana, nas &lt;i&gt;megratópoles &lt;/i&gt;contemporâneas (uma hipérbole para o exagero do novo tempo de excessos), vem sendo rebaixada e progressivamente ultrapassada pelos tópicos concernentes ao relativismo sempre apressado de nossos dias. À medida que ganham força as diversas crenças no poder de todas as ideias, todas as formas de viver, todas as concepções e práticas existentes na realidade também alcançam status de válidas e legítimas. Assim, os fins passam a pouco render. Causas, ideários, princípios e condutas pautadas pela coerência são ultrapassados pelos ditames da total instabilidade do movimento, do carpe diem. No fio da navalha da História - ou na corda bamba em que Nietzsche viu o animal humano tentando em vão se equilibrar -, buscam esquivar-se da bancarrota o trabalho (instável, temporário, precário e alienante), o conhecimento (instrumentalizado, reduzido e previamente censurado), a cultura (mercantilizada, massificada, tornada efêmera e trivial) e a sexualidade (promovida a laboratório de indefinições, experimentos, riscos e infelicidade). Numa palavra, os conceitos e categorias tão caros a pensadores como Rousseau, Diderot, Marx, Benjamin, Gramsci volatilizaram seus conteúdos e adaptaram-se a liquidez das novas e intempestivas exigências do provisório e insociável mundo pós-moderno. Ainda que muitas dessas novas formatações sociais exijam maior entendimento dos intérpretes da realidade, na medida em que representam também o espaço de morada de muitos novos personagens de rebeldia e resistência, o típico do pós-moderno, não obstante seu discurso insistente em defesa da pluralidade – o qual só se efetiva no consumo e nas manifestações do indivíduo isolado -, é a busca por homogeneização e desarticulação das diferenças, posto que isso define, aperfeiçoa e potencializa as formas de dominação explicitadas pelas novas redes midiáticas e pelos grupos de negócios e mercadorias: trata-se, pois, da política do vazio e da não substância. Nesse sentido, aprecio muito a expressão &lt;i&gt;modernidade tardia&lt;/i&gt;, pela qual Frederic Jameson expõe o atraso – ou, no mínimo, o desvio – cultural do pós-moderno: &lt;i&gt;dividir para conquistar&lt;/i&gt;, na melhor das epígrafes romanas de guerra e invasão do outro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;Em livro de importância decisiva para a compreensão do fenômeno pós-moderno, o instigante e elucidativo “Legisladores e Intérpretes”, Zygmunt Bauman vaticina que a figura do intelectual, surgida no umbral do século XX para designar um tipo humano voltado para a crítica e a proposição de ideias, valores e ações que pudessem se universalizar e, assim, orientar utopias e desconstruções, passou dessa eloqüente e admirável condição de legislador da realidade para a de mero e por vezes estéril intérprete dos estilhaços da pós-modernidade. Incapaz de reunir conceitos e argumentos com vista à totalidade da vida social, conectando fenômenos e unificando saberes e práticas, o intelectual-intérprete reduziu-se a corrimão do temporário, do superficial, do mercantil e lucrativo, do inconsequente e “aberto” mundo das coisas que reinam sobre as pessoas, cruel e despoticamente. Ele mesmo se torna vítima do impacto que não consegue evitar: despedaçado, desperdiçado e impotente diante dos mistérios das origens de seu próprio tempo, o intelectual se quebra e se restringe a mero analista desacreditado de um espetáculo do qual ele é, em essência, um espectador assustado e, por vezes, conivente. É isso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-5431836423425088259?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/5431836423425088259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/5431836423425088259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2010/12/pos-modernidade-os-intelectuais-e-o.html' title='Pós-modernidade: os intelectuais e o espírito de nosso tempo'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TQ_MmuKxWwI/AAAAAAAAAoM/BZmMi7FkoOY/s72-c/grey.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-7993316010563307780</id><published>2010-12-14T13:33:00.001-02:00</published><updated>2010-12-19T01:05:21.199-02:00</updated><title type='text'>Todas as palavras do mundo</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TQeN-X4Pa9I/AAAAAAAAAnA/8txxYJjSGQI/s1600/maria_ribeiro_trip.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://1.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TQeN-X4Pa9I/AAAAAAAAAnA/8txxYJjSGQI/s400/maria_ribeiro_trip.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #38761d;"&gt;Maria Ribeiro, em ensaio de Marcio Simnch, para a Revista Trip&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;Há imagens, como já enfatizaram provérbios e ditados imemoriais, que substituem todas as palavras do mundo. Eu penso um pouco diferente: acredito em imagens que despertam palavras, alimentam desejos, formam escritores e artistas de letra escrita. Quando vi a atriz Maria Ribeiro, a bela da imagem, no filme TOLERÂNCIA (2000), de Carlos Gerbase, senti milhares de palavras percorrerem meu corpo, formando versos e prosas e ameaçando minha imaginação com a sedução eterna. Dialetizada entre a pureza angelical e a pura sacanagem das ninfas, Anamaria, personagem de Maria Ribeiro, não substituiu minhas letras: resgatou-as de seu exílio, dos recônditos de minha alma, e as traduziu em poesias, contos, romances para o eterno sempre.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este ano foi um tempo em que escrevi muito e, paradoxalmente, quase nada. Explico. Embrenhei-me na rede mundial de computadores para, de algum modo, minimizar os danos que me causam o analfabetismo virtual, cujas estatísticas negativas eu tanto engrosso. Não sei fazer planilhas, sou péssimo com edições de vídeo e imagem, subaproveito os recursos da Internet e até dos editores de texto. Algumas pessoas até tentam me agradar dizendo que o "Espaço" é bonito e bem cuidado. Concordo com o segundo predicado, uma vez que, comparado a outros belos &lt;i&gt;blogs &lt;/i&gt;que existem por aí, este amado meu chega a ser analógico, quase um papel sulfite. Muitos alunos também gostam de reiterar que os &lt;i&gt;slides &lt;/i&gt;de minhas aulas são alegres, coloridos (invariavelmente em verde, branco e grená) e dinâmicos, com vídeos, fotografias, &lt;i&gt;links &lt;/i&gt;etc. Bom, se soubessem quanto peno para elaborá-los...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sob o prisma digital, portanto, escrevi muito: esboçei ideias e aforismos diários no &lt;i&gt;twitter &lt;/i&gt;(uma ferramenta que não me permite esquecer minhas impertinências mais profundas); preparei dezenas de novas aulas, com autores, livros e teorias inéditas; escrevi todos os meses longos textos aqui no "Espaço", ainda que na maioria das vezes tenha publicado um só &lt;i&gt;post &lt;/i&gt;mensal, ou dois, não mais do que três.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vale destacar - e muito! - que coligi mais de 50 poemas para meu primeiro livro como eterno aprendiz da mais singela e bela entre todas as artes da palavra. Boa parte dessas poesias venho publicando desde 2005 aqui no &lt;i&gt;blog&lt;/i&gt;. Reunidos, melhorados e acrescidos de alguns inéditos, os poemas compõem meu livro &lt;i&gt;DESMUNDOS&lt;/i&gt;, uma homenagem no plural ao romance de Ana Miranda e uma referência aos desencontros de beijos, olhares, desejos que vivo desde a aurora do meu próprio tempo. &lt;i&gt;DESMUNDOS&lt;/i&gt;, que só não saiu em 2010 por problemas editoriais e de diagramação (outro efeito doído de meu analfabetismo virtual), sairá com toda a certeza ainda no primeiro semestre de 2011.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O ardente e inquieto universo de minhas fantasias e imaginação (herança &lt;i&gt;fourieriana&lt;/i&gt;) também produziu neste ano, que já abraça seu final, os oito roteiros para os contos de &lt;i&gt;FRAN&lt;/i&gt;, reunião de histórias que narram um amor improvável. Eli ama Fran. Ele, receoso de si mesmo, contudo, nada diz a ela, que ao longo dos quatro pares de histórias, distintas paisagens e experiências simboliza e protagoniza o amor perfeito, o desejo sublime, a mulher divinizada. Criar, dar à luz e ajuizar esses contos foi uma experiência tensa e praticamente infinita, cujos frutos permanecem no porvir. As marcas disso, no entanto, fixam em mim a certeza de meu amor pela palavra escrita e pelos voluptuosos sentimentos despertados em minha vida por &lt;i&gt;FRAN&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas até que &lt;i&gt;DESMUNDOS &lt;/i&gt;e &lt;i&gt;FRAN &lt;/i&gt;ocupem prateleiras, reais e virtuais, essas na &lt;i&gt;web, &lt;/i&gt;e cheguem às mãos do leitor, serão apenas promessas, projetos de um escriba cuja&amp;nbsp;visão de mundo contrasta a&amp;nbsp;razão prática da sociedade capitalista, com suas urgências e incertezas, efemeridade e não substância. É certo que 2011 trará os dois livros ao mundo dos vivos e que será o meu ano literário: o primeiro ano do resto da minha vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu disse que escrevi pouco neste já em despedida 2010. E é verdade. Como sociólogo - e no quesito acadêmico stricto sensu - fiz muito pouco. Afora umas palestras aqui e acolá, dezenas de intervenções midiáticas na imprensa local analisando a campanha eleitoral do ano e uma proposta intelectual ousada de encruzilhada entre Antonio Gramsci e o anarquismo, restringi-me à sala de aula, várias turmas, uma avalanche de disciplinas por todo o período letivo. A conclusão, justa e clara, não me poderia ser outra: ficar muito em sala de aula representa, de modo quase automático na relação, produzir pouco, refletir menos, repetir-se demais. Como quero falar apenas do viés escriba, nem vou detalhar as consequências psíquicas e físicas de esgueirar-me na universidade entre centenas de representantes da juventude líquido-moderna...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bom, o fato é que bons ventos vêm trazendo o ano da graça de 2011. Casa nova (enfim, o &lt;i&gt;apê &lt;/i&gt;com o qual sonhei toda a vida), trabalho novo (testado e garantido durante uma longa, difícil e necessária transição para novos mares), perspectivas renovadas no plano da subjetividade... Meu filho me carrega no colo, à altura de seus deliciosos quatro anos. E minha vida a dois deve despertar para um novo tempo, melhor e mais afortunado, principalmente depois que &lt;i&gt;BER-LINDA&lt;/i&gt; revolucionou minha história e partiu para adornar suas&amp;nbsp;vitrines... Creio que terei agora o almejado &lt;i&gt;lar doce lar&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nas estradas sociológicas e socialistas desenhei minha trajetória há muitos anos. Não pretendo nem quero abandonar esse caminho - é nele que reacendo diariamente minha esperança no ser humano. Não obstante em vários momentos essa &lt;i&gt;esperança-que-não-se-acaba&lt;/i&gt; seja abalada profundamente, é preciso dizer que de fato ela não terá fim. No dia em que ela cessar, a estrada terá terminado - pelo menos para mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O "Espaço" volta em 2011, mais bonito, mais bem cuidado, recheado de novidades para uma nova década. Como parte de minha revolução subjetiva, dedicar-me-ei muito mais aos &lt;i&gt;posts&lt;/i&gt;, buscando evitar longos períodos sem publicações por aqui. No mais, desejo que o próximo ano seja bom para todos e traga indícios de que caminhamos bem para um mundo de homens e mulheres definitivamente livres e iguais.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ah, e que o &lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;&lt;i&gt;Fluzão&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; possa dar mais uma grande volta pela América e, enfim, conquiste o planeta - o que lhe é de nascimento, direito e paz. É isso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-7993316010563307780?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/7993316010563307780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/7993316010563307780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2010/12/todas-as-palavras-do-mundo.html' title='Todas as palavras do mundo'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TQeN-X4Pa9I/AAAAAAAAAnA/8txxYJjSGQI/s72-c/maria_ribeiro_trip.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-4868799568019595988</id><published>2010-12-14T11:22:00.001-02:00</published><updated>2010-12-19T01:05:47.947-02:00</updated><title type='text'>Tudo</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TQdvFlEpS6I/AAAAAAAAAm4/JFM6n_dSHNg/s1600/quase_biejo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="189" src="http://1.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TQdvFlEpS6I/AAAAAAAAAm4/JFM6n_dSHNg/s200/quase_biejo.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #38761d;"&gt;"Quase um beijo", fotografia de Cristye&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nunca entendi muito bem os enigmas e todo o fascínio que carregam e escondem os beijos. Nem sei dizer se a palavra beijo - um ato tão humano que permite a transcendência de seus sujeitos - possui plural. Penso que um beijo já seja soma, comunhão. Lembro que Shakespeare afirmou, mais de uma vez, que um beijo é a manifestação mais plena da intimidade. Beijar, acintosamente, é um gesto pornográfico, uma troca monumental de ingredientes que fabricam delírios e destemperos. Creio que até Charles Fourier apostaria no beijo como a paixão definitiva, o efeito sublime do processo de humanização.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tanto mistério ainda me diz pouco a respeito das maravilhas que um beijo pode provocar. A simples ideia de um beijo suscita calores, arrepios, sonhos e muita turbulência. Dormir para sonhar com o beijo desejado, os lábios da vida; evitar o despertar para não ter de se descolar da boca perfeita. Beijos conduzem o pensamento à anatomia completa do ser, aos esconderijos de nós mesmos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lourenço Mutarelli, no indispensável "O cheiro do ralo", seu livro de estreia, de 2002, criou um sujeito obcecado pela bunda. Ele buscava - e acabou encontrando - a bunda perfeita. De modo diferente do solitário e paranoico personagem de Mutarelli, eu busco o beijo perfeito. Ainda que esse beijo jamais tenha acontecido, lá está ela - a bunda perfeita - no mesmo corpo dos lábios amados, da mulher ideal. O beijo desejado - sonho impossível - traz consigo a bunda, as pernas, os seios, a barriga, os pés, os olhos, a pele, o tudo perfeito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu realmente não tenho pretensão de compreender a loucura que beijos alimentam. Desejo apenas sonhá-la. Feito um louco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;&lt;i&gt;(Prólogo de meu livro de contos "FRAN". Trata-se de um breve devaneio de Eli, protagonista masculino das histórias, observando Fran, a mulher divinizada, em uma de suas rotinas diárias. Para Eli, ou para os pensamentos e desejos dele, Fran é a materialização do beijo perfeito - tão perfeito que absolutamente impossível.)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-4868799568019595988?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/4868799568019595988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/4868799568019595988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2010/12/tudo.html' title='Tudo'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TQdvFlEpS6I/AAAAAAAAAm4/JFM6n_dSHNg/s72-c/quase_biejo.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-4067714683484619375</id><published>2010-12-02T15:42:00.000-02:00</published><updated>2010-12-02T15:42:42.787-02:00</updated><title type='text'>Adeus, BER-LINDA!</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TPfYzCYAR7I/AAAAAAAAAm0/lRfnkK35kro/s1600/olhar.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://3.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TPfYzCYAR7I/AAAAAAAAAm0/lRfnkK35kro/s320/olhar.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fim do plantão tricolor. Fim dos "bons dias" e "boas noites". Fim dos doces "vida" e "amor". Fim de muitas coisas, de todas as coisas que deram sentido às coisas que não tinham razão de ser. Agora, o fim faz perecer. O olhar, camuflado e azul, eterizado, insinuante, que precisava se esgueirar da multidão atenta e às vezes tão maledicente, também cessou: não resistiu às poucas forças de sua resistência nada revolucionária, não obstante utópica e valente - que tentou ser forte, que buscou ser maior, que acreditou ser possível o que sempre será possível, somente aos olhares que não se cansam de erguer bandeiras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A espera cansou. Os dias intermináveis cansaram. Os desencontros cansaram. Os sonhos incomuns cansaram de tantas incongruências, assimetrias de voz, vez, desejo. Os mundos, enfim, cansaram.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Houve um adeus, marcado pela linguagem que fez a união nascer: virtual, fria, distante, às vésperas do fim, que, ironicamente, havia sido seu início, no verão de minh'alma, no fim ingrato de um ano duro, mas necessário. Passado, ufa!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ciente de que não haverá arrependimentos, de que o adeus de lá não voltará atrás e de que um sonho novo já ocupa seu coração, já coloniza todas as suas atenções, abaixo os olhos, respiro fundo, contemplo o céu e grito, atordoado, pronto para me esconder entre as lágrimas que só irão parar de escorrer para dar vazão às outras, aquelas verdes, brancas e grenás que salvarão, pela enésima vez, a minha vida da própria morte...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Adeus, BER-LINDA!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-4067714683484619375?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/4067714683484619375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/4067714683484619375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2010/12/adeus-ber-linda.html' title='Adeus, BER-LINDA!'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TPfYzCYAR7I/AAAAAAAAAm0/lRfnkK35kro/s72-c/olhar.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-3570836865412123972</id><published>2010-11-03T14:59:00.000-02:00</published><updated>2010-11-03T14:59:06.258-02:00</updated><title type='text'>Todos os buracos do mundo</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TNGTfHzpTOI/AAAAAAAAAms/h-pqXStQZ0Y/s1600/no-buraco.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="226" src="http://1.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TNGTfHzpTOI/AAAAAAAAAms/h-pqXStQZ0Y/s320/no-buraco.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #660000;"&gt;Exemplares do novo livro do guitarrista-escritor Tony Bellotto, publicado pela Companhia das Letras (2010): leitura prazerosa e muitíssimo inteligente&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em um dos capítulos de seu novo romance, "No buraco", Tony Bellotto, o conhecido guitarrista da banda de rock Titãs, leva o protagonista Teo Zanquis, um esquecido integrante de uma banda oitentista de rock, dona de um único sucesso, &lt;i&gt;hit parade&lt;/i&gt;, a Seattle. Em memórias pessoais, Teo passeia por seus tempos áureos e também rasos, numa bela mistura de exaltação e ostracismo. Nos EUA, na velha capital &lt;i&gt;grunge&lt;/i&gt; e dos movimentos altermundistas da década de 90', Zanquis procura pelo túmulo de Jimi Hendrix. Entre um &lt;i&gt;I'm sorry&lt;/i&gt; e um &lt;i&gt;Excuse me&lt;/i&gt;, vocabulário máximo daqueles que se perdem pelos dicionários básicos da língua de Shakespeare, Teo Zanquis procura pelo cemitério do exímio guitarrista da geração Woodstock. Lembra, em suas andanças e divagações, que Jim Morrisson, líder do The Doors, que também morreu das overdoses da geração que queria mudar o mundo, foi enterrado em Paris e era sempre lembrado com reverência. Zanquis então passa a se perturbar: será que era por ser branco, filho de classes médias, ter estudado em bons colégios? O fato de ninguém saber informá-lo sobre em qual cemitério estava sepultado Hendrix - e, no limite, ninguém nem saber quem fora o grande Hendrix - deixou o protagonista de Bellotto em justificado estado de indignação. Ao final desse capítulo, o já antigo &lt;i&gt;pop star&lt;/i&gt; manda tudo ao caralho, inclusive Paris e o racismo que faz desaparecerem gênios e verdadeiros talentos. O livro de Tony Belloto é delicioso e imprescindível. É isso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-3570836865412123972?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/3570836865412123972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/3570836865412123972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2010/11/todos-os-buracos-do-mundo.html' title='Todos os buracos do mundo'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TNGTfHzpTOI/AAAAAAAAAms/h-pqXStQZ0Y/s72-c/no-buraco.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-5733096467388110900</id><published>2010-10-27T12:19:00.000-02:00</published><updated>2010-10-27T12:19:11.923-02:00</updated><title type='text'>Por que votar em Dilma Rousseff?</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TMg0qyr0qpI/AAAAAAAAAmo/11UPunlVhVM/s1600/dilma_tinta.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://3.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TMg0qyr0qpI/AAAAAAAAAmo/11UPunlVhVM/s320/dilma_tinta.JPG" width="240" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #660000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #660000;"&gt;Encaminhei hoje, a pedidos, o texto abaixo para o jornal FOLHA NORTE, que circula em Londrina gratuitamente todo final de semana. O texto será publicado na edição do próximo sábado, véspera do segundo turno das eleições presidenciais. Sempre me abstive de um envolvimento mais orgânico nos processos eleitorais, em grande medida para manter a independência e a força crítica das palavras. Neste 2010, entretanto, não pude deixar de manifestar abertamente meu voto: no primeiro turno votei em Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL, e agora voto, calmo e tranquilo, em Dilma Rousseff, do PT. Tomei essa postura em face de um processo totalmente despolitizado e moralista, no qual trouxeram à tona temas nada públicos, nada republicanos, com forte viés religioso e conservador. A direita brasileira, atracada na grande imprensa empresarial, perdeu o prumo e tem feito tudo e de tudo para desqualificar a essência da democracia, qual seja: o debate franco, pautado em projetos e visões de mundo. Escondida atrás e ao lado de forte penetração social por imagens e capitais, a burguesia nacional - aquela que nem essa desinação merece - resolveu, de modo atávico, difundir ódios e preconceitos, aniquilando o diálogo aberto e ideológico. Por isso, abri meu voto e esbocei alguns argumentos que o tornem público, sugestionável a novas contribuições e reflexões. É isso.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 2002, com a eleição de Lula, partilhei da ideia de que o Brasil refundava sua condição de nação republicana e democrática. A chegada de um operário e de um partido de esquerda à presidência do país redesenhava o mapa político e social do Brasil, alimentando novos imaginários e novos sentidos para a cultura nacional. Em pouco tempo, as dificuldades para superar a política econômica do governo anterior, conservadora e asfixiante, e uma timidez mórbida para fazer reformas estruturais que pusessem em xeque a hegemonia da pequena política de conluios e bastidores ultrassecretos, decepcionaram muitos dos entusiastas de primeira hora. Eu ainda sou um desses feridos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não é, contudo, nada honesto intelectualmente misturar os dois projetos que estão em disputa neste segundo turno das eleições presidenciais, demarcando-os pela indistinção. Dilma e Serra encabeçam visões diferentes de Estado e sociedade e defendem papel diferente para o governo de uma nação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos últimos oito anos, com Lula presidente, houve a criação de um vigoroso mercado de consumo, com distribuição de renda entre aqueles que sempre estiveram à margem da história nacional; o salário mínimo deixou de ser uma fagulha na vida econômica nacional; o crédito popular ampliou o número de pequenos empreendedores. Enfim, o Brasil criou uma atividade econômica interna que livrou o país da exclusividade de ter de exportar bens primários para sobreviver. Além disso, não criminalizou os movimentos sociais e impediu, com isso, que o conservadorismo de plantão usasse o governo para perseguir e difamar os sem-terra, sem-teto, sem-amor deste país.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Brasil também teve uma elevada recuperação do papel do Estado, acabando com as privatizações e reformalizando a economia: os bancos públicos deixaram de financiar exclusivamente milionários e passaram a fomentar cooperativas e iniciativas de economia solidária, servindo a nação como indutores do desenvolvimento e da geração de emprego e renda.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Necessário destacar também que o país avançou com a extensão da vida universitária por meio de uma abertura do ensino superior aos trabalhadores e seus filhos. Num país em que antes somente ricos se laureavam, a cara das futuras elites já tem novas colorações: branca, vermelha, negra... Na política externa, agora soberana, como tão bem disse Chico Buarque na última semana, o país deixou de falar grosso com Bolívia e Paraguai e fininho com os EUA, enterrou o absurdo da ALCA e fortaleceu relações com a América Latina, a África, a China, a Índia e – por que não? – o Irã.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em síntese: não obstante os contrastes sociais que persistem no país; a necessidade de avançar muito mais em saúde e infraestrutura; a emergência de reformas políticas que privilegiem partidos e projetos e acabem com a corrupção nas entranhas do poder; e a coragem ainda por vir de enfrentar o monopólio das comunicações de massa, a nação prosperou e definiu um rumo mais socializante, menos liberalizante e entreguista. É por isso que Dilma Rousseff merece o voto do Brasil.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-5733096467388110900?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/5733096467388110900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/5733096467388110900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2010/10/por-que-votar-em-dilma-rousseff_689.html' title='Por que votar em Dilma Rousseff?'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TMg0qyr0qpI/AAAAAAAAAmo/11UPunlVhVM/s72-c/dilma_tinta.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-2502978944681067186</id><published>2010-10-25T16:09:00.000-02:00</published><updated>2010-10-25T16:09:59.091-02:00</updated><title type='text'>Nunca te amei tanto desde ontem</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TMXGvp6F3qI/AAAAAAAAAmc/zSGCP53fPzc/s1600/mattos.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TMXGvp6F3qI/AAAAAAAAAmc/zSGCP53fPzc/s400/mattos.jpg" width="266" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #38761d;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #38761d;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Imagem do ensaio "A Naked Night Out With Monica Mattos", no qual a fotógrafa Autumn Sonnichsen captura a diva pornô brasileira pelas ruas de São Paulo na vastidão da madrugada&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que foi aquele olhar perdido, meu Deus? Havia nele uma nítida busca pelo tempo, um simples lugar. Livre como no melhor da tradição libertária, aqueles olhos de um amendoado retumbante demonstravam puríssima ingenuidade e procuravam, num insucesso absoluto, camuflar sua poderosa sedução.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Perdi-me. Estava tão centrado para o debate sobre a pós-modernidade... Não consegui pensar de fato em mais nada, senão no desejo de ordenar aquele olhar displicente, magnético, tira-fôlego. Isto. Sem ar. Fiquei, numa tão somente meia metáfora, paralisado, sem condições de oxigenar os pulmões tranquilamente. Naquele instante, aliás, sentenciei-me a longas noites, tardias manhãs, sem nunca jamais saber coisa alguma a respeito de tranquilidade...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cativei-me de pronto. E é possível que para sempre.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assustei-me diante do apenas possível enlace eterno daquele cruzamento tão veloz de olhares porque me indispus brevemente com a chance de aquilo ter sido mais uma das milhares de imagens que nos atropelam dia a dia. Estamos mesmo numa era de muitos instantâneos. Percebi logo, entretanto, que quanto mais me esforçava por esquecê-lo, o distraído olhar - parceiro de lábios que proferiam palavras doces de um modo enlouquecedoramente suave - se perdia ainda mais em mim, incitando, deliciosamente, novas permissões para longos voos de fantasia e estrondosa felicidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Virtualizei-me. Os dias eram agora a lenta passagem de imagens que encontravam lábios, os meus e os daquele olhar. Um instante de perdição, um flagrante de sentidos, e aprendi a conviver de modo sempre revelador com a potência de minha imaginação. Depois de muito tempo, senti espraiar-se em mim o fôlego das ideias, o verdadeiro poder da sedução.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando atento, o olhar que me reinventou naquela manhã tão pouco promissora dividia-se entre o manter de sua calmaria excitante e o despertar de seus mistérios. Por lapsos diminutos de tempo, os lindos olhos mansos tentaram me convencer de sua normalidade, de sua exuberante indistinção. Nada. Minha imaginação reinventada assumia, durante esses esforços insuficientes e precários, o ativo papel de validar e sintetizar a excitação dos mistérios: jovem demais, longe demais, por isso mesmo desequilíbrio pulsante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cair do meu real era incidente necessário naquela manhã de segunda-feira. Era imperativo que algo até então nunca existente surgisse e me dissesse: "Nunca te amei tanto desde ontem". Satisfazia-me incontrolavelmente sugerir a mim mesmo que, na noite de domingo, durante os momentos de programação da semana, &amp;nbsp;todas as estrelas do céu tivessem resolvido, de maneira conspiratória, fabricar-me aquele olhar. Um presente. Os astros, enfim, haviam se rebelado: "Há um cérebro no mundo que precisa se perder para, antes tarde do que nunca, recuperar-se espantosamente. Hora de brilhar".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Elevei à mais &lt;i&gt;exo &lt;/i&gt;das esferas a minha autoestima. Muito mais do que colisão de olhares e lábios em frenesi, aprendi a reunir em puro êxtase nossos corpos, inteiros, na força de seus detalhes e segredos. Tudo era muito envolvente e saboroso. Dia após dia, minhas palavras se reproduziam com enorme facilidade, multiplicando crônicas, contos e ensaios. Um velho romance empoeirado no fundo da gaveta ganhava vida nova, e em mim crescia a determinação de torná-lo &amp;nbsp;um livro emblema, definição de mim mesmo. Um título muito honesto a esse romance seria "Se a luz dos olhos seus"...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As palavras surgiam da virtualidade do encontro de nós dois, hipertextualizavam aquilo que havia de melhor em mim, loucuras e devaneios, esperança e proposição. Eu não precisava de mais nada real, &lt;i&gt;stricto sensu&lt;/i&gt;; perfazia-me &amp;nbsp;somente o imaginar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembro-me sempre de Fourier agora. Aprendi com ele que antes é necessário perder-se na abstração, para que algo de concreto se inspire no desfile bailarino das inspirações desconexas, anexas, confusa e ordinariamente complexas. É isso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-2502978944681067186?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/2502978944681067186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/2502978944681067186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2010/10/nunca-te-amei-tanto-desde-ontem.html' title='Nunca te amei tanto desde ontem'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TMXGvp6F3qI/AAAAAAAAAmc/zSGCP53fPzc/s72-c/mattos.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-4296305260576508059</id><published>2010-10-22T16:02:00.000-02:00</published><updated>2010-10-22T16:02:03.357-02:00</updated><title type='text'>Desterrar</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TMHQHoNLsBI/AAAAAAAAAlo/xMyH7rZi9Zo/s1600/diego_rivera.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="275" src="http://1.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TMHQHoNLsBI/AAAAAAAAAlo/xMyH7rZi9Zo/s320/diego_rivera.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #38761d;"&gt;"Distribuição das Armas" (1928), do muralista mexicano Diego Rivera&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;No próximo dia 15 de novembro, dia da República, estreia na CBN Londrina - 93,5 FM - minha coluna diária com comentários sobre "CULTURA e SOCIEDADE". Numa palavra, sobre tudo e mais um pouco. Para o piloto do comentário gravei alguns apontamentos sobre o drama dos mineiros aterrados no Chile, no Atacama, e a dimensão midiática e de poder que a história conseguiu alcançar. Todos os dias, de segunda a sexta, irei tocar no invisível, no delicado, naquilo que de toda a parte negam luz, clarividência. Sociólogos na rádio são assim: provocadores. Abaixo, o texto que preparei para meu programa piloto&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na última semana, o mundo acompanhou atento o resgate de trinta e três trabalhadores soterrados numa mina no norte do Chile, no Deserto de Atacama. Por 70 dias, centenas de metros abaixo do chão, os mineiros não puderam ver imprensa e governos de todo o mundo mobilizarem todos os recursos possíveis para tirá-los com vida de seu isolamento forçado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;À primeira vista, portanto, sobravam solidariedade e comoção. O que os milhares de holofotes, telas e microfones das mídias globais e o semblante de apreensão de chefes políticos de todo o mundo não permitiam ver é que aquele não foi nem será o último desses acontecimentos envolventes, vividos no limite entre o humano e o inumano.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desmoronamentos, deslizamentos, soterramentos, inundações, despejos, todos os tipos de exclusão acompanham a existência dos trabalhadores em toda a parte, o tempo todo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bom seria se daquele exemplo em Atacama ficasse a sentinela incansável sobre as condições reais de vida em que se reproduzem quase dois terços da humanidade, impedidos de ver a luz do sol e o brilho do amanhã.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É justo que os mineiros do Atacama encontrem agora afetos e compensações. Não há dúvidas ou questionamentos quanto a isso. É ainda mais justo, porém, que todos nós não esqueçamos que perto, bem perto, à esquina, na periferia, nas favelas, nas fábricas pesadas, nos latifúndios, nas indústrias e confecções clandestinas, nos muitos cárceres do planeta, nosso sistema duro e quase sempre cruel aprisiona e enterra gente que mídias e governos não veem - e muitas vezes escondem de todos, para manter limpa a imagem que vendem para as telas, páginas e ondas da grande mídia burguesa, para o horário eleitoral, para os livros didáticos e para as consciências excessivamente despistadas. É isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-4296305260576508059?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/4296305260576508059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/4296305260576508059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2010/10/desterrar.html' title='Desterrar'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TMHQHoNLsBI/AAAAAAAAAlo/xMyH7rZi9Zo/s72-c/diego_rivera.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-5426812742853702227</id><published>2010-10-07T16:12:00.010-03:00</published><updated>2010-10-07T19:14:05.367-03:00</updated><title type='text'>Oito à esquerda</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TK5BU3JGiDI/AAAAAAAAAi0/JGg4bR-XSFI/s1600/pegadas.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 214px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5525425619485493298" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TK5BU3JGiDI/AAAAAAAAAi0/JGg4bR-XSFI/s320/pegadas.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:78%;color:#006600;"&gt;Fotografia de A. Brito&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;A epistemologia é o campo específico de análise da essência e do &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;porvir &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;do conhecimento: natureza das ideias, representações, corpo teórico de autores e escolas do pensamento. Refletir epistemologicamente, sempre imaginei, é investigar as coisas para além do dizível e enganosamente aparente; é suscitar uma reflexão sobre o que o conhecimento, afinal de contas, pode produzir, integrar, fazer demolir... Graças à força da epistemologia das ciências sociais, sabemos que o real é infinitamente maior e mais complexo do que as capacidades humanas e subjetivas de abraçá-lo, traduzi-lo. Somos igualmente cientes de que, em face desse estilhaçamento das ideias no mundo pós-moderno dos não amores e distopias, é necessário que tenhamos valores, defendamos posturas, construamos um &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;fio maravilha&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt; de coerência e de princípios entre o dizer e o fazer. Numa palavra: a utopia ainda é e sempre será necessária para guiar passos e confeccionar sorrisos de esperança. Recentemente, por tomar partido no mundo e defender uma utopia epistemológica de um conhecimento prudente e dialético do real, recebi uma homenageada nota &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;oito&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;. Para não perder o humor tão necessário em tempos de desespero e melancolia reacionária, resolvi batizar meu insucesso - disseram que fui ESPETACULAR(?) - de "oito à esquerda". Assim, mantenho o princípio de navegar pelos mares da liberdade, da igualdade e da fraternidade, ainda que isso lance sobre mim os emporcalhados olhos daqueles que vivem do outro lado do rio.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;O conhecimento tem por matéria-prima a capacidade (natural ou cultural?) de os sujeitos, mergulhados no mundo, argumentarem em favor de seus ideais e interesses. Para tanto, dispõem, os tais sujeitos, emaranhados nas complexas traçadas da tessitura social, de racionalidade - sabem pensar e ponderar antecipadamente as consequências de suas ações -, de informações - não vivem sós, estão conectados a redes e mais redes de partilha, gerência e distribuição de palavras, sons, imagens e memórias - e de certa noção de verdade - induzem, buscam convencer, debatem, fazendo florescer em torno de suas convicções, ilustrações e recuperações históricas de feitos e fatos.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Em sendo assim, entendido o conhecimento como uma habilidade de ver, ouvir, perceber e anunciar o que se viu, ouviu e percebeu como bom ou mau, certo ou errado, válido ou inválido, justo ou injusto, - salvaguardando a certeza de matizes entre os pólos dessa &lt;i&gt;tipologia dos extremos&lt;/i&gt; - a presença humana no mundo só pode ser crítica, isto é, um ato reflexivo permanente que se desdobra, segundo as pistas deixadas por Walter Benjamin, em cinco diferentes e complementares níveis.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;O nível crucial dessa habilidade crítica, inaugural da própria condição humana, é o da &lt;i&gt;autorreflexão&lt;/i&gt;. Cabe, pois, interrogar-se: em que medida (intensidade e pujança) os seres sociais participam efetivamente do mundo cultural que pretende dominá-los, padronizá-los, cercá-los, enfeitá-los com o adorno do razoável e tolerado? E participam como? Ofertando mais &lt;i&gt;sim&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;não &lt;/i&gt;ou &lt;i&gt;porquês&lt;/i&gt;? A perene inquietação em face dessas questões define a pertinência e a abrangência da autorreflexividade.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Na correnteza enfrentada pela autocrítica - ingrediente-mor da reflexão que se possa fazer de si mesmo! -, perigosa, hostil, ameaçadora, surge o nível da leitura detalhada daquilo que está sendo criticado. Para criticar, dirigir-se ao ponto de ebulição de um desejado tipo de conhecer e conceber, é preciso postular um ideal, ou seja, um centro &lt;i&gt;gravitacional &lt;/i&gt;de utopias. Conhecer para (des)construir o quê?! É bom ou ruim para quem?! A crítica, portanto, deve ter uma razão de ser, aspirar a mudanças e almejar estações, paradas. A pergunta essencial, decerto: quais ideais, princípios, valores nos movem? Se essas coisas há, a crítica faz todo o sentido. A crítica da crítica é a fuga ao real e conclama Marx mais uma vez: a crítica deve ser sempre a crítica da tola e esvaziada crítica crítica, movimento sem propósitos de ideias, vago, &lt;i&gt;blablablá&lt;/i&gt;, diletante e desengajado.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Prosseguindo na escalada de Benjamin em direção a um conhecimento que seja humano e crítico, faz-se imprescindível historicizar as ideias, saber de onde vêm, por onde passaram, como foram absorvidas, utilizadas, interpretadas e revisitadas ao longo do processo histórico, dos antigos aos pós-modernos. As ideias têm seu tempo e espaço, inspiraram movimentos e ações, reformaram, conservaram ou revolucionaram cabeças, corações, cores e bandeiras. E serviram a projetos particulares ou coletivos, específicos e privatistas ou públicos e universais. Benjamin, paralelamente, vaticina com Antonio Gramsci: &lt;i&gt;é preciso historicizar tudo e todos sempre! &lt;/i&gt;Daí a necessidade de &lt;i&gt;montagem &lt;/i&gt;e &lt;i&gt;desmontagem &lt;/i&gt;insistente de um panorama dialético dos temas que envolvem as questões e os eventos que determinam o olhar crítico do sujeito histórico. Individualizado, o conhecimento é fragmento, estilhaço perdido.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;O elemento seguinte da reflexão &lt;i&gt;benjaminiana&lt;/i&gt;, repartida para totalizar-se com prudência e solidez, é o da crítica social propriamente dita. O que se está a criticar - ver, ouvir, perceber - tem de ser universalmente interessante, avançado, inquestionavelmente humano. O saber crítico - o conhecimento que navega pelas fases de sua progressiva emancipação &lt;i&gt;de si, em si, para si&lt;/i&gt; - é cultural, é político, é econômico, é sempre social. Sob o espectro de Marx, Walter Benjamin assente que, diluindo e decompondo, chega-se às mínimas partes do real. Na tentativa de reconstruir o agora assustador quebra-cabeças de milhões de mínimas partículas, conclui-se que o real é sempre maior do que a soma de todas as suas partes, princípio inequívoco da &lt;i&gt;inesgotabilidade da realidade&lt;/i&gt;. A crítica social, em essência, deve predizer os percalços dessa relação entre as partes. Um livro, um filme, uma visão de mundo que não queira insistir em compor o caótico porém belo mosaico da vida não requer a atenção e o olhar crítico, não deve somar pontos no processo de nossa autorreflexão permanente. &lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Por fim, como à espera do colapso das ideias, o ato de reflexão que desperta a postura crítica deve engendrar temas articuladores, reunir pontos aparentemente incongruentes, traçar linhas retas em campos assimétricos. Nesse sentido, a crítica que quer conhecer, reproduzir e difundir saberes necessita admitir a História como uma sucessão de catástrofes não lineares, não evolutivas. Dessa constatação, Lenin, teórico apaixonado pela revolução das ideias, lançou a pergunta definitiva para os labirintos mutantes das relações passado, presente e futuro. Diante da realidade, portanto, sempre indagar: &lt;i&gt;que fazer?!&lt;/i&gt; É isso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-5426812742853702227?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/5426812742853702227'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/5426812742853702227'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2010/10/oito-esquerda.html' title='Oito à esquerda'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TK5BU3JGiDI/AAAAAAAAAi0/JGg4bR-XSFI/s72-c/pegadas.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-8745997644280007516</id><published>2010-09-16T14:45:00.004-03:00</published><updated>2010-09-16T15:58:48.589-03:00</updated><title type='text'>Latinizando II - o mistério da loba</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TJJksTNhudI/AAAAAAAAAis/dpETuuH4-Sk/s1600/torcida_tricolor.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 202px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TJJksTNhudI/AAAAAAAAAis/dpETuuH4-Sk/s320/torcida_tricolor.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5517583205716310482" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Os mosaicos em verde, branco e grená da torcida do Fluminense são efetivamente um dos belos espetáculos latinos de nossa cultura. Organização, sofisticação e esplendor fazem da torcida tricolor um dos grandes personagens de nosso tempo, um encontro da elegância, da vibração, da arqueologia mais tradicional da perfeição humana&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small; color: rgb(102, 0, 0); "&gt;&lt;i&gt;para o Fluminense Football Club &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small; color: rgb(102, 0, 0); "&gt;&lt;i&gt;e minha musa tricolor, Ber-Linda.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Escrevi faz pouco mais de um ano e meio, ainda fustigado pelos acontecimentos finais de 2008 - um ano que começou tenso, desenvolveu-se para além das melhores previsões e terminou quase trágico! -, que crises correm aos ventos. Em parte porque, sinal de que alguma coisa não anda bem, os próprios sujeitos da crise buscam porto-seguro longe das maiores e mais drásticas consequências. Na maioria dos casos, entretanto, as crises são mesmo conduzidas pelos ventos, esparramadas pelo mundo, pelo maior número possível de espaços em que existam e convivam gente e seus sonhos. (Gramsci, sempre atual, destacava que crises são indicativo de que o velho agoniza e o novo ainda não aponta no horizonte; daí serem crises revelações de nossos medos e temores, uma possibilidade sempre latente de ebulição e explosão da novidade, seja ela qual for.)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No mundo latino, o americano, em caráter sempre especial, a &lt;i&gt;krisis &lt;/i&gt;(&lt;i&gt;do grego&lt;/i&gt; situação de instabilidade, incompletude, a urgência da ruptura) prolonga-se por mais de meio milênio, evidenciando nossas veias ora dilatadas, ora abertas, ora misteriosamente &lt;i&gt;bailarinas&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Condenados a abastecer países-metrópoles, casas financeiras e monetárias, indústrias e culturas dos universos "civilizados" do hemisfério norte, o arco-íris de etnias latinas que cruzaram vidas e por aqui forjaram novas éticas e estéticas protagonizou por séculos uma aguerrida história de dor e insurgência. Entre nós, ainda que nada predispusesse imaginar, qualquer hipótese de futuro sempre passou pelas marchas humanas da resistência. Povos indígenas em suas múltiplas e diversas determinações; negros de tantas línguas, sóis e luas africanas; europeus de matizes socioeconômicos infinitos; caravanas e expedições de gente, de humanidade... perfilham, perfazem, perscrutam o sangue e a alma latinos de um povo novo, lembrado e sempre homenageado por Darcy Ribeiro, antropólogo brasileiro que apostava no Brasil como uma nova Roma, latinizada, melhorada, epicentro cultural e de convergência das melhores e mais sofisticadas formas de inteligência e solidariedade num futuro próximo e, sem dúvida alguma, inadiável.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O autor de &lt;i&gt;Maíra &lt;/i&gt;acreditava que povos de todo o planeta viriam à América - ao Brasil, em especial - para ver, admirar, aprender novas formas de humanizar e permitir humanizar-se. O sangue negro e índio no qual fomos lavados e temperados exporia aos quatro cantos do globo forças criativas, embebidas na dança, no trejeito, nas saídas francas, corajosas, de disposição incansável de mestiços latinos para se tornarem porta-vozes da ação necessária do futuro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O mistério da loba - musa dos povos solares e da coragem latina - contagiará as formas humanas de por aqui prestigiar o amor, o poder da sedução. Reduzirá a pó o medo do enfrentamento e eventuais complexos deixados por séculos de colonização renovada, que nasceu no império da faca e da cruz, atravessou a prevalência cruel de latifúndios e acordos espúrios impostos pela coroa britânica e atracou, em modernos e pós-modernos mares, na prerrogativa inquestionável dos deuses do mercado, inimigos declarados de tudo que cheire a liberdade, igualdade, fraternidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na atraente magia da loba latina - que é alma e poder do amor -, a dança principal expõe a trajetória de corações valentes e escancarados, permanentemente voltados ao amanhã. O mistério da fêmea-alma, energia de doce e incrível entrega, verdade, talvez possa começar a ser desvendado no olhar latino, misto de ternura, compaixão, força selvagem; e também reunião equilibrada e acolhedora de paixões, desejos, necessidades de conferir à vida valor e sentido, mais, muito mais do ainda não vivido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na latinidade que fortaleceu a cultura de um povo novo, aquecido na generosidade orixá e no vibrante ritmo de seu toque de bola, de suas danças e sonoridades, de pura estesia, desponta um caminho certo, qual seja: o do coração do mundo e dos mosaicos audaciosos de cores de pura alegria, atrevimento. De imaculada resistência. E esperança.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-8745997644280007516?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/8745997644280007516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/8745997644280007516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2010/09/latinizando-ii-o-misterio-da-loba.html' title='Latinizando II - o mistério da loba'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TJJksTNhudI/AAAAAAAAAis/dpETuuH4-Sk/s72-c/torcida_tricolor.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-5516066527528452439</id><published>2010-09-04T14:57:00.004-03:00</published><updated>2010-09-04T15:30:02.447-03:00</updated><title type='text'>Ando devagar...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TIKPwWsZC_I/AAAAAAAAAic/gIyZvNYwx7A/s1600/KK.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 213px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TIKPwWsZC_I/AAAAAAAAAic/gIyZvNYwx7A/s320/KK.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5513126954743172082" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;"KK e a cadeira", fotografia de Ricardo Bhering&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As tais fichas, responsáveis pela emergência dos fatos em nossa consciência, acabam mesmo caindo. E é graças a elas que ocorre com nossas ideias algo muito parecido àquilo que o genial geógrafo Milton Santos designou como sendo &lt;i&gt;os três mundos num só&lt;/i&gt;, no tocante ao chamado processo globalizatório: o que nos fazem ver, celebrado e fascinante; o verdadeiro, perverso e desumano; e o que desejamos, outro, possível como nossa própria humana condição de desejar e fazer mais e melhor, sempre! &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Via de regra, as fichas, com as três faces de uma mesma moeda, demoram mais que o necessário, muito mais que o suportável. Mas, afinal, caem como pedra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tomados pelas urgências de um mundo sempre com pressa (outra das facetas daquele primeiro tipo de mundo para impedir nossa visão das suas outras duas dimensões!), esquecemo-nos de definir prioridades, essas mágicas e exigentes peças de uma vida firme, de lentos e seguros passos, esclarecidas posições. Eleger e definir na ação um conjunto de prioridades para a vida, para além de todas as contas, é tarefa complexa; mas é igualmente imprescindível para que o tempo, soma inquieta e inevitável de nossas horas, dias, semanas, meses e anos, seja suave, frutífero, bela trajetória. Como - diz-se do olhar de Kant em seu último alento de vida - deve ser incrível voltar-se para trás, para as pegadas deixadas pelos caminhos percorridos, e repetir, tranquilo e satisfeito:&lt;i&gt; "É, foi bom, muito bom!"&lt;/i&gt;. No bom caminho, as prioridades devem ser as únicas urgências. O resto são tão-somente minúsculas pedras, cujo destino, como numa inocente brincadeira de criança de arremessar e sorrir, deve ser o fundo do mar. É isso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-5516066527528452439?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/5516066527528452439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/5516066527528452439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2010/09/ando-devagar.html' title='Ando devagar...'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TIKPwWsZC_I/AAAAAAAAAic/gIyZvNYwx7A/s72-c/KK.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-1654281142190254584</id><published>2010-08-18T12:05:00.004-03:00</published><updated>2010-08-18T12:11:58.598-03:00</updated><title type='text'>Gramsci e uma (des)leitura da segurança pública</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TGv3bUeM-jI/AAAAAAAAAho/kPeM1rvz3w4/s1600/gramsci.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 272px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TGv3bUeM-jI/AAAAAAAAAho/kPeM1rvz3w4/s320/gramsci.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5506767018114480690" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;No ano passado, em 16 de outubro, participei de uma etapa do projeto "Diálogos Mais Que Pertinentes", promovido por instituições de ensino superior privadas de Londrina/PR. O tema proposto para a mesa era, na verdade, uma questão: "O que significa segurança pública? Ela é papel de quem?". Para não cair na cômoda armadilha conservadora do investimento em mais e mais repressão contra delinquentes e marginais, caminhei para Antonio Gramsci e seu conceito de "Estado Ampliado". Assim, pude me referir ao Estado como dimensão política da vida social - essencialmente, portanto, se político, o Estado se enquadra perfeitamente na luta por emancipação dos subalternos e conquista efetiva de uma liberdade sem fronteiras contrária àquela imposta por ideologias e práticas legalistas e moralistas. Destoei na mesa e senti-me feliz, afinal, sabemos, a boa História é aquela que se escova a contrapelo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;line-height: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;A segurança pública, estampada no capítulo 144 da Constituição brasileira, é dever do Estado, direito e responsabilidade de toda a coletividade. Mais do que isso: almeja a preservação da ordem, da integridade física dos indivíduos e seu patrimônio – na variedade pública ou privada. As inúmeras polícias e todos os entes da federação se posicionam, por força de lei, como signatários de toda essa proteção. Numa palavra: segurança pública é responsabilidade do Estado, função política dos governos em exercício, predicado cidadão de todos os sujeitos políticos de uma dada comunidade humana.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Talvez apenas por acaso toda a contenda sobre tributação no Brasil se realize, na Carta Magna, logo após o disposto sobre segurança pública. &lt;i&gt;Semioticamente&lt;/i&gt;, uma pergunta se revela inevitável: a ordem nos dispositivos seria algo em torno da questão sobre quem vai financiar todo o aparato de segurança e por quê?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Antes de elucubrar sobre os temas implícitos na ordem das coisas e nas formas de dominação social explícitas na letra da lei – a qual, numa sociedade de classes, é sempre contornada por dimensões ideológicas e econômicas -, parece-me imprescindível uma pequena reflexão sobre a natureza do Estado nas modernas sociedades capitalistas. Vou me ancorar em Antonio Gramsci, pensador italiano responsável por ter dado oxigênio e maior envergadura aos conceitos marxistas de Estado, poder e política.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Como aparato administrativo, organizacional e jurídico-político, o Estado viabiliza na prática a orquestração &lt;i&gt;povo e território&lt;/i&gt;. Para tanto, assume para si mesmo aquilo que mestre Weber chamou de &lt;i&gt;“monopólio da coerção física legítima”&lt;/i&gt;. Por isso, é poder supremo; por isso, atrai para suas determinações a subordinação de toda a comunidade. Vale ressaltar, contudo, que coerção física na forma de força bruta, desmedida e dada ao limite (castigo, prisão, morte), é recurso extremo, mais uma ameaça do que uma contenda regular, cotidiana. O importante na concepção moderna de Estado é sua reivindicação como centro decisório e a captura da obediência, da anuência coletiva. Gramsci afirmava que o Estado era &lt;i&gt;“... todo o complexo de atividades políticas e &lt;u&gt;teóricas&lt;/u&gt; com as quais uma classe dominante não só justifica e mantém o seu domínio, mas consegue obter o consenso ativo dos governados”. &lt;/i&gt;Diferentemente e para além de Marx, entretanto, o autor dos &lt;i&gt;Cadernos do Cárcere &lt;/i&gt;amplia a noção de Estado cristalizada na herança marxista, oferecendo-lhe interessante composição civil e política. O Estado passa a ser, para Gramsci, a sociedade civil (espaço em que se criam e difundem os valores dos fragmentos de classe que compõem o bloco histórico em luta pela hegemonia de suas premissas, via TV, jornais, revistas, Internet, cinema, igreja, partidos, sindicatos, publicidade etc.) e a sociedade política, isto é, o aparato institucional de fazer política de modo público e generalista por meio da arquitetura estatal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Dando ênfase aos papéis possíveis intrínsecos aos aparelhos de hegemonia privada espalhados por toda a sociedade civil, Gramsci condena a simplificação do Estado como &lt;i&gt;“comitê organizado dos interesses da burguesia”&lt;/i&gt;, tal qual expresso em célebre passagem do Manifesto Comunista. Em vez disso, abre a perspectiva de &lt;i&gt;politização do poder&lt;/i&gt;, de uma participação efetiva das classes subalternas no proclamar das mudanças, como artífices do futuro. Nesse sentido, segurança pública pode vir a ser muito mais que proteção de indivíduos e sua propriedade, governos e seus patrimônios históricos. &lt;i&gt;A politização do poder&lt;/i&gt; tem início justamente no momento em que deixa de ser tão-somente estrutura de Estado, aparelho de força, instância de coerção. Além de &lt;i&gt;poder-sobre &lt;/i&gt;(vigor do capital, articulações de classe em defesa de interesses particulares e exclusivistas típicas de uma sociedade que condena tudo que cheire a igualdade), faz-se inadiável o fortalecimento de um &lt;i&gt;poder-fazer&lt;/i&gt;, a potência da realização, que desbrava e rompe limites, questiona, inquieta, move (cf. Nogueira, 2007, p.123).&lt;i&gt; &lt;/i&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Marco Aurélio Nogueira, cientista político paulista, autor do indispensável &lt;i&gt;“Potência, limites e seduções do poder”&lt;/i&gt;, no caminho deixado pela tradição gramsciana de valorização da política, afirma...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left:70.9pt;text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Há muito combustível para que se adote um modo não-político de fazer política. Quando, por exemplo, o diálogo democrático é substituído pela intimidação, pela desfaçatez ou pela afronta aos “bons modos”, a política vai para o espaço. Quando a política é praticada como se fosse um &lt;i&gt;happening&lt;/i&gt; ou um &lt;i&gt;show&lt;/i&gt; que, a cada três ou quatro anos, agita as energias comunitárias mas não se faz acompanhar de nenhuma forma de mobilização permanente e de nenhuma iniciativa educacional, estamos longe da política. Uma atitude que compensa a letargia cotidiana com espasmos de combatividade “incendiária” só contribui para afastar as pessoas da política. [...] o único antídoto é a recuperação plena da face generosa da política. Não é o virar as costas para a política, mas sim recepcioná-la de braços e mentes abertos para então, em nome dela e com os recursos dela, enfrentarmos aqueles que pregam a ação contra a discussão, a veemência contra a ponderação. Pode ser um caminho longo. Fora dele, restará apenas, na melhor das hipóteses, a mesma velha e desbotada rotina dos atos e das palavras que não empolgam” (Nogueira, 2007, p. 124, 125).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Poder e política, Estado e segurança pública são elementos inseparáveis, que só fazem sentido se pensados sob os parâmetros da totalidade da vida social. Se política, mais que um edifício de ações programadas pela letra quase sempre estéril da lei transcendente, necessita tornar-se valor, porvir, eixo moral de reflexão/ação, Estado e segurança pública, numa sociedade que se deseja democrática e progressista, exigem refundar seu pacto, os termos de sua parceria. Não é o mercado – para horror do palavrório liberal – o epicentro da segurança pública e social. Como direito humano fundamental, viver em paz só pode ser algo assegurado por uma instância que se realiza politicamente, pelo dissenso, pela batalha permanente das ideias. Nesses termos, entregue ao Estado tal qual ele se engendra em nossas pós-modernas sociedades desiguais e excludentes, a ideia de segurança pública será sempre numérica, quantitativa: mais contingente policial, mais armas, mais viaturas, mais repressão. O Estado policial e penal nascido dessa visão de segurança, de poder, de política nos acompanha a meio milênio e é no mínimo corresponsável por todo o nosso estado de coisas... Elaborar novas culturas e forjar outras dinâmicas de relacionamento social, dando espaço a subjetividades alternativas e mais inquietas, insurgentes, é estrada certa para a refundação do Estado, da política e da segurança em nossa sociedade. Sob linguagem explícita, isso pressupõe que sejam criadas as condições para avaliar uma nova polícia (desconstitucionalizada, desmilitarizada, cidadã), um novo sistema penitenciário (que corrija e dê norte aos direitos ao trabalho, à progressão justa das penas, aos direitos humanos) e, principalmente, um regime socioeducativo que repense a direção das políticas públicas, seus conteúdos diretos e indiretos e a valorização de suas conquistas como o Estatuto da Criança e do Adolescente e a criação da Secretaria Nacional de Direitos Humanos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Para tanto, responder à pergunta deixada lá atrás, sobre a sequência &lt;i&gt;segurança pública / questão tributária&lt;/i&gt; em nossa carta constitucional, oferta amarga provocação: o financiamento da segurança pública, sabe-se, é coletivo, formaliza-se em impostos que desmoronam a mínima renda dos mais pobres. E seus benefícios imediatos, atingem a quem? É isso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-1654281142190254584?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/1654281142190254584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/1654281142190254584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2010/08/gramsci-e-uma-desleitura-da-seguranca_18.html' title='Gramsci e uma (des)leitura da segurança pública'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TGv3bUeM-jI/AAAAAAAAAho/kPeM1rvz3w4/s72-c/gramsci.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-925904262428854466</id><published>2010-07-23T15:02:00.003-03:00</published><updated>2010-07-23T16:08:23.929-03:00</updated><title type='text'>Benjaminianas II - Se num mar de estrelas...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TEnluJrm77I/AAAAAAAAAhU/TyLxF5BxOP0/s1600/rio_araguaia.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TEnluJrm77I/AAAAAAAAAhU/TyLxF5BxOP0/s320/rio_araguaia.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5497177401217970098" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;No início da década de 1970', dezenas de militantes do Partido Comunista do Brasil decidiram ocupar as margens do Rio Araguaia, no norte do país, e por lá criar focos à la Cuba de guerrilha. O intuito, historicamente já consagrado, era mobilizar a população camponesa contra o regime civil-militar que se prolongava no Brasil desde 1964. Do Araguaia, acreditavam os comunistas, nasceriam os germes de uma revolução social que se disseminaria por toda a nação. Alguns anos mais tarde, contudo, o resultado foi um verdadeiro massacre patrocinado pelas forças de repressão militar: 76 pessoas, entre militantes e populares da região, foram sumariamente assassinadas. Até hoje permanecem mistério o paradeiro de muitos corpos e as cruentas estratégias militares de matança, ocultação de cadáver e brutalidade contra aqueles que, em sua maioria jovens, acreditavam na força da liberdade e da ação humana.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Naquele ano, acalorado 68', havia muitas coisas em comum entre aqueles dois jovens. Ele, altivo, amante de todos os esportes, aficcionado pelo álbum branco dos Beatles e pela singeleza roqueira de "Between The Buttons", dos Rolling Stones, um incondiconal fã da estética de Glauber, despia preconceitos, sublimava intolerâncias, expurgava todas as formas de morrer por nada. Queria porque queria - e acreditava nisso veementemente - mudar o mundo. Não perdia a chance de se repetir à exaustão: "O que realmente me interessa é amar e mudar as coisas!". No contrapé, ela, ternura angelical, fragilidade e sensibilidade em medidas corretíssimas, sonhava viver a vida, correr mundo, conhecer culturas, cineastas, literatos; imaginava-se diariamente nos sofás amorosos de Kundera, nos mares de Hemingway, no Rio de Janeiro de Machado de Assis. Ele e ela, consonantes, vogais em síntese de uma palavra sonora - AMOR -, eram a ideia pura de um par perfeito, eterno, paradigma romanesco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contagiado pela febre política estudantil de sonhadores universitários e trabalhadores do planeta, os quais lutavam contra a censura, o autoritarismo e as ditaduras civis-militares em seus países, ele optou pela luta armada, pelos focos &lt;i&gt;guevaristas &lt;/i&gt;de guerrilha no campo, nas florestas brasileiras. Acuada pelo conservadorismo moral de toda a sua tradicional ascendência familiar, ela acabou por aceitar a cultura do bacharelismo e ingressou na Faculdade de Direito: seus pais por ela sonhavam com um lugar na suprema corte, no delírio pequeno-burguês de &lt;i&gt;patronesse &lt;/i&gt;da ordem, da moral e dos bons costumes. Caçavam para ela bons pretendentes entre as famílias da elite da cidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele, quando soube que partiria para missão revolucionária em menos de três dias, levou-a, às escondidas, para um final de semana defronte do mar. Sob o belo e inigualável sol de Copacabana, descobriram e discutiram a vida, fizeram planos, anteciparam em desejo e bem-aventurança a felicidade que compartilhariam nos anos seguintes, por toda a vida. Amaram-se fervorosamente, com alma, corpo, sonhos de virtude. Congelaram o tempo e reduziram o mundo àquele quarto de hotel com vista para o oceano atlântico. Ao cair da tarde, quando as estrelas já anunciavam a amante e cálida noite carioca, trançaram braços que empunhavam cálices de vinho e pactuaram uma existência perene, tranquila, comum: "A nós!".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela, de volta à vida diária, afundou-se nos estudos e, ciente da aventura maluca na qual estava mergulhado seu amor, desenvolveu uma forte espiritualidade. Estudar e orar passaram a protagonizar seus dias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Alguns meses mais tarde, quando ela se preparava para as provas finais do primeiro ano da faculdade, derrubou-lhe a notícia de que os "terroristas" da Serra Forte haviam caído um a um após cruentas investidas do exército nacional na região. A operação "Morte à Subversão" realmente havia dizimado os focos guerrilheiros, pondo fim às esperanças e aos desajustes dos jovens revolucionários.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dele nunca mais nada se soube. Seu corpo jamais fora resgatado pelos pais e familiares. As circunstâncias de sua morte permanecem segredo de Estado em proibidas gavetas dos arquivos da vergonha, dos quais constam os maus-tratos e a tortura contra aqueles que lutaram pela liberdade de todo um povo numa época de uma ainda possível nação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela, magistrada, atua hoje em julgamentos de criminosos comuns, ladrões pobres da periferia, punguistas, desempregados crônicos, negros, aqueles a que Gramsci chamou &lt;i&gt;subalternizados &lt;/i&gt;- impedidos por uma sociedade excludente e violenta de poder saborear as frutas, os doces e o vinho da vida. Casada com um desembargador décadas mais velho e mãe de um casal, já adolescente, mora num extenso e luxuoso tríplex em bairro nobre da capital.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dele, ela guarda a lembrança de, na juventude, ter se apaixonado por um ingênuo sonhador.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-925904262428854466?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/925904262428854466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/925904262428854466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2010/07/benjaminianas-ii-se-num-mar-de-estrelas.html' title='Benjaminianas II - Se num mar de estrelas...'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TEnluJrm77I/AAAAAAAAAhU/TyLxF5BxOP0/s72-c/rio_araguaia.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-5851794687724241206</id><published>2010-07-08T11:17:00.005-03:00</published><updated>2010-07-08T13:16:19.203-03:00</updated><title type='text'>Latinizando I - tocando a bola</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TDX2Y_PV78I/AAAAAAAAAhA/nuBaN6LdsbA/s1600/1982.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 227px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TDX2Y_PV78I/AAAAAAAAAhA/nuBaN6LdsbA/s400/1982.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5491566229801267138" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;i&gt;Foto da Seleção Brasileira que disputou a Copa de 1982, na Espanha. Poucas vezes na história do esporte bretão em terras brasileiras um time tão talentoso foi reunido e encantou tanto a nação. O versinho "Voa, canarinho, voa!" emblematizou aquela geração de gênios dispostos a tocar a bola, fazer muitos e belos gols e emocionar as multidões&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembro Belchior, no ano em que eu tinha vinte e cinco, cantar que, em seu quarto de século de sonhos, sangue e luta sul-americana, um tango lhe caía bem melhor que um &lt;i&gt;blues&lt;/i&gt;. Amo o &lt;i&gt;blues&lt;/i&gt;, principalmente aquele dos grandes mestres da guitarra, trilha sonora da urbana noite de Chicago. Revendo meus caminhos literários e a confiança que depositei na estética de minhas imagens e conceitos em movimento, confesso que o drama tão característico do tango, unilateralmente envolvente e sedutor, tem me convencido a oferecer-lhe efusiva e profunda paixão. Aliás, paixão é a palavra símbolo da &lt;i&gt;latinidade &lt;/i&gt;que tanto me encanta nas curvas, formas e paisagens do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A cultura latina - nas letras, nas telas, no esporte, no amor... - é envolvente, conduzida com sobriedade e muita volúpia. Ela é, a um só tempo, pulso e reflexão, entrega desmedida e racionalidade comedida. Fúria e paixão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os ritmos latinos - caribenhos, sul-americanos, agrestinos ou caboclos brasileiros - expressam muitas cores e miscigenações: o negro, o vermelho, o amarelo, o branco, tropicalizados, compõem uma fina mistura de alegria, lamúria, descompromisso e olhos firmes no horizonte. Poucas vidas humanas são tão marcadas pela inteligente dialética passado-presente-futuro como as latinas. Na América Ibérica, coração valente da humanidade, está o exemplo maior de uma história que conecta biografias e trajetórias coletivas, barricadas de liberdade, desejo, anseios pelo porvir. Recuperando o belo conceito de C. Wright Mills, na &lt;i&gt;latinidade &lt;/i&gt;reside a evidência maior da verdadeira &lt;i&gt;imaginação sociológica&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ser latino é cotejar noções e visões de felicidade e lançá-las ao crivo incisivo do tempo histórico, exigindo respostas que tragam calorosos anúncios do devir, do merecido e ensolarado depois-do-amanhã. Entre nós, latinos lobos dançarinos, o tempo histórico, mais que um fardo, é um desafio provocador, necessário.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dia desses, numa entrevista concedida a Revista Caros Amigos, mês de junho, li o craque Sócrates, imortalizado no escrete da &lt;i&gt;seleção canarinho&lt;/i&gt; de 82', reiterar que, para nós, brasileiros, porção substantiva da &lt;i&gt;latinidade-mundo&lt;/i&gt;, o fuebol tem de ser espetáculo, pura arte; tem de encher olhos e sensações, fazer pular, gritar, cantar, vibrar por detalhes, dribles, lances de gênio, gols épicos. Num mundo tão pragmatizado e tornado mercantil, Sócrates me lembrou o grande Dario Pereira, zagueiro são-paulino e uruguaio na década de 80'. Certa feita, quando técnico de futebol, Dario foi interpelado sobre como jogaria seu time. Ele, &lt;i&gt;latinamente&lt;/i&gt;, respondeu: "Tocando a bola pra frente e procurando fazer o gol". Fascinante! Dario Pereira e Sócrates, o dono do toque de calcanhar mais elegante do futebol em todos os tempos, resgatam, pois, o ameaçado de extinção futebol-arte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A seleção brasileira de 1982, por exemplo, que disputou, sob comando do tricolor Telê Santana, o fio maravilha das Laranjeiras nos anos 50', a Copa da Espanha, não venceu, caiu diante de uma Itália de futebol quadrado e setorizado, mais parecida com um pavilhão militar do que com um time de futebol. O choro pela derrota, contudo, passou e já foi esquecido. O que está para todo o sempre gravado na retina e na memória futebolística da &lt;i&gt;latinidade &lt;/i&gt;são o espetáculo e a magia deixados por Éder, Leandro, Júnior, Zico, Chulapa. Sócrates, Falcão, Cerezo, Oscar e companhia ilimitada!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ninguém escreve poesia para vender livros e enriquecer-se materialmente. Não há quem esculpa, pinte, proseie no intuito de celebrizar-se midiaticamente. É quase certo que, se isso ocorre, trate-se de tudo, menos arte - nem poesia, nem escultura, nem literatura, nem cinema...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pitágoras, o filósofo de Samos, já nos ensinara, cinco séculos antes da era cristã, que nos espetáculos da vida (e ele se referia especialmente aos jogos esportivos de seu tempo) existem tão somente três tipos de sujeito: os que disputam, e por isso estão ocupados em vencer e não perder; os que vendem e compram, e portanto querem saber de lucrar ou não gastar demais; e os observadores, aqueles que não querem lucrar nem conquistar nada, uma vez que desejam saber a respeito do que está à volta, teorizar, tematizar as coisas, as pessoas, a vida. Esses, disse o filósofo, são os verdadeiros cidadãos. Querem conhecer, experienciar, partilhar ideias e opiniões. São o embrião moral do intelectual de que tão carente somos hoje em dia...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Conhecer, nesse sentido, é algo bastante &lt;i&gt;latino&lt;/i&gt;: requer dançar, seduzir, viver. Nada mais. Por nada mais. E assim se vence, de um modo muito próprio, ao som de grandes tangos, fortalecedoras tragédias. É isso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-5851794687724241206?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/5851794687724241206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/5851794687724241206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2010/07/latinizando-i-tocando-bola.html' title='Latinizando I - tocando a bola'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TDX2Y_PV78I/AAAAAAAAAhA/nuBaN6LdsbA/s72-c/1982.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-5024421591930161235</id><published>2010-07-06T08:56:00.004-03:00</published><updated>2010-07-06T10:09:30.352-03:00</updated><title type='text'>Benjaminianas I - A dança da loba</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TDMo2Xr7k9I/AAAAAAAAAg4/0iCDQ13PBeA/s1600/dan%C3%A7a.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 222px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TDMo2Xr7k9I/AAAAAAAAAg4/0iCDQ13PBeA/s320/dan%C3%A7a.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5490777285231088594" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#006600;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;"Dança ao Sol", fotografia de Isabel Gomes da Silva&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#660000;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;para Marina Ann Hantzis&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Destempero. Sim. Essa é a palavra que me vem à cabeça quando penso em meus demônios. Na verdade, quando os afronto, interrogo, ameaço. A esvaziada obsessão que eles alojam em minha consciência é desproporcional à força das ideias, ao poder da imaginação que me visita toda manhã para lembrar o que tenho, o que sinto, o que posso, o que sou. Na síntese de mim mesmo, percebo que as palavras que frutificam frases que erguem textos que consolidam valores, visões de mundo, destemperam-se diante da absurda busca pelo gozo solo, hedonista ensimesmado, sem partilha, sem contrapartida... O gozo do solipsista desprazer anula as fantasias em nome das quais jura existir, figurar. Fantasias valem a pena tão-somente quando protagonizam a emergência da realidade. Longe disso, mais do que delírio, é destempero puro, a ilusão de um sabor de míseros segundos, inevitavelmente sucedido por porquês e negações: do porvir, procrastinado; do agir, maculado; do fugir, flagrado e obstado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desperdício de tempo. Destemperar é isso também. A imaginação que transborda no instante anterior a todas as práticas constrange-se diante de imagens falsas, apressadas, que põem em acelerado movimento um crítico espírito frágil, refém do mundo das coisas e coisificações que ele mesmo tanto crê combater... Arrefecido, escondo-me, entristecido, na extrema dificuldade de dosar o mundo da vida. Os mapas para a minha festa surgem então borrados: onde encontrar o antídoto contra o esvaziamento dos meus sentidos e o prejuízo progressivo de minhas ideias? A iminência do niilismo prático me assusta!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acrobacias, alegorias, cenários em cetim, preenchidos por uma avalanche ardil de sussurros e calores insinuantes, postulam a permanência. O único vestígio de permanência, contudo, é a perda da chance de fazer, ser, erguer-se diferente. Intrépido paradoxo: a obsessão contínua pelo prazer infinito estrangula a alternativa viva de uma permanência que transcenda o tempo e o espaço de um existir que implora ser superado, alterado, substanciado, aprumado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Calafrios, nítida sensação de abandono, fantasmas e espectros rondam meu mundo, todos os mundos em volta do meu, daquilo que deveria ser meu. Já! É tão poderoso assim um inimigo que intimida apenas pulsões, tênues frestas da percepção? O corpo, termômetro e também alvo do ato obsessivo, congela ânimos e ideias após o ponto explosivo de seu desejo. Sonoridade e leveza, quase um poema, em fonema bretão: &lt;i&gt;desire! &lt;/i&gt;De bela fronte, delicada e irresistível, &lt;i&gt;desejo/desire&lt;/i&gt; comprime meu projeto de versar, prosear, colorir de letras meu universo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O mar que - &lt;i&gt;desire!&lt;/i&gt; - tanto almejo atravessar é provavelmente o remédio e a cura; negação, sublimação, afirmação; chance, batalha, vitória. Nas águas certas da inspiração vocacionada para o belo, o destino será pular ondas e fotografar imagens de boas vindas à dança da loba, conceito anfitrião de uma vida lutadora, alegre, intensa e esplendorosamente rica: fim da estrada para os meus demônios. Exílio. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-5024421591930161235?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/5024421591930161235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/5024421591930161235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2010/07/benjaminianas-i-danca-da-loba.html' title='Benjaminianas I - A dança da loba'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TDMo2Xr7k9I/AAAAAAAAAg4/0iCDQ13PBeA/s72-c/dan%C3%A7a.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-7923265830053864316</id><published>2010-06-24T16:16:00.003-03:00</published><updated>2010-06-24T16:42:07.723-03:00</updated><title type='text'>Aforismos II - rebeldias</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TCOztcX2V7I/AAAAAAAAAgw/UgREVjr8J9Q/s1600/books.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 270px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486426364359104434" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TCOztcX2V7I/AAAAAAAAAgw/UgREVjr8J9Q/s320/books.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;"Books", fotografia de Alexander Kharmalo&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;v&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Hannah Arendt me ensinou, definitivamente, que compreender significa, antes de mais nada, posicionar-se contra tudo e todos. Se me posiciono logo de início em favor de uma ideia ou de uma prática, debilito minha crítica e me impeço de analisar antes de aceitar ou até de celebrar. Insurgir-se é matéria-prima do conhecimento.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Ouvi, por uma entrevista televisiva, depois li, em sua bela apreciação de uma sociologia das ausências, o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos defender que o papel das universidades hoje - e também do trabalho que deve ser desenvolvido por partidos, associações, movimentos, mídias alternativas e independentes... - é forjar e temperar espíritos rebeldes. A rebeldia, água da vida, é sinônimo de inquietude, que, por sua vez, é ingrediente obrigatório da busca por saber e felicidade. &lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Edgar Morin, subjetividade autodidata, intelectual do mundo, insiste que a complexidade deve ser tomada como princípio organizador do pensamento, da prática, do convívio humano. Evitar simplificações, enterrar fórmulas e esquivar-se de todas as maneiras de predizer e prenunciar compilam, com estilo e sofisticação, a atividade cerebral hipercomplexa, substância da racionalidade, elixir das emoções, oásis da transformação. Aceitar a complexidade do espírito humano é não ajuizar com estreiteza falas, ações e reflexões; é eleger a vida como consequência da rebeldia, do inconformismo, da revolução - agora, sim, diária e reflexiva.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-7923265830053864316?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/7923265830053864316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/7923265830053864316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2010/06/aforismos-ii-rebeldias.html' title='Aforismos II - rebeldias'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TCOztcX2V7I/AAAAAAAAAgw/UgREVjr8J9Q/s72-c/books.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-6058780678197205615</id><published>2010-06-17T11:54:00.005-03:00</published><updated>2010-06-17T13:43:32.556-03:00</updated><title type='text'>Um toque de classe</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TBpPE3KcqSI/AAAAAAAAAgA/K46qhcqgxhs/s1600/ajuste_final.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 241px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483782441222842658" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TBpPE3KcqSI/AAAAAAAAAgA/K46qhcqgxhs/s320/ajuste_final.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;"Ajuste Final"(2006), óleo sobre tela de Adamz Alonzo&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Há um indiscutível descompasso entre ética e moralidade. No mundo contemporâneo, moralismos - substâncias privatistas de pensar, agir, viver - invadem o mundo público, espaço da incontestável presença da multiplicidade, para ditar regras e exigir posturas universais. A ética, que não pode ser verticalizada, pois nasce do pacto político dos encontros culturais, horizontalidade do social, perde então vitalidade e até razão de ser.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Exemplos de ilibada conduta moralista e não-ética pululam pelo mundo: políticos que falam em alto e arrogante tom no nome de Deus e desviam recursos públicos destinados a creches, escolas e hospitais; líderes religiosos que condenam tudo e todos e, na calada da noite, perdem-se nos mais desatinados institutos da má-fé e da corrosão do caráter; celebridades midiáticas que posam de cidadãs exemplares e solidárias em campanhas de combate à fome, à exclusão, à derrocada ambiental, à violência doméstica... e não se envergonham de, paradoxalmente, defender as atrocidades policialescas, a pena de morte, a moral retrógrada, a criminalização dos movimentos sociais, o consumo imbecilizante e irresponsável, as ideias e os valores dos verdadeiros lutadores da liberdade... &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Ética pressupõe, portanto, um intervalo curto entre o que se quer para si e o que se permite para todos. Em havendo longos percursos entre aptidões e valores morais e o campo de atuação e presença necessária da ética, ampliam-se distorções e desigualdades entre indivíduos, grupos e classes sociais. Numa palavra: a supremacia de poucas morais sobre a ética de todos, intersecção das parcelas morais conviventes, produz opressão e exclusão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 19px" class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Charles-Louis de Secondat, o Barão de Montesquieu, já &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;alertava, nos setecentos, que o pensamento ético se consolida por escala, numa detida e consciente partida do menor - em importância, extensão e profundidade - em direção ao maior, vitrine dos valores gerais do humano. O que é bom para um não pode ser ruim para alguns; o que é excelente para alguns não pode, de modo algum, ferir vida e obra de muitos; o que fortalece muitos e desgraça todos é crime inafiançável! Vale ressaltar que o patrono dessa progressão, o autor de &lt;i&gt;O Espírito das Leis&lt;/i&gt;, era um nobre monarquista e aristocrata espírito do século XVIII...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Aproximar ética de moral significa condenar as duas ao exílio da vida comum. É necessário que se delimitem, cultural e socialmente, os espaços de desenvolvimento e prática de ambas, de modo simultâneo, sim (evidente!), mas também paralelo. Valores e concepções morais caem bem onde aqueles que lá estão partilham uma mesma visão de mundo, limitada por equivalentes metafísicos e transcendentes. A compostura ética, de modo distinto, é desejada nos espaços em que toda sorte de diferenças, valores, visões e esperanças depositam passos, olhares, graças e insinuações.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;No cruzamento de vidas singulares, expressões miniaturizadas de determinantes e determinações morais, só pode haver vez para a exigência ética do convívio, o ponto de ebulição de uma moral que se universalize, se apoie nas demais e se sacrifique em nome daquilo que é mais pertinente, mais consequente, mais abrangente e, portanto, mais avançado. Trata-se, pois, no indivíduo, de um toque de classe. É isso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-6058780678197205615?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/6058780678197205615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/6058780678197205615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2010/06/um-toque-de-classe.html' title='Um toque de classe'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TBpPE3KcqSI/AAAAAAAAAgA/K46qhcqgxhs/s72-c/ajuste_final.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-4536337234673169372</id><published>2010-06-16T15:14:00.003-03:00</published><updated>2010-06-16T15:28:24.677-03:00</updated><title type='text'>Aforismos - A arte de viver</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TBkXFNnmpnI/AAAAAAAAAf4/k2AOwbbrCCA/s1600/geometrias.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 208px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483439399622846066" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TBkXFNnmpnI/AAAAAAAAAf4/k2AOwbbrCCA/s320/geometrias.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;"Geometrias", fotografia de Rod Cost&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;a&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;A arte da vida é surreal e, ao mesmo tempo- paradoxo total! -, pós-moderna: expressa muito do inexpressável e rabisca possibilidades ousadas, fazendo contornos sutis em grossas vigas e calcando a tinta em tênues e fragilíssimas linhas.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;O risco, traço inevitável da arte de viver, experimenta a dupla loucura da dialética &lt;i&gt;certeza/incerteza.&lt;/i&gt; Incertos, arriscamos a toda a hora, na honesta busca de acertar. Certos de estarmos certos, driblamos as incertezas fingindo que elas não nos incomodam ou, no limite, nem existem.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Investir em palavras é prolongar nossa presença no mundo para muito além de nossa temporalidade/espacialidade. Viver sob o signo da palavra num mundo tão comprimido e veloz é pressupor capturar o tempo e estender ao infinito nossas geografias pessoais, nossas arquiteturas particulares do belo, do correto, do aprazível. Insitir na palavra, contudo, é provocar espaços e deles exigir novas entradas para novas ideias, novos sujeitos. Novos tempos, pois.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-4536337234673169372?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/4536337234673169372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/4536337234673169372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2010/06/aforismos-arte-de-viver.html' title='Aforismos - A arte de viver'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TBkXFNnmpnI/AAAAAAAAAf4/k2AOwbbrCCA/s72-c/geometrias.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-3721643803490147294</id><published>2010-06-10T16:33:00.005-03:00</published><updated>2010-06-10T17:30:29.322-03:00</updated><title type='text'>Não te rendas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TBFBepj7aGI/AAAAAAAAAfw/oUufe3Epts8/s1600/lagoa.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 221px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5481234216295032930" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TBFBepj7aGI/AAAAAAAAAfw/oUufe3Epts8/s320/lagoa.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:85%;color:#660000;"&gt;Detalhe noturno e de muitas luzes da Enseada de Botafogo, à entrada da Baía de Guanabara, Zona Sul da Cidade do Rio de Janeiro. A fotografia é de Stefano S. Martini&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:85%;color:#006600;"&gt;Nas modernas e líquidas sociedades humanas, para mais uma vez falar com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a firmeza de propósitos, a coerência de princípios e a retidão de caráter costumam formar um arsenal de velhas e inadequadas armas num tempo de batalhas velozes e cruéis. Nossos tempos são de derrotas e vitórias que se assemelham; afinal de contas, não há muitos ideários em jogo, visões de mundo, projetos de país, de mundo. Tudo voa e desaparece sem que quase ninguém perceba. No meio desse caminho tão atroz, fustigado por perdas e danos infinitos - no paradoxo da indiferença marcante de nossas posturas diante da vida! -, alguns insistimos em sonhar, combater bons combates, enfrentar a barbárie e gritar aos ventos que ainda há (precisa haver) esperança. É uma questão de buscar o que ainda há de humano em nossa experiência comum. Li esses dias o belo poema abaixo reproduzido do uruguaio Mário Benedetti, "Não te rendas", cuidadosa e talentosamente traduzido por Flávio Aguiar. Diante de palavras tão simples, senti-me novamente no furacão da já antiga modernidade, crente nas palavras de ordem "liberdade, igualdade e fraternidade". Ao mesmo tempo, num momento em que minha vida passa por transformações pessoais e profissionais profundas, julguei abrangentes as palavras do bravo e saudoso poeta uruguaio. Suas palavras ampararam minhas lágrimas e temperaram meu receio com coragem e vontade de seguir em frente. O amor, como de praxe, fará sua vez de porto-seguro, canto sagrado para o descanso e máquina energética para a necessária volta ao mundo. Estarei pronto. Como sempre.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:85%;color:#660000;"&gt;por Mário Benedetti (1920-2009)&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Não te rendas, ainda há tempo &lt;div&gt;Para voltar e começar de novo,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aceitar as sombras,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Enterrar os medos,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Soltar o lastro,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Retomar o voo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não te rendas, pois a vida é&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Continuar a viagem,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Perseguir os sonhos,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Destravar o tempo,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Percorrer os escombros&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E desvelar o céu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não te rendas, por favor, não desistas,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ainda que o frio queime,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O medo morda&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E o sol se esconda,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ainda que se cale o vento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ainda há lume na tua alma,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E vida nos teus sonhos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não te rendas&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Porque a vida é tua e também o desejo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Porque o quiseste e porque te quero,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Porque existe o vinho e o amor, é claro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Porque não há ferida que o tempo não cure.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Abrir as portas,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Livrá-las das trancas&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Abandonar as muralhas que te protegeram,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Viver a vida e aceitar o desafio, Recuperar o riso,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Arriscar uma canção,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Baixar a guarda e estender as mãos,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Distender as asas&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E tentar de novo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Celebrar a vida e retomar os céus&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não te rendas, por favor, não desistas,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ainda que o frio queime,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O medo morda&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E o sol se esconda, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ainda que se cale o vento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ainda há lume na tua alma,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E vida nos teus sonhos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Porque cada dia é um novo começo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Porque essa é a hora e o melhor momento&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Porque não estás só, por que eu te quero.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-3721643803490147294?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/3721643803490147294'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/3721643803490147294'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2010/06/nao-te-rendas.html' title='Não te rendas'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TBFBepj7aGI/AAAAAAAAAfw/oUufe3Epts8/s72-c/lagoa.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-2310359950863506490</id><published>2010-05-27T14:38:00.006-03:00</published><updated>2010-05-27T16:04:22.711-03:00</updated><title type='text'>Cartão Vermelho</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/S_6_A5vQ4BI/AAAAAAAAAfI/Krae2bmlN_A/s1600/anarquia.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 206px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5476024219149066258" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/S_6_A5vQ4BI/AAAAAAAAAfI/Krae2bmlN_A/s320/anarquia.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#660000;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Houve um tempo, não muito distante, em que ter e empunhar bandeiras era atitude tão necessária quanto corriqueira. Ideias moviam o mundo, configuravam a face da Terra, impunham caracteres políticos às andanças coletivas, circulavam os destemperos econômicos impedindo-os do excesso desumanizador. Tragadas pela sociedade do espetáculo, do cinismo e da egolatria, as bandeiras foram enroladas, guardadas e, aos poucos, vêm sendo queimadas diante do semblante confuso e desesperado da Humanidade, carente de "ismos" e reinvenções. Na foto acima, uma imagem redentora: o velho símbolo anarquista, vítima de tantas deformações e incompreensões a cargo de seus opositores e oponentes, às mãos do que já foi futuro: as crianças do mundo!&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tenho defendido que se pense com determinação a respeito do custo altíssimo que a humanidade é obrigada a assumir por esta vida. Reduções salariais, minimização de investimentos necessários, maximização de expropriações desnecessárias, precarização crescente das condições de autorrealização e de realização objetiva de um mundo melhor... Tudo isso tem deposto contra valores, princípios, desejos que venho nutrindo faz anos, exteriorizando sentimentos e insurgências d'alma na forma de palavras, ditas, escritas, exclamadas! &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;A felicidade - e aí a postulação já nem é minha - declina em razão inversamente proporcional à mercantilização do mundo (&lt;em&gt;mundo da vida&lt;/em&gt; também, mestre J. Habermas). Mais cores e formas, menos conteúdo e propósito; mais velocidade, menos complexidade; muito mais coisas, muito menos gente - as multidões apavoram o humano, que antes a elas se dirigia para encontrar o &lt;em&gt;outro&lt;/em&gt; e hoje nelas se mistura para evitar &lt;em&gt;todos&lt;/em&gt;, inclusive a si mesmo. Metáfora viva de um indesejado e repugnante labirinto espelhado...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Líquidas, para lembrar Bauman, tornaram-se quase todas as relações sociais. Os antigos espaços de convivência - da famíla à praça pública - cederam terreno para a construção de lojas, corredores, centros de diversão e entretenimento onde todos riem, cantam, dançam, gastam dinheiro... e ninguém se vê ou se percebe. Sombras e silêncio em meio a luzes, paredes enormes e insuportáveis burburinhos e gritarias. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Pagamos pela perda das intersubjetividades. Nossas fantasias são banalizadas, alternam-se entre o banal, o instantâneo, o comercial e o &lt;em&gt;gozo fácil &lt;/em&gt;- perigoso e já pouco amedrontador. Nossos projetos se diluem na fria água da desesperança, do uníssono credo no &lt;em&gt;salve-se-quem-puder&lt;/em&gt;, alegoria substantivada da pós-modernidade. Propósitos, despropositam-se; certezas, incertas como nunca, astronáuticas. Utopias, inofesivas, cócegas da impossibilidade, do imobilismo, da apatia promíscua e ubíqua. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Observando o mundo, dada a força com a qual o presente se instaura como tempo único, sobressai a convicção de que, para a maioria de nós, houve dois grupos distintos a ocupar o planeta em toda a sua longa História: os dinossauros e, logo em seguida, nós mesmos, hoje e para sempre. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Ignorando o tempo histórico, supondo que passado e futuro, caso existam, são perceptivos imaginários da literatura fantástica e ficcional, escapamos à compreensão de nossa lamentável derrocada ambiental: o planeta vem aquecendo o solo e os ânimos, aumentando o volume das águas e da nossa indiferença, degelando pólos e nosso desejo de romper, mudar, transcender o real. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Alimentamo-nos mal, cuidamos pouco e de modo nada exemplar um do outro. Vivemos, na verdade, &lt;em&gt;apesar do outro&lt;/em&gt;. Por generalizada incapacidade de ofertar bons exemplos, incitamos, quase sempre sem nos darmos conta, atitudes violentas e desproporcionais a tudo, contra tudo. Revitalizamos o conservadorismo moral e o liberalismo econômico, recrudescendo preconceitos, prejuízos e desperdícios múltiplos, contantes, ilimitados. Rasgamos os mapas para a festa e incineramos o humano, em tempos iguais, fronteiriços, já nem um pouco árduos. A máquina, uma ameaça na &lt;em&gt;velha&lt;/em&gt; Modernidade, uma figura ilustrativa e retórica para desavisos políticos, é a protagonista da sociedade líquida que &lt;em&gt;aniquila &lt;/em&gt;o humano. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Trabalhamos para sobreviver, como formigas, em bloco, em grupo, escala, enquadrados pela disciplina da produção e do controle social. Como o capital que ronda, espectro pós-moderno, somos especulados a toda a hora: nossas escolas - das creches às universidades - viraram laboratórios, nos quais se testam programas, métodos, currículos, perfis, ênfases, tudo para agradar ao &lt;em&gt;deus-mercado&lt;/em&gt;, ícone pop da atualidade, e destruir sonhos, escombros de um tempo insistente, doente, parasitário. Os sonhos, internados no hospício projetado pelas notas verdes da circulação mundial de créditos e credos, pararam para sempre de gritar: &lt;em&gt;"Unam-se, movam-se".&lt;/em&gt; Perderam braços e pernas, consciência e visão. Vivem enconstados nas memórias tardias da resistência. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Na súmula do jogo, do acaso que disse &lt;em&gt;não&lt;/em&gt; à capacidade humana de tomar para si os destinos de sua presença no mundo, registra-se em destaque e com letras italizadas: o prognóstico do amanhã, erguido sobre a poeira cinzenta das mortas utopias de ontem, proclama corações vazios e incertezas renovadas diariamente. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Sustento-me no movediço campo de um jogo que se disputa há muito tempo, do qual eu participo desde sempre, cujas regras, contudo, nunca aceitei. Vivo expulso. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-2310359950863506490?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/2310359950863506490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/2310359950863506490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2010/05/cartao-vermelho.html' title='Cartão Vermelho'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/S_6_A5vQ4BI/AAAAAAAAAfI/Krae2bmlN_A/s72-c/anarquia.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-3978285796681952576</id><published>2010-05-27T13:50:00.004-03:00</published><updated>2010-05-27T14:36:14.502-03:00</updated><title type='text'>Alma</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/S_6tGUADC3I/AAAAAAAAAfA/Tou4PkHSFgw/s1600/anjo_terra.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 214px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5476004520888830834" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/S_6tGUADC3I/AAAAAAAAAfA/Tou4PkHSFgw/s320/anjo_terra.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#006600;"&gt;&lt;em&gt;"Um ANJO na terra", fotografia de Ines &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ouvi, do saudoso mestre Wander Taffo, que &lt;em&gt;"meninas de escola são fáceis mas não têm sabor, beijam, abraçam, depois retocam o batom; gosto de vê-las sumindo no retrovisor, porque não sinto prazer nem dor"&lt;/em&gt;. E a esse vaticínio, uma sensação explosiva, Taffo acrescentava: &lt;em&gt;"Estou sozinho com meu mal, minha vida na ponta de um punhal"&lt;/em&gt;. A primeira parte, questionável (como não endoidecer por essas meninas?!), completa-se, de fato, amando ou odiando o retoque dos lábios pueris, na assustadora sedução que nos catapulta ao inferno contemporâneo da solidão.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;O sorriso maroto e quase indecifrável dela, alma, menina, menina, toda menina, me fascinava. E me deixava atarantado também. Havia tanto charme naquele olhar angelical que eu não podia deixar de me indagar sobre os perigos das garotas de Taffo. Refutá-las seria o mal à ponta de um punhal? Ou, revés, o mal seria a traição de meu desejo, a fuga àquele corpo que, escondido sob camiseta e jeans cotidianos, lançava fogo contra a calmaria de meus dias? Alma - coisa etérea, transcendente - provocava minhas manhãs, tornava longas minhas tardes e fazia do desejo de antecipar o sono a síntese de todas as minhas ansiedades, nada lúgubres passeios pelos sonhos. Alma, a parte que não se toca no ser... Haveria prazer no tocar, invadir, amar perdidamente seus mistérios? Meu lirismo perdeu o chão, peregrinou entre céus de uma imaginação que agora quer ser real, materializar-se.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Nosso contato era o acaso, quase um ocaso, cáucaso do olhar, causticidade de um pôr-do-sol vermelho, pintura. Na raridade do ver, entrever, derreter, sentia-me pertencente mais a ela do que ao mundo que consumia minhas horas, desperdiçava o que pudesse haver de humano em mim. De olhos perfurantes e penetrantes, delícia!, alma investia mesmo era na eloquente e - paradoxo! - invisível forma de me atrair, capturar, absorver meus delírios. A paixão oblíqua do homem que nunca pude ser estava em xeque: lábios infantes, corpo de ninfeta, tudo muito bem cercado pelos trilhos da vida que apenas iniciavam sua trajetória amorosa, anunciavam no horizonte a maturidade, a tal plenitude. Só uma palavra martelava insistentemente todos os meus pensamentos: menina. Deliciosa, envolvente, sedutora, fascinante, mulher, é claro... Mas menina, menina, toda menina.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Diluí em água e blues a voracidade de meus instintos. Enveredei por chuva, noite, estradas infinitas. Cada olhar, uma música; madrugada sem fim compondo trilhas de histórias impossíveis, desejos proibidos, absolutamente inapropriados. Quando fui "apropriável"? Qual a última vez que não nadei na contracorrente, não escovei, &lt;em&gt;benjaminianamente&lt;/em&gt;, a contrapelo as histórias que me atropelam, interpelam, apelam?...&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Alma, mas também corpo, trejeito, condensação de tantas fantasias... Arrepios, sinto-os em cada poro, cada milímetro impossível de mim, dentro e fora. Almas?&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Lembro Taffo mais uma vez: &lt;em&gt;"Ninguém é uma ilha, perdida sem conexão; existem continentes que vêm em nossa direção"&lt;/em&gt;. Alma e eu, ao menos, para o mínimo, corpos em explosão, revelação, revolução.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-3978285796681952576?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/3978285796681952576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/3978285796681952576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2010/05/alma.html' title='Alma'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/S_6tGUADC3I/AAAAAAAAAfA/Tou4PkHSFgw/s72-c/anjo_terra.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-7045555188240362161</id><published>2010-05-20T16:01:00.004-03:00</published><updated>2010-05-20T16:27:03.660-03:00</updated><title type='text'>Datilografia</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/S_WMI4jmTAI/AAAAAAAAAe0/vAkOPTFjyEw/s1600/passos.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 321px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5473435006387244034" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/S_WMI4jmTAI/AAAAAAAAAe0/vAkOPTFjyEw/s320/passos.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;"Em volta dos meus passos", fotografia de J. Pedro Martins&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De um polo a outro, freneticamente ligado às novas e excitantes sensações que invadiam meu corpo, compus aquilo que alguém já chamou de &lt;em&gt;sinfonia inacabada&lt;/em&gt;. Preparei-me como nunca para exercer tamanha e grandiosa função. Li, reli, desnudei mundos que revolucionaram minha resistência, minha forma de insistir. No meio do caminho, cedo para entregar os pontos, tarde para voltar atrás, redefinir prioridades ou reconceituar a vida, a decepção só não foi maior porque a teorização imprescindível à minha formação e ao meu preparo para o repto já havia advertido: as coisas mudaram, outros caminhos - indefinidos e bastante acidentados - (des)faziam cabeças, conduziam (in)consciências. Tempos de crise. Certo de que vitórias seriam então sempre parciais e extremamente fugazes e frágeis, de pequeno alcance, rizomas, revirei meus transtornos e desafiei meus demônios: &lt;em&gt;alternativas há?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Passei a escrever sobre percalços e peripécias, a amar a geografia, a cultura, a história de minha terra prometida, andando sobre as águas do mar, o escândalo de prazer e êxtase de minha própria modernidade tardia. Ouvindo a trilha da minha trajetória, redescobrindo prazeres em espaços antes ocupados pela indiferença, datilografo agora e para já meu futuro à la Raulzito: &lt;em&gt;"Não sei aonde estou indo, mas sei que estou no meu caminho"&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-7045555188240362161?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/7045555188240362161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/7045555188240362161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2010/05/datilografia.html' title='Datilografia'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/S_WMI4jmTAI/AAAAAAAAAe0/vAkOPTFjyEw/s72-c/passos.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-5325210918970050969</id><published>2010-05-20T15:33:00.005-03:00</published><updated>2010-05-20T16:01:13.902-03:00</updated><title type='text'>Mãos tricolores</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/S_WFo2BkcFI/AAAAAAAAAes/dJ2sIOeg5aM/s1600/23-lrg.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 213px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5473427858882064466" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/S_WFo2BkcFI/AAAAAAAAAes/dJ2sIOeg5aM/s320/23-lrg.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; A atriz Juliana Knust, que pinta telas e mais telas de vidas e mais vidas com a magia tricolor de todas as suas insuspeitas formas de enternecer e seduzir&lt;/span&gt; &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;Havia pelo menos quatro pontos ligados pelas ideias da menina. Retângulo, quadrado, um campo de futebol, uma paisagem à la Klee, o que fosse. Seus pequenos e delicados dedos revezavam as cores no painel: vermelho, verde, alaranjado, um roxo bastante extravagante, marrom, preto, azul-marinho, muitas cores fortes e fúnebres, ao estilo do mundo a sua volta. Aparentemente, para qualquer olhar desavisado, seus movimentos borravam a tela, manchavam desordenadamente um belo material pensado e projetado para grandes artes, deslocado ali, no umbral do fim, na negação mais veemente da promessa de liberdade que campeia imaginários inocentes. A intuitiva presença de cores iluminadas e charmosas - o verde mata-viva e o vermelho-grená, por exemplo - apontavam um universo utópico nos barrancos da sociabilidade mesquinha e intragável pelos sonhos do além-capital.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Ao reunir pontos e preencher de cores mágicas um quadrilátero muito do irregular, a menina fazia pulsar suas fantasias, contra o mundo que a acua, empurra, empobrece, embrutece... Do cinza-chumbo das noites regadas à bala e prosa seca, sem grãos nem letras inteiras, do marrom sempre enferrujado das paisagens e moradas, do preto covarde de sua infância roubada... florescia a força de uma terna e eterna paixão, vibrante sem limites: os miúdos porém destemidos dedos da frágil menina-esperança contrastavam com a hostilidade do planeta-real: entronizavam em sua imaginação, a viva saga de seu amanhã, a glória tricolor!&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7938625-5325210918970050969?l=travessia21.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/5325210918970050969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7938625/posts/default/5325210918970050969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessia21.blogspot.com/2010/05/atriz-juliana-knust-que-pintou-as-telas.html' title='Mãos tricolores'/><author><name>Marco A. Rossi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05582917481658726365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/TLyGi7yAHfI/AAAAAAAAAkQ/_wfSLff3sU8/S220/marco_bonde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/S_WFo2BkcFI/AAAAAAAAAes/dJ2sIOeg5aM/s72-c/23-lrg.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7938625.post-1897464021594949791</id><published>2010-04-26T14:54:00.003-03:00</published><updated>2010-04-26T16:55:20.399-03:00</updated><title type='text'>Sexta-feira</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/S9Xt3Ok-o5I/AAAAAAAAAek/XU_LfDtyfhc/s1600/lick.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 213px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_jDlAOiWDW3c/S9Xt3Ok-o5I/AAAAAAAAAek/XU_LfDtyfhc/s320/lick.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5464535255945749394" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#660000;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;"Lick It", fotografia de Luiz Fernando Rodrigues Leite&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cíntia adorava festas. A cada olhar que dirigia ao calendário, fosse o de sua mesa no pequeno escritório de advocacia em que trabalhava como secretária, fosse o de seu aparelho móvel celular (cheio de firula e pirotecnia de última geração), a impressão era a de que fazia o tempo correr, aproximando logo a sexta-feira e o final de semana, tempo em que dançaria, beberia, namoraria até se empanturrar de tanta diversão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Obcecada por ambientes de estrondos sonoros incompreensíveis (&lt;i&gt;tecno, dance, funk, pancadões&lt;/i&gt;...), Cíntia sempre buscava cenários novos, baladas com gente desconhecida e diferente. Era muito forte nela o desejo pelo proibido; arriscar-se pelas noites da cidade era um impulso que ela jamais teve vontade de controlar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Numa sexta-feira bastante morna de um mês ainda não muito frio de inverno, combinou com alguns estagiários de Direito do escritório uma ida a uma festinha bem &lt;i&gt;underground &lt;/i&gt;no subúrbio. A lenda urbana sobre a tal festa - já antiga entre o pessoal &lt;i&gt;old school &lt;/i&gt;da cidade e em meio ao imaginário decadente da metrópole - rezava que a empreitada era barra pesada, experiência marcante e definitiva. À espera do perigo excitante da próxima sexta-feira, os olhos de Cíntia mal piscavam, sua concentração no trabalho se fez precária. Correr à periferia no início do final de semana era a grande urgência de todas as sua prioridades. Poucas vezes se viu Cíntia tão distante, focada em algo que só se poderia ver por uma câmera subjetiva. A jovem secretária havia sido contagiada por uma ideia inalienável e poderosa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pôr-do-sol, sexta-feira entre o frio e o meio-termo. De calça &lt;i&gt;jeans&lt;/i&gt;, blusa de mangas compridas, tênis estilosos e meias reforçadas, Cíntia se encontra com os futuros homens da justiça (e isso pode ser fina ironia de minha parte) no Bar da Catacumba, recanto de universitários e jovens de classe média do centro e da zona sul. Meia dúzia de cervejas depois, para cada um, em média, partem para Cristambá, região pobre e abissal do subúrbio e distante uns quarenta ou cinquenta minutos, de carro, do lugar onde estavam. É para lá que o pensamento de Cíntia viajou logo no início da semana.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entre ruas escuras, moradias precárias e um ambiente em que sobram formas de exclusão social e indiferença contra os subalternos, Cíntia e seus colegas perambulam no belo carro &lt;i&gt;sedan&lt;/i&gt; do filho do dono do escritório, quintanista de Direito numa faculdade de capital privado de quinta categoria (e isso pode ser um eufemismo de minha parte). Aquilo a que assistem através dos caros vidros do automóvel são imagens com as quais a TV e o turbilhão de &lt;i&gt;frenesis &lt;/i&gt;pós-modernos os acostumaram. Como era de esperar, veem graça em tudo, e suas palavras, transbordando empáfia e ignorância, ódio e preconceito, culpam o pobre pela pobreza e pela vida que levam de abandono, martírio e vulnerabilidade de toda a sorte. Estavam ali para mais uma noite de diversão e contornos d'alma, escoamento da responsabilidade histórica de seus fragmentos de classe sobre o destino daquela gente. Não se importavam. Prazer e tempo consumado (consumido). Só isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A duas ou três quadras da casa em que a festa já voava a mil por hora, o carro é estacionado à beira do precipício para algumas notas preliminares da noite: enquanto Cíntia se deleita num sexo oral com dois paus ao mesmo tempo, o motorista do &lt;i&gt;sedan&lt;/i&gt;, o filho do dono do mundo, penetra a bela secretária com ímpeto e vontade visíveis. Um pau na garganta, outro masturbado freneticamente por sua mão esquerda; no complemento dos prolegômenos da madrugada, dois paus se revezam na buceta já úmida e esporrada de Cíntia. Cinco jovens no limite se suas sensações, na fronteira de seus próprios limites.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Poucos minutos após o primeiro beijo, quase uma mordida, no seio esquerdo de Cíntia, ato pivô da miniorgia do subúrbio, quatro paus gozavam no rosto da garota. Arrebatada e aos risos - sintomas previsíveis de um pequeno pileque por vodka ao longo da quase uma hora da zona sul a Cristambá -, Cíntia limpa o rosto com lenços umedecidos retirados de sua bolsa. Enquanto os jovens erguiam suas calças, ao carro era dada partida. De comum acordo, haviam desistido de encarar a festa proibida e &lt;i&gt;chapa-quente&lt;/i&gt; da zona norte. Encantados e enlouquecidos pela eloquente volúpia de Cíntia, apostaram num motel requintado e caro para invadir a madrugada e a barra da saia do dia. A base da aposta era simples: &lt;i&gt;se num carro parado à beira do caos da Terra, Cíntia havia se liberado daquela maneira, movida por uns goles de vodka barata, o que não os esperaria em situação de segurança e ilimitado conforto?&lt;/i&gt; A secretária, entre risos perdidos de inocência e absoluta safadeza, garantiu a cada um dos rapazes os prazeres mais impossíveis do mundo. Não haveria, ela reiterou, nenhum limite em seu corpo, nenhuma zona sem acesso para loucas aventuras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Andanças da máquina pós-moderna, pronta para instantes sem amanhã. Códigos de sujeitos de um não-ser absoluto, nada relativo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gozaram muito - Cíntia, principalmente - até o raiar do dia, regados a vodka, muita vodka, e revezamentos de sexo de todo o tipo. O cu de Cíntia foi o oásis da madrugada: todos o foderam e nele gozaram várias vezes. Bocas, mãos, paus, cu e buceta formaram um deslumbrante caleidoscópio que só parou de girar no ponto máximo do esgotamento físico, quando corpos-máquina desabaram sobre os lençóis de bela cama r
